14 de abril de 2014

Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, Nelson Motta

Esse livro é cheio de historinhas pra mim. 

- No ano novo de 2009 para 2010, eu estava na praia com a minha família e conversando de livros com a minha prima Mariana. E ela me havia me perguntando se eu já tinha lido essa biografia do Tim Maia, que era muito boa e que eu ia gostar, já que era fã do Tim. Arquivei a recomendação da Mariana.

- Passei dois anos ensaiando a comprar desse livro. Primeiro, tava muito caro. Depois, tinha esgotado na editora e não achava em lugar nenhum. GRRRRR! Minha vida é 8 ou 80, sempre.



- Nunca tinha lido uma biografia NA VIDA. Comecei a ler o livro bem devagarinho em 2012. Dai, meu pai morreu. E tudotudotudotudotudo que é relacionado a Tim Maia na minha vida, tem haver com meu pai. Foi com ele que comecei a gostar das músicas do Tim, desde as mais conhecidas e até a fase racional. É uma herança musical muito forte na minha vida, então, eu não consegua nem pensar em TIM MAIA, muito menos ler alguma coisa relacionada. Acho que essa fase do luto é a pior de todas. É uma dor enorme e as pessoas não entendem muito bem e toda vez que tocava alguma música em festa de família, eu queria fugir para as montanhas (ou explodir o auto falante). Mas passou, dai, decidi acabar logo e terminar a leitura. O mais curioso (pelo menos pra mim), é que acabei lendo esse livro lá na praia, onde a Mari, há 4 anos tinha me recomendado :)

O que dizer de Sebastião Rodrigues Maia, esse cara que conheci pouco mas já considero pakas? Hahahaha! :P A história do Tim não é conto de fadas, a gente sabe muito bem como acaba (e me deu um aperto no coração quando eu terminei de ler), mas é uma ótima lição de vida. Ele começou a trabalhar desde pequeno vendendo marmita, mas o seu negócio sempre foi música e foi uma loooonga trajetória até ele conseguir reconhecimento. Nelson Motta conta um monte de causos, inclusive que Tim Maia ensinou o Erasmo Carlos a tocar violão e outras fofocas da música popular brasileira. No começo demorei pra me acostumar com o ritmo do livro, porque Ô Nelsomotta (haha) vai jogando vários dados da música brasileira, nome de músico, de compositor, disso e daquilo e você meio que se perde no meio de tanta informação. Essa foi a minha maior dificuldade, viu. Mas depois eu peguei o embalo. As histórias são ótimas, aquela que o Tim vai torrar unzinho em um tipo de quarto da ventilação do estúdio (não me lembro agora o nome do lugar) e o cheio da marofa invade toooooooodo o estúdio hahaha. Quando ele berrava "estratégia" pra banda, dando sinal pra ir embora porque não ia ter mais show (independendo o motivo), das multas de trânsito e apreensões de carro que escapou dando carteirada falando que era o TIM MAIA DO BRASIL e tome aqui meu LP. A facilidade com que fazia amigos, como convencia os músicos a trabalhar pra ele, mesmo não sabendo quando teria pagamento. O consumo de drogas adoidado, as paranóias, os relacionamentos amorosos que ele sofria de amor, mas também fazia a mulherada sofrer a beça.
O que aprendi com esse livro? O Tim correu atrás dos sonhos dele, sempre. Ele sabia que tinha talento, que sua voz era totalmente diferente do que havia na cena musical brasileira, e com o carisma dele, foi conquistando as coisas e gerenciando a sua carreia.
Tim Maia era muito autoral, montou a sua própria gravadora, editava seus lps e não deixava ninguém ganhar dinheiro em cima das suas composições. Se ele lutou e trabalhou por tudo aquilo, ele tinha que ganhar por tudo, sem a gravadora mandando ele fazer o que ele não queria. Tim presava muito a liberdade, gostava de fazer as coisas do seu jeito, seja na carreia musical e na vida pessoal.
De todas as histórias, os altos e baixos, o que mais me marcou foi a força que ele tinha em si mesmo, de acreditar no seu trabalho, de meter as caras e ser cara de pau, de conseguir transformar coisas ruins em ruins. "Azul da cor do mar" foi composta quando ele tava na maior merda, não pegava mulher nenhuma, seus amigos Roberto e Erasmo Carlos bombando, e ele lá, morando de favor em um quartinho não sei a onde, escutando os outros festejarem e ele ali na maior depressão. Isso pra mim é inspirador. "Azul da cor do mar" é uma das músicas mais famosas dele e todo mundo sabe cantar. E ele tá mais do que certo quando disse que "na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri". QUEM NUNCA?
Não concordo com tudo o que ele fez em vida, Tim tinha inúmeros defeitos (machista, autoritário, mentiroso), mas não dá pra odiar ele, não consigo e nem quero. Todas as músicas, a contribuição que ele teve na música brasileira, introduzindo a soul music (MÚSICA DE PRETO, como ele gostava de falar, hahaha) numa época que o país só queria saber de bossa nova (ZZZzZzzZZZZz). Trabalhou com os melhores músicos da época, a banda Vitória Régia era impecável (AQUELES METAIS, PELO AMOR DE DEUS), ele era dono do próprio trabalho e tinha autonomia sobre tudo. Enfim, vale a pena a leitura.
Obrigada Mari, pela recomendação. Quem tiver a oportunidade de ler, por favor, leia. Ame ou odeie, mas Tim Maia foi um artista brasileiro que pensava fora da caixinha e via as coisas bem adiante do seu tempo. 



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