27 de agosto de 2012

Sobre ser Forte

Eu lembro no velório do meu pai uma porção de familiares batiam no meu ombro e diziam "É, Camila, você precisa ser forte". Eu acho que escutei aquilo mais de duzentas vezes naquele dia. "Você precisa ser forte por causa da sua mãe" e variações do tipo. 
Mas o que é ~SER FORTE~? Ser forte é engolir o choro? É falar que está tudo bem quando não está? Estou sendo forte em tocar a minha vida em diante? Ser forte é isso, continuar? Estou pensando nisso tem um tempo. Sobre ser FORTE



Na minha concepção, ser forte é fazer as coisas quando você não tem a menor vontade de fazer nada. Será que é isso que as pessoas queriam me dizer? Porque preciso ser forte por causa da minha mãe. Na boa? Minha mãe mais me ajudou no primeiro mês do falecimento do meu pai do que eu a ela. Eu chorei muito. Desde o momento em que o hospital ligou, lembro que estava na fila pra pagar o estacionamento do shopping eu eu CHORAVA EM CAPS LOCK e as pessoas me olhando e perguntando o que tinha acontecido e eu não conseguia falar mais nada. 
Eu queria ser a minha mãe, sabe. Ela sim enfrenta as coisas. Sinceramente? Não sei de onde minha mãe tira vontade de fazer uma série de coisas que ela faz. Tipo trabalhar, tipo se arrumar toda pra ir pra quimioterapia, tipo fazer planos de comprar um carro, vender a nossa casa e comprar um apartamento. Não sei como ela aguenta ir trabalhar com dor de estômago, com ânsia de vômito, com tontura, com a boca seca, com dor de barriga, com as costas doendo, com sono. Eu acho que isso é ter força. A força que todo mundo fala pra eu ter e eu não tenho nem 1% disso. 



Por enquanto eu estou só caminhando. Preciso apontar uma direção e falar É ALI QUE VOU CHEGAR. Mas quando você caminha, só está andando, não está indo para algum lugar. É foda. Os meus 27 anos nem chegaram e já estou em crise. Pensando nas coisas que eu não fiz, no dinheiro que não consigo guardar, que muita gente está melhor que eu e que parei em 2006. 
Ainda bem que dias como esses acontecem só de vez em quando. Eu olho pras coisas e penso QUE MERDA. Eu tinha que ter ido trabalhar hoje. Aturar os clientes chatos, ajudar minha equipe, enfrentar as minhas responsabilidades, disputar um lugar no ônibus, resistir em comer besteira na rua. Mas eu não fui. Hoje eu decidi não fazer nada. Hoje eu decidi ter dó de mim mesma, decidi ficar triste e fugir. Estou escutando Carly Simon e curtindo uma fossa. 
Hoje é dia de ficar triste. Mas amanhã...


2 comentários:

Marcela disse...

Ai, quero te dar uma abraço!!! :'-(

Não fale assim, vc é forte para caramba, essa sua profissão é muito chataaaaa! Esse seu trampo novo é muito chatoooooo! E vc tá aí, firme e FORTE!

É tão forte que hoje se permitiu tirar o dia para ficar na fossa! Nunca fiz isso pq nunca tive coragem!!!

Você e a dona Nana são muito lindas e fortes! Parabéns para as duas! <3

Grande beijo

Aline disse...

Oi Camila,
Eu acompanho o teu blog a um tempão (e o falecido Mão Feita)) e adoro o teu jeito de escrever. Vim dar meu pitaco aqui. A minha mãe teve câncer quando eu tinha 20 anos, minha irmã tinha 7. Lá em casa éramos só nós três e pela primeira vez eu vi minha mãe realmente sentir medo. Foi surreal ela conversar sobre morte e sobre como ela queria que as coisas funcionassem caso o tratamento não desse certo. O que aconteceu foi que minha mãe passou por 2 cirurgias, quimio, radio e uma depressão pós cãncer. lá se foram 5 anos e ela está aqui, lindona, guerreira e saudável. Não deixa a tristeza tomar conta não, minha flor. Chora um pouquinho, passa um batonzinho e bora aproveitar o dia. O que é ruim passa, o que é bom passa também. Mando minha torcida sincera pra que tua mãe se recupere e que toda a felicidade do mundo fique com vocês.