5 de novembro de 2013

What now?

Eu sou muito devagar quando a decisão trata-se da minha vida pessoal. Eu demoro pra decidir as coisas. Não sei se eu demoro porque sou indecisa demais, ou se eu sou medrosa mesmo. Ou talvez os dois. Eu sempre estou em dúvida. Eu penso mil vezes quando tomo uma decisão e mais mil vezes pensando nas consequências. VOU? NUM VOU? É MELHOR ISSO? OU É MELHOR AQUILO?



Eu demorei seis meses pra pedir demissão de um emprego que não tava curtindo mais. Eu sentava todos os dias no computador e prolongava uma coisa que não tava mais dando. Dai o corpo começou a dar sinais de fogo, que eu deveria mudar as coisas. Mas eu sou teimosa. Aguenta mais um pouco, as coisas vão melhorar e o sol vai surgir. PFFFFFFFFF. Foram crises de labirintite, um resfriado em cima do outro. Não tinha mais pique de sair, de ver ninguém, sempre doente, sempre vivendo no modo zumbi. Comecei a procurar outras coisas na minha área, e tava tudo a mesma merda. Foi quando eu passei a não dormir mais, eu que sempre dormi tão bem, não dormia direito. De domingo era terrível, eu já acordava na pira de que tinha que ir trabalhar na segunda-feira e tudo que eu queria era ficar em casa. Três da manhã eu estava acordada sem consegui dormir sendo que o despertador tocava as cinco e meia. Eu estava no limite. Pedi as contas. 



Deu um alívio e, ainda sim, a empresa não liberou do aviso prévio e tive que cumprir mais trinta dias. Ao contrário de que todo mundo falava para eu fazer, eu continuei trabalhando lindamente até o ultimo dia. Até a última gota. Fazem 3 meses que estou desempregada e, desde então, nunca mais fiquei doente. Nunca mais tive crise de labirintite, até a rinite deu uma melhorada. Tô vivendo. Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós! 



E agora as perguntas são outras. E agora, Camila? O que você vai fazer da sua vida? Não sei direto, velho. E da um puta desespero. Os 27 anos tão batendo forte aqui. Gente com a minha idade que já tá com a vida resolvida. Um bom emprego, um punhado de amigos, terminando a pós graduação e pensando em um mestrado. E eu tô aqui, desempregada, brincando de casinha fazendo comida pra minha família, lavando umas roupas, olhando o movimento da rua, pensando na vida... Pensando como vou dar o próximo passo pra mudar tudo e descobrir o que eu tenho que realmente fazer pra tudo se ajeitar.
E agora.
Eu gosto de escrever e dar minha opinião, de falar sobre livros, sobre a minha vida e das coisas que eu vejo por aí . Eu gosto de falar com os dedos, de teclar e compartilhar os meus pensamentos. É disso que eu gosto e de que quero viver. Eu espero conseguir. Ainda não sei como, mas espero não demorar muito pra achar essa resposta.


3 comentários:

Mayra disse...

Estamos na mesma. Mas ando percebendo, olhando, observando e descobrindo que não tem muito isso de "achei a vida que eu queria viver". É ir vivendo. Ir fazendo. Ter dias que a gente quer ter. Só dias, um atrás do outro, e ir vivendo.

A ditadura da realização pessoal, sucesso financeiro, das fotos de tumblr, da positividade de facebook e felicidade sem limites e sem freio deixa a gente com perspectivas totalmente cruéis e surreais sobre a vida real.

De qualquer modo, eu também não tenho a menor idéia do que estou fazendo da minha vida. Talvez nunca tenha. Acho que ninguém tem.

Mirian Soares disse...

Também estou nesse barco, Cami. Ando tão de saco cheio do meu serviço que estou quase pirando. Mudar de rota é complicado e estou estagnada sem saber o que fazer.
Sorte para nós.
bjos

Laura Souza disse...

Olha Camila eu pedi demissão depois de 1 mês e meio. Simplesmente aproveitei um auê, que um rolou uma briga e o povo tava indo no RH e fiu junto. Expliquei que estava começando a sentir aquela ansiedade e que hoje me sentia a melhor funcionária, mas que com aquele sentimento não seria assim por muito tempo. Fui embora, meu chefe pediu para que eu retornasse mas eu pensei: Bem estar em primeiro lugar. E sobre a idade eu aqui com 31 indo para os 32 sem experiência nenhuma de vida. Mais do que construir coisas que claro são realmente importantes, ter casa, carro e uma profissão o essencial é viver. Experimentar a vida. Afinal quanto tempo temos. Recomendo um dorama muito legal chama "um litro de lágrimas" parece melodramático mas é uma novela japonesa baseada numa história real. Muda realmente como encaramos nossa vida.
Abraços