19 de setembro de 2014

Todo dia, David Levithan

Faz tempo que não falo das minhas leituras por aqui... Desde agosto eu não pego em um livro por causa da ressaca literária (acontece de vez em quando) e também porque estou vendo vários seriados, daí, não consigo conciliar tantas coisas ao mesmo tempo. 



Decidi quebrar esse jejum com essa história LINDA que David Levithan escreveu. Eu chorei largado, mandei áudio para as amigas no whatsapp que não conseguia nem falar direito. 
O narrador dessa história se chama A. Não sabemos se é menino, ou menina, é simplesmente A, sem gênero. Cada dia de sua vida A. acorda num corpo diferente, vivendo a rotina dessa pessoa por um dia inteiro. Um dia ele acorda no corpo de uma garota depressiva, depois ele é um nerd da escola, depois acorda na vida de um garoto gay, depois da menina mais popular da escola... 

“Não sei como isso funciona, nem o porquê. Parei de tentar entender há muito tempo. Nunca vou compreender, não mais do que qualquer pessoa normal entenderá a própria existência. Depois de algum tempo é preciso aceitar o fato de que você simplesmente existe” 

Sempre foi assim, desde que ele (ou ela) se lembra e ele achava que todo mundo era assim, até que percebeu que essa mudança de corpos só acontecia com ele. A. procura não interferir e nem se apegar na vida da pessoa em que ocupa o corpo, apenas segue o fluxo e aprende o que tem que aprender com aquela situação. Até que A., numa dessas indas e vindas, ele acorda no corpo de um garoto chamado Justin e acaba se apaixonado pela namorada de Justin chamada Rhiannon
Quando Rhiannon aparece tudo muda e A. acaba quebrando suas regras, de não interferir, de não se apegar e se joga nessa emoção toda. Agora pensa comigo, estar com a pessoa que gostamos todos os dias é complicado, imagine se você acorda num corpo diferente? Em uma outra vida, do outro lado da cidade? Um dia você acorda Maria e outro João. Como fazer o outro perceber que seu corpo pode ser outro, mas sua essência, o seu EU, é o mesmo? 

"Eu sempre fico impressionado com pessoas que sabem que algo está errado  mas ainda insistem em ignorar, como se isso, de alguma forma, fizesse com que os problemas desaparecessem. Elas se poupam do confronto, mas terminam ressentidas de qualquer maneira"


Esse livro põe em evidência tantas coisas, a questão do gênero: é importante mesmo quando trata-se de amor? Se é homem, se é mulher, sabe? Te confronta. Te joga na cara esses padrões todos da sociedade, preconceitos, te causa empatia. Todo Dia me mostrou que muitas vezes as coisas não precisam ter explicação, os nossos sentimentos não precisam sem classificados e categorizados. Você apenas sente e vive e escolhe e segue. 
Apesar desse livro ser classificado como young adult, eu achei a temática dele bem profunda, tipo, filosófica mesmo, sabe? Serve para todas as idades. Me fez refletir sobre tantas coisas. E o final... olha, o final do livro é uma das coisas mais bonitas que eu já li. A gente fala tanto sobre amor, lê tantas as coisas sobre O QUE É AMAR e blábláblá, a história de A. fez uma ~atualização~ do meu conceito sobre amor: sem egoísmo, puro e simplesmente. Sério, eu amei esse. Vou compra uns 15 exemplares e sair distribuindo por aí. Leiam.

"Na minha experiência, desejo é desejo, amor é amor. Nunca me apaixonei por um gênero. Apaixonei-me por indivíduos. Sei que é difícil as pessoas fazerem isso, mas não entendo por que é tão complicado quando é tão óbvio."

2 comentários:

raquel a. disse...

Eu também achei maravilhoso. O final é uma porrada, David Levitham tem me surpreendido com tantos livros incríveis, A. nos ensina tanta coisa, né? Só de lembrar já fico emocionada por aqui...

PS: te indiquei em um ~award~ no blog! Vai lá ver depois!

Laura Souza disse...

Lindo mesmo. Fala de amor, identidade, vícios... muita coisa interessante. E o final.. perfeito.