18 de junho de 2015

Não é uma questão de cu e nem de vestir branco, é uma questão de LIBERDADE.

Às vezes eu penso que o mundo está perdido e que não existe solução pra nada. Esse tipo de pensamento me deixa sufocada, porque sou uma pessoa que vê o copo metade cheio e não metade vazio. As notícias que mostram intolerância tem me atingido com um peso maior ultimamente. Toda vez que leio uma manchete, comentário de portal ou alguém defecando pela boca no Facebook, eu sempre penso: QUE MUNDO É ESSE QUE ESTAMOS VIVENDO?
Estamos em 2015 e com a tecnologia de nossos smartphones, a informação chega bem mais rápido através da internet (portais de notícias, redes sociais, whatsapp). Estamos conectados 24 horas durante os 7 dias da semana. Cada vez mais a minoria oprimida (seja ela mulher, LGBT, negra, muçulmana etc) tem voz para denunciar e expor a opressão vivida diariamente. Não é que as pessoas estão militantes demais, que estão fazendo textão em demasia, é que finalmente nós podemos ser ouvidos por todos. Podemos ser ouvidos, compreendidos ainda não.
Aquele caso da Viviany Beleboni que deixou muitos cristãos revoltados com a audácia do seu protesto na última Parada Gay aqui em São Paulo. Ouvi muitos comentários dessas pessoas, todas revoltadas porque né, onde já se viu uma mulher trans se colocar no lugar de Jesus Cristo. Quando eu vi as fotos da Viviany no domingo, acompanhando a Parada Gay pelo Twitter, eu NUNCA achei que teria essa repercussão toda; porque pra mim era ÓBVIO que e a mensagem transmitida é que a comunidade LGBT é crucifixada diariamente. E é verdade isso. Só não vê quem não quer.



Entre a pororoca de chorume, jogador de futebol falando que a Viviany tinha que pedir desculpas (WTF), Marco Feliciano incitando ódio no feicebuque, tem também a galera que pensa assim como eu e outras tantas pessoas repetindo "deixa os cara dar o cu", "2015 e o povo cagando regra pra quem dá o cu". Isso me irrita. Eu entendo o que as pessoas querem dizer com isso, mas a gente precisa parar de reproduzir esse tipo de coisa. Não é uma questão de cu. Falar só do prazer sexual é minimizar toda a causa da gay, toda a causa da comunidade LGBT. A luta é por direitos iguais, liberdade de andar na rua sem ter medo de apanhar, de se casar, ter filhos, fazer um jardim como bem entender e viver a vida como quiser, assim como fazem os heterossexuais. 
Essa semana uma menina de 11 anos foi apedrejada na rua pelo simples fato de ser candomblecista. "2015 e o povo cagando regra pra quem sai de branco na rua". A questão não é a cor da roupa ou "vestir o branco da paz", a questão é liberdade de ir e vir, liberdade religiosa. 
Quatro meninas estavam andando na rua, quando foram agredidas, estupradas e arremessadas em um barranco, lá no Piauí. E a mídia andou noticiando essa tragédia com a manchete de "abuso". "Quatro meninas foram abusadas". Não foi abuso. Foi estupro mesmo. Inclusive, uma das vítimas chamada Danielly Rodrigues, morreu decorrente ao ataque que sofreu. 
E daí que existe um grande número de pessoas querendo silenciar e minimizar todas essas causas (e tantas outras mais) e esses problemas. Não é uma questão de cu, de vestir branco, de ter trejeitos, de usar o cabelo pro alto ou não, é uma questão de liberdade. E essas pessoas que gostam de minimizar e silenciar, por muitas vezes justificam seus preconceitos e mediocridade com trechos da bíblia. Deus disse que não pode mulher com mulher, Jesus não vai gostar de ver uma mulher trans na cruz. É tanta baboseira e preconceito que tenho vontade de arrancar meus olhos. Estamos em 2015 e esse é o momento de entender o que nos parece estranho. Momento de ter empatia, de se colocar no lugar dos outros, de pensar antes de falar groselha nas redes sociais. Parar de julgar os outros pela cor da pele, pela religião ou por orientação sexual. Está na hora de parar de rotular, de classificar e tentar padronizar o modo de viver alheio. Tá na hora da gente cuidar da nossa vida, de dar voz as pessoas que são oprimidas todos os dias e deixar esse preconceito, essa coisa antiga e grotesca cair por terra. 
Chega de reproduzir "não sou tuas nega", "deixa os cara dar o cu", "chuta que é macumba", "lugar de mulher é na cozinha" e por aí vai.
Nem tudo está perdido, eu gosto de pensar e acredito que a próxima geração viverá em um mundo menos intolerante. Como eu já disse, eu vejo o copo meio cheio. Estamos nessa eterna transição de pensamento e comportamento, levando tiro porrada e bomba. Estamos evoluindo para que todos lá na frente sejamos reconhecidos por aquilo que somos: iguais. 


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