13 de março de 2012

Cheguei em casa e vi que minha mãe cortou o cabelo bem curtinho. Me partiu o coração. Tem que ser forte. Tá complicado, emocionalmente falando. Domingo eu demorei pra chegar em casa (aff, depois conto aqui a trapalhada MASTER), minha mãe tava ligando pra polícia porque eu não havia chegado. Dai rolou um surto psicótico de mãe canceriana (só quem convive sabe) e achei que foce morrer. Em vez dela abraçar e falar "CÊ CHEGOU, ALELURA" como a grande maioria das mães fazem, eu recebi um esculacho entre outras coisas que eu nem entendi de onde aquilo tudo tava vindo. 
Eu sabia que ia sobrar tudo pra mim (visto que Guilherme fez as malas e foi viver a vida dele) e disse pra minha mãe no domingo que eu não tava aguentando mais todos esses surtos (mãe de câncer e pai de peixes, não é divertido, nem um pouco) que eu preciso sair e ver minhas amigas de vez em quando pra dar risada. 
Fica tudo misturado, é carência, é medo da quimio e do câncer voltar mais pra frente, é meu pai que tava doente, coisa atrasada no trabalho, meu irmão que saiu de casa. Parece simples muitas vezes, cada problema tem uma solução. Mas de vez em quando parece tudo muito complicado e, o simples fato de chegar em casa depois de uma noitada (muito tranquila, cheia de conversas filosóficas e outras nem tanto haha), parece a terceira guerra mundial. 
Cheguei aqui em casa hoje e vi minha mãe se preparando pra perder o cabelo (e o médico disse que isso vai acontecer, porque a quimio dela é pesada por causa de N fatores que foram diagnosticados), com o cabelo curtinho e eu pensei que vou ter que segurar essa barra aqui em mais do que nunca, vou ter que lidar ainda mais ainda com gangorra emocional que tornou-se a minha casa. Tá só começando. 
'Bora apertar os cintos.