28 de abril de 2016

Digitalmente analógica

Digitalmente analógica.

No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Mas não me surpreendi. Minhas retinas mais ou menos fatigadas já tinham checado previamente o caminho no Waze. O aplicativo traça as melhores rotas, mas eu ainda preservo meus próprios caminhos e atalhos pelo bairro.

Agendo os médicos no planner do celular. Dou comando de voz no Google perguntando qual será a previsão do tempo. Mas, se minha mãe fala pra levar casaco, eu levo.

Twitter.
Snapchat.
Tumblr.
Pinterest.
Facebook.

Estou em todas as redes sociais. Aplicativos mil para facilitar a vida cotidiana, mas ainda controlo meu ciclo menstrual na folhinha do calendário.

Dia desses resolvi me atualizar, fazer um curso de escrita criativa, me inteirar das novidades. Na bolsa, papel e caneta. Na sala de aula, os alunos tiravam fotos dos slides e faziam anotações diretamente no iPad. Todo conteúdo da aula estava disponível para download. Eu estava com a minha caneta bic azul nas mãos, olhando aquela movimentação tecnológica como se eu nunca tivesse visto todos aqueles gadgets.

Sala de aula e aprendizado sempre me remeteu à escrita cursiva. Vejo muitos vídeos no YouTube, dou joinha e compartilho, mas se acho o conteúdo realmente interessante, anoto as referencias em um caderno para usar mais tarde.

Nascida nos anos 80, criada nos anos 90 e virei adulta na virada do século. São muitas referências e levo todas elas comigo. Fiz trabalhos escolares em folha de almaço, tirei muita xérox de 10 centavos na faculdade. Tenho um Kindle, mas não dispenso meus livros físicos de maneira alguma. Gosto de abrir o livro, grifar com marca texto, fazer anotações em letras miúdas na borda das páginas.

O trabalho de conclusão de curso da faculdade foi feito a quatro mãos no GoogleDocs, mas muitas das pesquisas foram feitas nos livros da biblioteca.
Gosto de estar no meio. É divertido essa lacuna a qual pertenço. Raciocínio analógico e organização digital..

Tenho inúmeras playlists no Spotify, mas não dispenso promoção no bacião de cd’s e dvd’s nas Lojas Americanas. Kindle revolucionou minhas metas de leitura, mas não posso esquecer-me de devolver o livro que peguei emprestado na biblioteca semana que vem. Ligo pro delivery de comida que foi previamente escolhido verificando as referências na internet.

Sou meio assim, meio mozarela, meio calabresa. Levo sempre uma caneta na bolsa assim como o carregador do celular. Anoto no caderno os pensamentos soltos e organizo as referências estéticas no PinterestSou meio assim. Digitalmente analógica. Analogicamente digital. 



4 comentários:

Laura Souza disse...

Bom dia Camila! Que texto maravilhoso! Que escrita deliciosa de se ler. Eu tô com 33 e eu não sei usar meu smartphone. Comecei na internet quando ela era tinha uma aparência bem menos interessante, lá pelos meus 15 anos. E por um tempo eu era a tecnológica. Demorei para comprar um smartphone e hoje me vejo com o note no colo e windows phone do lado kkk fiquei para titia da web.

Moon Goddess disse...

Adorei o texto e me identifiquei demais! Somos da mesma epoca :) se eu nao uso papel e caneta pra estudar ou colocar as ideias em ordem, não sou ninguem xD mas claro que, mesmo, mantemos todas as redes sociais possíveis atualizadas! Beijos

Moon Goddess disse...

Adorei o texto e me identifiquei demais! Somos da mesma epoca :) se eu nao uso papel e caneta pra estudar ou colocar as ideias em ordem, não sou ninguem xD mas claro que, mesmo, mantemos todas as redes sociais possíveis atualizadas! Beijos

Bia Lombardi disse...

perfeição essa frase: Raciocínio analógico e organização digital! É a combinação da melhor parte de 2 mundos <3