22 de dezembro de 2012

História de O, Pauline Réage

Esta leitura é uma indicação da Tatiana Feltrin. Ela fala um pouco sobre o livro naquele vídeo sobre o Cinquenta Tons de Cinza. Fiquei curiosa na época, mas a preguiça de procurar em .pdf (odeio ler no computador e não tenho tablet muito menos kindle) falou mais alto e a indicação ficou arquivada. Passeando um dias destes na Cultura achei sem querer querendo esta belezinha. Resolveram relançar, porque eu já tinha procurado pra vender por aí e estava esgotado nas editora. Enfim, que livro
É sempre bem mais difícil falar sobre um livro que você gostou e saboreou a leitura até as últimas palavras. 

"Deitada sobre o lado esquerdo, sozinha, no escuro e no silêncio, aquecida entre o forro e a coberta, e sem poder se mexer, O se perguntava por que sentia tanta doçura se misturando ao terror, ou por que o terror lhe era tão doce". 

A narrativa começa quando O é levada para um castelo pelo seu atual amante René. Chegando no castelo, descobrimos que ali existe essa sociedade sadomasoquista, daquelas que os cavalheiros levam uma mulher, que são usadas como escravas sexuais. Tenso? Pois é. A escrita é bem direta, mas em nenhum momento ofende o leitor. Lembram, quando falei sobre Toda Sua e fiquei com nojo do personagem principal, porque tudo era descrito de uma forma tão porca e vulgar. Isso não acontece em História de O. São descritas várias coisas e cenários do mundo sadomasoquista, do todo jeito que você imagina, mas tudo é colocado de uma forma sem ser vulgar. 

"Você confunde amor com obediência. Você vai me obedecer sem me amar, e sem que eu te ame". 

Mas, voltando ao que interessa, lá neste castelo, O passa por um monte de coisas e o tempo todo eu me perguntada o porquê dela se sujeitar tudo aquilo. No decorrer da leitura, eu passei a compreender melhor todo aquele universo, de prazer com a dor. O que me tocou mais foi todo o psicológico que a autora retrata. Abrir este livro foi como entrar em um quarto escuro, de primeira você não enxerga nada, não entende e não sabe o que está acontecendo, até que seus olhos se acostumam com o escuro e você percebe as coisas. Foi tipo isso! Conhecemos a personagem, as suas vontades, a relação que ela tem com os seus mestres, como ela se sente feliz de estar ali, entregue de todas as formas possíveis. Sei que parece loucura dizer isso, porque O, acima de tudo é uma submissa, mas tem muito feminismo nisso tudo. A partir do momento que O se assume como SIM, EU GOSTO DE SER TOMADA POR VÁRIOS HOMENS. SIM, EU GOSTO DE SENTIR PRAZER DESTA FORMA. SIM, ESTE É MEU CORPO E SOU ME SINTO BEM ASSIM, é fantástico. Lógico que ela não fala dessa forma, mas você percebe como ela mudou. E tudo é TÃO bem escrito, tão poético, que puta que pariu. Eu achei foda demais. 

"(...) ela podia recusar, nada prendia a sua escravidão, a não ser o seu amor e sua própria escravidão".

Outra coisa legal é que a autora Pauline Réage descreve todos os figurinos das personagens femininas, com os mínimos detalhes. É um capricho e O anda numa estica de fazer qualquer it blogueira chorar de inveja hahaha.Vou dar alguns spoilers agora, porque eu não resisto e PRECISO compartilhar. Não é nada que comprometa a leitura, mas se você não curte spoiler, fica avisado.

Quando René a leva para o tal castelo, ele tem que abrir mão dela, né? Dai achei esse quote bastante interessante.

"Ele não queria se separar dela. Quanto mais a entregasse mais ela pertencia a ele. O fato de oferecê-la era mais uma prova , e devia ser para ela também, de que ela lhe pertencia; só se pode dar aquilo que se tem".

Mais pra frente, René decide entregar O para Sir Stephen, que é meio-irmão de René. A relação entre os dois (nada de sexual) é bem interessante também. Enfim, esse Sir Stephen é o pica das galáxias e quando O começa a conviver com esse novo mestre as coisas começam realmente acontecer. Segue uma passagem que achei bem interessante

"(...) sua boca foi aberta pela língua de Sir Stephen, e ela gemeu de felicidade e entrega. Os bicos dos seus seios endureceram na mão de Sir Stephan. Com a outra mão, ele remexia tão brutalmente o seu sexo que ela pensou que fosse desmaiar. Será que algum dia ela teria coragem de dizer a ele que nenhum prazer, nenhuma alegria, nenhuma imaginação, aproximava-se dessa felicidade proporcionada pela liberdade com a qual ele a usava, vinda do fato de que ele sabia que com ela não havia nenhuma precaução a tomar, nenhum limite à maneira pela qual ele podia buscar o prazer no corpo dela? "

FIM DOS SPOILERS.

Achei interessante a história, me cativou mesmo essa loucura toda, dessa forma de amar tão diferente.  Depois compreendi e achei bonito. E pensar que isso foi escrito em 1954! Imagine como isso foi na época. Um escândalo. O livro tornou-se um clássico, recomendo fortemente a leitura. Nem que depois você compre e ache ruim, venha aqui me xingar haha quero saber a sua opinião. Ah, o prefácio ter spoiler enorme, então, leia o livro e depois leia o prefácio. 
Comprei História de O na Livraria Cultura por R$46,20. Acabei de ver que aumentou um pouco, mas super vale a pena. 


4 comentários:

Laura disse...

Oi Cami, adoro suas resenhas! Sempre fico querendo ler suas recomendações.
Agora estou lendo Divergente e adorando! Pena que vai demorar tanto para sair o segundo livro.

Eu já me acostumei a ler pelo notebook. Também não gostava, mas um dia faltou luz aqui em casa e nada de voltar. Lembrei que tinha um livro no computador e comecei a ler. Hoje já li vários, mas com certeza não é mesma coisa de ter o livro na mão.
Bjs!

Unknown disse...

Olá,

Bem, visito seu blog faz tempo, desde o mão feita.
Me identifico e dou mta risada com vc.
Boas festas e um otimo ano novo.

.laurel. disse...

Há séculos procuro esse livro e não acho. Fui em sebo, livrarias, tudo... e quase ninguém conhece ele. E agora que li seu post me deu mais vontade ainda de lê-lo.

Mirian Soares disse...

Cami, na próxima vez que eu for pra Sampa eu quero encontrinho contigo lá na Cultura da Paulista... kkkkkk!!!
Bjokas!!!