27 de junho de 2014

Sobre inveja, redes sociais e fotos de viagem

Ontem esse vídeo viralizou no Facebook. Se você não viu, veja:



Esse tipo de coisa me irrita um pouco, sabe? "As pessoas são todas felizes no Facebook" e "a vida artificial do Instagram" e blábláblá. Será que a maioria das pessoas mesmo tão vivendo em função de CRIAR ASSUNTO pra postar no Facebook? Será que a nossa existência tá se resumindo a isso? Estou pensando em muitas coisas agora enquanto escrevo e vamos ver se consigo me expressar direito.
O vídeo faz uma crítica a superficialidade e como podemos manipular o nosso dia-a-dia boring em coisas do tipo SUPER LEGAIS MEU DEUS DO CÉU ESTOU BOMBANDO nas redes sociais. Eu não sei se meu círculo de amigos é tão excepcional assim (talvez seja hahaha) mas não acredito que meus amigos estão querendo ostentar uma realidade que não existe. O que eu acho é que tem muita gente se deixa morder pelo bichinho da inveja.




É até ruim colocar toda a culpa no sentimento INVEJA, que foi banalizado de uns tempos pra cá. Qualquer coisa que acontece, alguém já escreve em letras maiúsculas "ISSO TUDO AÍ É INVEJA". Eu acho que antes da gente se sentir infeliz porque o amigo tá postando foto uma selfie Times Square, camelos na pirâmides do Egito, uma plantação de tulipas na Holanda ou aquele pé na areia básico na praia, temos que pensar o que eu DEIXEI de FAZER para ESTAR LÁ. É muito fácil deixar se levar pelo sentimento de "todo mundo viajando menos eu", mas, sério, eu não tenho o direito de me sentir infeliz porque algum amigo meu efetivamente correu atrás do que queria e conseguiu viajar. Eu guardei dinheiro? Tirei passaporte? Corri atrás de visto? Me programei? Não. Então pronto. Tá aí a resposta pra tudo. Isso que me irrita demais! As pessoas sempre colocam a culpa no outro pelos seus fracassos e desleixos. O problema é meu se todo mundo saiu na sexta-feira à noite e eu fiquei em casa. Foi uma escolha MINHA. As pessoas tem o direito de se divertir, tem o direito de se relacionar, de expressar esse momento de felicidade. Meu sonho é ir pra Nova Iorque. Toda vez que começa o ano eu falo AGORA VAI, mas, de verdade, eu acabo não colocando como prioridade e eu tenho que lidar com isso.
Não me cabe aqui ficar medindo a felicidade ou infelicidade alheia. É normal ter inveja de alguma coisa, é normal se sentir carente, é normal a gente revirar os olhos para uma declaração melosa no facebook de um casal que tá completando 1 semana de namoro. O que não é normal é se alimentar de todos os sentimentos, de se sentir infeliz porque alguém conseguiu um namorado, porque o outro mudou de emprego e sei lá quem está correndo a décima maratona. Vai atrás e pára de reclamar e de se sentir pequeno atrás da tela do celular. Ergue essa cabeça, mete o pé e vai na fé.
Teve uma vez, no ano passado, que uma conhecida minha virou gerente de hospedagem de um hotel x. Eu vi aquilo e fiquei indignada. NOSSA, MAS FULANA VIROU GERENTE E EU AQUI ATENDENDO TELEFONE. MEU DEUS, TÁ TUDO ERRADO. Só que... eu quero, verdadeiramente, virar gerente de hotel? NÃO. Eu procurei alguma especialização na minha profissão? Eu gosto de Hotelaria? Na flor do sentimento, eu esqueci quais foram as minhas prioridades e os meus desejos. A gente se engana mesmo. E daí, eu fiquei feliz. Mas feliz de verdade. PORRA, FULANA VIROU GERENTE DE HOSPEDAGEM, ELA SEMPRE QUIS ISSO.
As redes sociais pra mim, antes de mais nada, servem para eu compartilhar as coisas com os meus amigos. Eu gosto de falar do livro que tô lendo, de postar o #batomemexcesso, um vídeo de pegadinha, de reclamar no trânsito da zona sul. Gosto quando algum amigo mais engajado fala algo sobre política, quando alguém posta algo de decoração ou compartilha fotos de maratona. Isso pra mim não é ruim, é a vida da gente, a vida das pessoas que são próximas, fisicamente ou não. Eventualmente tem chorume, tem coisas que discordo e que torço o nariz, mas as pessoas são diferentes e se todo mundo for igual, qual é a graça? 
Se alguém se identificou com esse vídeo, tá na hora de mudar. De viver a sua vida pra você. De resolver seus problemas, de assumir as suas escolhas e dar prioridade e parar de sofrer porque o outro casou e você não. Eu não vivo assim. Eu não sou 100% do tempo feliz e também não estou 100% no trânsito da zona sul hahaahhaa todo mundo tem seus momentos de tédio, seus momentos de comida congelada e de tomar um drink no Spot. A questão é o quanto você se empenha pra viver a vida do seu jeito, não dos jeito que você ACHA que os OUTROS devem ver.

7 comentários:

Valéria Alvarenga (Mrs.Darcy) disse...

Gostei!

Carlinha Salgueiro disse...

Concordo contigo.
Tenho Flickr pra eu mesma ficar olhando anos depois.
Compartilho minhas fotos porque sei, antes de tudo, que minha mãe e meu pai adoram ver que estou me divertindo.
Compartilho para marcar momentos da vida.
Fico feliz se os amigos curtem? OPA! Claro!
Mas isto não é, definitivamente, objetivo máximo da vida (às vezes até me arrependo de não ter fotografado tanto enquanto curtia pra relembrar depois e mostrar pros netos)!
Ao mesmo tempo que gosto de compartilhar felicidade também fico feliz de ver que a Camila querida ganhou dois batons desejos pra usar em excesso de amigos maravilhosos que ela tem! Que bom!
De ver a mamãe linda do Facebook feliz com a foto com sua filhinha trazendo uma cota de fofurice pro meu dia.
Fico feliz de ver a outra amiga que mudou de emprego, que pintou um quadro e também que correu uma maratona.
Fico feliz pela amiga que quis emagrecer e conseguiu, fico feliz pela amiga que sabe que é linda mesmo não sendo padrão anorexia e luta lindamente pra abrir a mente da galera!
Fico tão feliz pelo sucesso de pessoas, que clico em posts de amigas blogueiras com a hastag #ad
para ajuda-las a engajar e a mostrar que dá pra ganhar dinheiro com coisa bonita e prazer.
Sei que tem horas que devemos usar as redes sociais para denunciar (mas não devemos esperar que com isto "cheguem as autoridades", porque aí é babaquice demais).
Mas se a gente pode pintar uma timeline de momentos felizes pra misturar com os momentos felizes dos amigos que temos, por que não, né?
E mais uma vez, concordo que se alguém vive pra ter uma vida fingida só pra ter likes: que triste!
Amo que a internet me aproxima de pessoas e adoro participar dos momentos felizes delas, mesmo que virtualmente. E não, não acho que meus amigos fingem felicidade apenas para ter likes!
Te admiro muito, menina Camila! <3

Franciele Agnoletto disse...

Sempre pensava algumas coisas assim, mas referentes à trabalho e emprego... me dei conta de que o raciocínio é o mesmo. O sucesso do colega não significa que eu fracassei e a felicidade dos meus amigos não significa, como consequência, que sou infeliz. Dá pra dois, três colegas serem bem sucedidos na mesma profissão e ambiente, e nós podemos ser felizes, todos ao mesmo tempo... ninguém disse que o sol nasce pra uma pessoa por vez né? Abraços.

Érika Gibaja disse...

Clap, clap, clap...

Acho que vou escrever um blog para desabafar. Parece bom.

Mulher Vitrola disse...

Até que enfim alguém fez um post decente acerca do assunto desse vídeo. Oras. Sei lá, mas se eu posto só "coisas boas", minha vida pode ser uma bosta... mas pode ser boa de verdade, oras! Ou minha visão sobre ela... mas enfim, que mal há nisso? Não entendo.

Assino total embaixo de tudo que disse. Maravilhoso!

Um beijo,
Re

Regiane disse...

ADOREI seu post!!!!!!!

Você fala/escreve muito bem. Conseguiu expressar muita coisas que eu tb acho. Invejinha sempre acontece, mas tem muita gente vivendo de Likes no Facebook!!!!!

Beijocas!!!!!

Gigi Loop disse...

Falou tudo que eu penso e mais um pouco! E isso mesmo...muita acredita em milagre, que as coisas caem na cabeca delas. Vai perguntar a moca que foi promovida, quantas horas extras, dedicacao ela colocou para ser promovida?

Gostei mesmo!