7 de maio de 2014

Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver

Depois de ler vários romances vi que estava na hora de tirar algo tiro, porrada e bomba da minha estante. O livro escolhido foi "Precisamos falar sobre o Kevin" do fundo da estante, tava lá me esperando desde 2011 (acho). Agora (infelizmente) acredito que só tenha o livro pra vender com a capa do filme. A capa original é maravilhosa. E não leiam a sinopse da Intrínseca que tem um puta spoiler lá (na minha opinião). 


Acho que todo mundo já sabe mais ou menos do que se trata esse thriller, não? A história do adolescente Kevin que mata uma série de pessoas na escola. Algumas pessoas me perguntaram se o livro é baseado em fatos reais. Olha, mais ou menos, né... Não existiu, de fato, um garoto chamado Kevin Kachadorian, mas existiram tantos outros que autora cita durante a história.
Vamos lá, o livro é narrado de forma epistolar. AMO! São cartas de Eva para o marido ausente, contanto como está sua vida após o massacre daquela quinta-feira... A história é bem densa, demorei mais que o normal pra ler esse livro. Eva Kachadorian era uma verdadeira globe-trotter, autora e editora de um famoso guia de viagens para mochileiros. O guia escrito por ela tornou-se referência porque Eva é muito meticulosa e transparente em suas avaliações de restaurantes, meio de transporte, pousadas etc. Tem verdadeira paixão por viagens e esse espírito de se aventurar e tudo mais. Bom, ela conhece o BANANA (hahaha) Franklin Plaskett, se casam e vivem num amor loucamente. Eva vai percebendo que Franklin quer ter muito um filho, ele gosta de crianças e tudo mais. Como ela é apaixonadíssima pelo marido, meio que resolve ter esse filho. O engraçado é que no começo eu achei que Eva queria um filho mais por um acessório, tipo, via os casais dos seus amigos com filhos e pensava “puxa, até que um filho ficaria bem no canto da minha sala” hahahaa juro. Daí, ela acaba decidindo ficar grávida para agradar o marido e, no minuto que ela engravida, ela muda de ideia. Percebe que ela não é do tipo maternal, que um filho seria loucura, e a sua carreira, seus livros, sua editora? Poooooois é. Ela fica grávida e o (panaca) do marido dela priva Eva de várias coisas, insiste em uma alimentação diferente, "mimimi você não pode dançar, e o bebê?" e isso vai matando Eva aos poucos. Eis que nasce o rebento e o descanso dela acaba de vez. Ele chora demais, desde o momento que a médica coloca Kevin em seu colo pra dar de mamar, Eva sente uma estranheza, Kevin recusa o leite do peito e daí é ladeira abaixo. Algumas coisas acontecem que eu não vou falar aqui, mas Eva acaba abdicando de tudo pra criar o filho com toda a atenção devida. Adeus Mundo, olá Fraldas! Olá, Maridinho! 
Nós não sabemos como Kevin matou as 11 pessoas, mas sabemos que está preso e Eva ainda vai visitá-lo na cadeia. Em cada carta Eva vai mostrando como a sua vida era antes de Kevin, como as coisas foram desconstruindo, desde seu trabalho, sua relação com o marido. É bem triste.
O interessante dessa história é: a mãe é culpada pelo filho ter matado meio mundo? Ela realmente fez tudo o que pode pelo filho? O filho ficou assim por causa da sua rejeição na gravidez? Quem é o culpado?
Minha opinião é que, no primeiro momento parece uma cisma + depressão pós-parto de Eva, mas, desde o começo, ela rejeitou Kevin, ainda na sua barriga. Eva admite isso. E o Kevin fazia de um TUDO pra chamar a atenção dessa mãe, desde criança até a adolescência. E o pai? O pai NUNCA acreditava na mãe, nunca levou a sério os relatos da Eva, tem uma hora que ela abre mão de falar do comportamento estranho de Kevin, porque ela sabe que o marido não vai levar a sério. E o menino de fato tinha problemas sérios, tanto é que deu no que deu... 
Gostei bastante da leitura, lá pro meio do livro você fica presa na narrativa. O final é surpreendente, apesar da gente saber mais ou menos como termina. E a última carta quase que partiu meu coração. Achei bonito e bem condizente. O filme é legal, mas MUITA COISA fica de fora, principalmente a relação mãe e filho que é retratada. Só Eva conhecia o verdadeiro Kevin e só Kevin conhecia bem Eva. Achei foda. Leiam.  

Um comentário:

Livre Espontanea Leitura disse...

Oi Cami!
Descobri seu blog hoje e achei um máximo!
Já tinha ouvido falar de Precisamos falar sobre o Kevin, mas nao sabia que existia um livro sobre.
Achei que era só filme... Que eu só vi o trailer, por sinal. Ainda bem, né? Porque depois de sua resenha, fiquei com vontade de ler o livro!
Parece ser uma leitura bem pesada...


Beijos!
Juliana
livreeespontanealeitura.blogspot.com