18 de maio de 2015

Cobain: Montage of Heck

Eu não sou a maior entendedora de Nirvana e nem a maior fã, mas o peso das letras me atinge de forma certeira. Quase não ouço porque na maioria das vezes me dá uma bad tremenda. Nunca vou esquecer de como eu conheci a música do Nirvana e a história deles, em específico, do Kurt Cobain. Era 1998 e estava na sexta série do ensino fundamental. Como toda boa geminiana, eu era cheia das paixões platônicas e tinha um menino da sétima série que eu achava incrivelmente interessante. Sempre observava o Renan de longe, com a sua camiseta xadrez, calça duas vezes maior que ele, aquele visual grunge dos anos 90. Ele acabou ficando com uma das minhas amigas na época e isso acabou me aproximando aos poucos dele. Lembro que durante uma semana o Renan foi todo vestido de preto pra escola, achei WTF, dai a minha amiga disse que estava de luto por causa do Kurt Cobain. Eu lembro de ter falado "Ahh, o Kurt" achando que era algum AMIGO dele hahahaa. PEQUENAS HUMILHAÇÕES DA VIDA, mas dá um desconto que eu era novinha. O Renan ficou indignado quando, mais tarde, descobriu que eu não sabia quem era Kurt e nem Nirvana. Só sei que ele tinha ido na casa da minha amiga pra ficar com ela, mas passou a tarde toda comigo falando da banda, me explicando tudo. Mais tarde ele me emprestou uma mixtape do Nirvana e dai, pronto, fez-se a luz. 
De volta pra 2015, eu estava bem curiosa pra assistir esse documentário do Kurt, porque a premissa era diferente. Cobain sempre me fascinou, no sentido de ser humano e não do rock star/porta-voz de uma geração (cujo título ele detestava). E esse documentário, olha, não sei nem como explicar. Só falo pra vocês assistirem!
Ao assistir Montage of Heck me senti como se tivesse lendo o diário do Kurt. Todo o processo criativo dele, rabiscos das letras e composição, contabilidade pra comprar instrumentos/cordas/pedais, desenhos MIL, pensamentos. Tudo ali exposto e fichado de uma maneira belíssima. Os desenhos do Kurt se tornam animações que acompanham o filme todo, fizeram um trabalho tão lindo, sensível e compatível com o Kurt que se ele estivesse vivo, teria aprovado e gostado do resultado.



Além das animações belíssimas, o documentário junta várias filmagens da infância, dos primeiros shows do Nirvana, mostra a intimidade do casal Love + Cobain e a filha deles, um cover inusitado de Beatles na voz do Kurt. Teve uma cena me me chocou bastante, Kurt estava muito chapado de heroína e ele tentava interagir com a Frances mas não conseguia. Olha, é avassalador!
Única coisa que ficou faltando, na minha opinião, foi o Dave Grohl. Não tem depoimento dele nem nada, o que é uma pena. Não compromete o documentário, mas você como telespectador sente a falta do Dave.



Eu ainda estou meio melancólica depois de ter assistido. Kurt tinha uma alma bonita, queria fazer coisas boas, sofreu um bocado na pré-adolescência e infância, era um cara sensível. E a depressão junto com as drogas e o sucesso estratosférico, deu no que deu. É triste porque eu acho que ele ainda tinha tantas coisas boas pra compartilhar, mas a vida e o peso da sua música se tornou insuportável e maior que ele. Nem sei se chegou a estrear nos cinemas aqui no Brasil, mas fiz o download pelo Melhor da Telona. Vale a pena assistir e tentar compreender Kurt Cobain como um todo. 

Um comentário:

cris disse...

Tu faz parecer mais simples tido. Adoro tuas resenhas. Dá vontade de assistir. Tu és uma fofa.