5 de agosto de 2015

4 documentários com mulheres inspiradoras para assistir na Netlifx

2015 não tem sido o ano da leitura, mas em compensação, coloquei a maioria dos meus seriados em dia e ando assistindo bastante documentários na Netflix. Os documentários definitivamente vieram pra ficar na minha vida. 
Essa rodada de indicações acabou sendo temática sem querer querendo. O lançamento de "What happened, Miss Simone?" causou um burburinho mês passado, tão lembrados? Assisti e gostei bastante e, com isso, comecei a procurar para assistir mais documentários com mulheres no protagonismo. Todos os filmes estão disponíveis na maravilhosa Netflix. \o\





Duas coisas que sabia sobre Nina Simone antes de ver esse documentário: ela foi uma cantora, ela cantava Feeling Good. SHAME ON ME! Por onde eu estive durante todos esses anos? Debaixo da pedra, certamente. Separe uma hora em que você esteja 100% disposto pra tentar compreender um pouco a vida de Nina, porque o documentário é denso, é pesado e intenso assim como foi a vida dela. O relato começa lá na infância pobre, o desejo de ser a primeira pianista clássica negra, o envolvimento com a cena artística local cantando blues, passando pela ascensão nos anos 60, o intenso ativismo pelos direitos civis dos negros. Nina foi uma pessoa intensa em tudo fez, durante o documentário são exibidos vários manuscritos de um diário que ela mantinha e esses manuscritos foi o que mais me impressionou. Ela tinha fama, uma cantora conhecida por todos pelo talento e que dizia tudo o que pensava, sempre bastante ativa. Esses manuscritos mostram o que estava acontecendo com ela internamente: os abusos psicológicos e físicos, a pressão do marido empresário, a mídia, as perda de amigos na luta dos direitos civis para os negros. Enfim... é um documentário imperdível mesmo. Viva Nina Simone. 





Linor Abargil foi a grande vencedora do Miss Universo na edição de 1998, representando Israel. Seis semanas antes de ganhar o concurso, ela foi sequestrada, esfaqueada e estrupada por um agente de viagens em Milão. O documentário conta a história de Linor e do seu engajamento para ajudar as vítimas de estupro. Ela entrevista várias vítimas de estupro, celebridades, um grupo de meninas da África do Sul e até o caso de uma senhora cega. É muita covardia mesmo... Linor promove palestras encorajando as mulheres a denunciarem seus agressores. Eu não sei como ela conseguiu sofrer tudo o que sofreu aos dezoito anos e, ainda sim, participar de um concurso de beleza. É admirável de verdade.




Iara Iavelberg nasceu em berço e ouro, filha de judeus de família tradicional paulistana. Os pais arranjaram um casamento e aos 16 anos já estava casada com um médico. Passou na USP e caiu meio de paraquedas no movimento estudantil nos anos 60. Iara se engajou na causa e tornou-se militante guerrilheira de extrema-esquerda contra a ditadura militar brasileira. O principal argumento do documentário é desmentir a circunstancia da morte de Iara, que na época foi dado como suicídio. Eu gostei MUITO desse documentário brasileiro, o roteiro foi escrito pela sobrinha de Iara, que vai descobrindo junto com o telespectador quem foi a tia na militância contra a ditadura e as circunstancias da sua morte. É super interessante! E queeeeeeeeeeeee mulheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer! E além do inimigo obvio na época, eu fico imaginando o tanto de machismo que Iara teve que enfrentar dos próprios companheiros de luta armada. Tem um depoimento (esqueci o nome do moço) que fala que tinham algumas pessoas que não viam bem o envolvimento que Iara tinha com o Carlos Lamarca, sendo que, ela que ensinou muito do marxismo, indicou livros e ensinou muitas coisas pra ele. As ideias de Iara eram as decisões do Carlos Lamarca. E como pode ter tanta gente querendo a volta do regime militar? Tem que ser muito ignorante mesmo. Assistam! \o/

Girl Rising (2013)

Primeiro, assista o trailer.



Girl Rising aborda a vida de nove meninas em diferentes países que lutam para estudar e viabilizar um futuro melhor. Todas essas nove personagens reais, por mais pobre que sejam e dificuldades que enfrentam no dia-a-dia, são privilegiadas pelo fato de estudarem (ou saber o mínimo possível, ler e escrever), visto que não é isso que acontece com a maior parte das meninas que vivem em seu país. O que mais me deixou emocionada foi a forma como todas essas histórias foram contatas, através de uma narrativa lírica. Cada menina conviveu com uma escritora local de seu país, mostrou sua rotina, afazeres do dia e a escritora compilou todos esses relatos em uma história, que é narrada no documentário. Essa narração ainda conta com vozes famosas: Anne Hathaway, Cate Blanchett, Meryl Streep, Kerry Washington, Alicia Keys... Girl Rising ao mesmo tempo que é triste e arrebatador, é inspirador, poético, realista e extremamente idealista. Educação é a revolução, gente. Esse é um documentário que precisa ser visto por todos.

2 comentários:

Paula A. disse...

Adorei as dicas, Camies! Vi só o da Nina por enquanto (que mulher!), e o Brave Miss World tá na minha lista lá no Netflix pra ver em breve. Vou colocar os outros dois também.

Mila disse...

E aumenta a minha lista de "Ver Depois"... rs