22 de abril de 2011

Acho engraçado como as pessoas tentam apagar umas das outras da sua vida. Do tipo, apagando (er, tentando) excluindo fotos no facebook, rasgando fotos e jogando fora objetos que remetem a outra pessoa. Acho que isso só piora, porque fica um buraco negro onde estava tudo isso.




Mano, se isso resolvesse alguma coisa, vixe! Mas não resolve, cara. Não resolve. Já pensou, cada vez que eu brigasse com alguém resolvesse tirar as fotos do flickr ou do raio que o parta, se continuar desse jeito, uma hora não vai sobrar ninguém no teu álbum. Hahaha. Cada um sabe como lida com sua dor, mas acho bizarro. Infelizmente afeto e carinho não acabam de um dia pro outro. Não sou do tipo namoradeira, ou nada, mas já enfrentei cada fim de amizade que só por Deus.

Porra, já briguei com muita gente no alto dos meus treze, dos meus dezesseis e dos meus vinte. A gente tem que mudar a atitude. Tem que tentar ser uma pessoa melhor. Ficar cometendo os meus erros sempre, jogando todas as fotos foras e criando inimizades e climões é uma coisa que gente, não dá certo não. Pisar na bola da mesma maneira, quem é que tá errado... a gente ou os outros?

Eu tinha essa minha vizinha chamada Amanda. Aliás, tenho, porque ela continua morar do lado da minha casa. Enfim, eu achava que éramos super BFF. Daí, deu um rolo (não me lembro o que aconteceu, coisa de criança de dez anos) e só sei que um dia fui na rua do lado de casa andar de patins. E todo mundo me dando gelo e eu WTF. Voltei pra casa e não entendi. Mas sou brasileira e não desisto nunca. Voltei pra rua e continuei a andar de patins, forever alone, mas fiquei na minha. Só sei que todas as quinze crianças desceram a rua numa velocidade incrível de patins pra tentar me derrubar. Conseguiram. Passei uma humilhação da porra e eu nem sabia porque. Cheguei em casa chorando e talls. A mandante do crime? Amanda. Pq ela fez isso? Porque tinha ciúmes de mim, creio eu. Nunca fui a mais popular das pessoas, mas graças a Deus eu tenho uma certa tendência de provocar uma simpatia nas pessoas. Coisa que a Amanda não tem (virginiana, sabe como é). Daí, o trauma foi tanto (não de cair e me ralar toda, mas daquela coisa de ninguém falar mais comigo e ter todos os amigos da rua voltados pra mim) que minha mãe me mudou de escola. E, adivinha, a Amanda foi parar na mesma escola que eu. Daí, tive que ficar convivendo. Lembro que eu saia antes dela correndo pra não ter que ver a pessoa. Acabou que sofri uma acidente de uma queimadura terrível e a mãe da Amanda falou pra ela ir em casa me passar as coisas que tinha perdido durante os 15 que fiquei recuperando da fuckin queimadura. E foi aí que começamos a nos falar de novo.

Novamente, na sexta-série, essa Amanda articulou novamente um plano maligno contra a minha pessoa. Eu gostava de um menino chamado Vinícius, ele deveria ter os seus quinze anos pq nem estudava mais na nossa escola. Era um dos amigos dos amigos da Amanda da oitava série. Porque ela sempre se achou muito adulta e se recusava a andar com gente da nossa idade. Como eu vivi a minha vida até a sexta série na sombra da Amanda, convivia com os amigos dela, mesmo não me sentindo parte do grupo. #Tenso.

Enfim, a Amanda acabou falando para um dos amigos do Vinícius que eu gostava dele. Contaram pra ele e o meu mundo meique caiu, né. O cara se sentiu super humilhado, porque uma coisa é uma menina bonitinha se apaixonar por ele, outra coisa é uma gordinha desajeitada com o cabelo da Gal Gosta morrer de amores por vc. Daí, a tal da Amanda falou pra me vingar do Paulo (o amigo do Vinícius) - !! - e botou isso na minha cabeça. E eu não querendo fazer isso, acabei entrando na dela por pura insegurança e espalhou um botado que o Paulo era gay, um bagulho NONSENSE. A Amanda falou pro Paulo que a idéia era minha. Só sei que dia seguinte do boato ALOCA todas as sextas, sétimas e oitavas séries não falavam comigo.

Imagina, em escola pública, sei lá, quatrocentas pessoas me dando um gelo. Dois dias depois, outras meninas que sacaram que era coisa da Amanda, voltaram a falar comigo. E era bizarro, porque parecia que eu tinha uma doença, sabe? Viver aquilo foi uma merda. E foi a melhor coisa que aconteceu comigo, porque sabe-se lá até qdo eu viveria na sombra de uma pessoa FROM HELL como essa minha vizinha foi pra mim. Na sétima série, já tinha conquistado as pessoas que valiam a pena novamente. E as que ficaram do meu lado desde o início se tornaram pessoas mais e mais especiais. Eu tinha virado a Camila. E não "a amiga da Amanda".

E pode parecer besteira isso tudo, mas o relacionamento que eu tinha com essa menina era uma coisa muito forte pra mim, sabe. Ter que conviver com aquele pé na bunda, com aquela raiva que eu não sabia de onde vinha. Eu muito quis esquecer a Amanda. Quis apagar tudo. Mas a gente era amiga desde a barriga das nossas mães, praticamente. A gente fazia tudo junto. O negócio era mais que um namoro, mais que um casamento. Era uma fuckin amizade, pelo menos, da minha parte. Uma coisa que durou até os meus treze anos e acabou de uma maneira muito bizarra.

No começo, eu escutava os cds favoritos da Amanda no último volume aqui em casa. Porque sabia que ela estava escutando do outro lado da parede hahaha. E nosso quarteto fantástico (eu, Amanda, Cristiane e Mábile) foi se desfazendo aos poucos. Amanda aprontou com a Mábile, que veio correndo falar comigo dpois que ela brigaram. E a Cristiane durou um pouco, mas acabou caindo por terra. Essa Amanda é um mosntro, cara.

Fiquei curtindo um luto, mas né. Por ser vizinho, toda hora se encontrava, a galera ficava em frente das nossas casas rindo e conversando. As festas de aniversário que eu não ia, mas a escola toda foi e ficava comentando.

Aos poucos você vai esquecendo a pessoa aos poucos. Não é de um dia para o outro. Não foi jogando todos os meus brinquedos fora. E teve um episódio muito chato, porque ela me acusou de roubar uns cds da CELINE DION. Minha mãe foi até a casa dela e falou um monte, pegou os cds de volta. Daí, minha mãe não fala com os vizinhos até então. E o mesmo da minha parte. Antes, eu via a Amanda na rua e desviava todo um caminho. Agora eu a vejo pelas ruas do bairro e ela abaixa a cabeça. O pessoal da rua do lado tá tudo casado, com marido e mesmo assim, olham na minha cara e ainda vejo aquela coisa de criança da quarta série. Eu sorrio pra eles. Sempre. Porque meu, eu já tenho todos esses traumas superados na minha cabeça. Mas, acho que os vizinhos da rua do lado e a própria Amanda não. Ou ainda vivem na crença de uma mentira de uma menina de dez anos, há mais de dez anos atrás.

Eu acho que a gente tem que superar as coisas aos poucos. Por muito tempo eu deixei de confiar nas pessoas, ter medo de fazer amigos e levar esse punhal nas costas. Dpois fui pro colegial e teve todo aquele bullying de merda, mas eu acho que se eu não tivesse me conhecido como pessoa, se não tivesse passado pelo gelo de quatrocentas pessoas na sexta série, talvez eu teria desistido no primeiro dia do colegial mesmo. Talvez até hoje viveria na somba de uma Amanda da vida. Servindo de Rabicho, de escravo do mal e do ego alheio.

Só sei que todas as pessoas que passaram até agora, que me fizeram bem ou mal, eu não quero apagar. Porque a gente vive dessa merda toda, das coisas boas e das coisas ruins. E eu olho as fotos da minha infância com o maior carinho, mesmo a Amanda estando em boa parte delas. Porque ela fez parte da minha vida e da minha história. Aprendi tudo o que não se deve fazer. Criei um preconceito ENORME com virginianos - sério, mano - e olha, custou eu deixar essa coisa de signo de lado e aceitar que nem todo virginiano é filha da puta haha.

Menos drama e mais amor.

Sou a quinta, da esquerda pra direita. E a pequena vilã de novela mexicana é a sexta, obviamente estava do meu lado, seria estranho se não estivesse :P

7 comentários:

Anônimo disse...

Eu me apego muito as pessoas, eu gosto de mante-las na minha vida.
Mas acho que às vezes a gente tem que se desvincular das pessoas que estão nos fazendo mal, como foi o seu caso, mas ao mesmo tempo, fingir que essa pessoa nunca existiu é bizarro, pq ela fez parte da sua vida e das suas experiências e das suas memórias.

Bom, acho que mais dificil ainda é se afastar de alguém que você não tem mágoa, como você disse afeto e carinho não somem de um dia pro outro e o amor também não.

Achei engraçado ler esse texto, e ver a imagem que vc postou, porque esses dias msm em uma conversa, cheguei a comentar que fosse bom talvez fazer uma coisa meio brilho eterno... porque às vezes a falta dói demais...

Enfim, menos drama e mais amor.
Bjs Katie.

Manza disse...

Gente, que bom que você não pegou raiva do nome, só do signo. ahahahaha Meu signo é 10 mil vezes melhor.

Eu devo até ter umas histórias dessa, mas bizarramente eu me esqueci de boa parte da minha infância. Eu lembro da disney, da liliane, de brincar de polícia e ladrão. E a minha melhor amiga que um dia me deu um gelo, outro dia nos encontramos na praia e nos falamos muito bem. Ela parece uma ótima pessoa hoje em dia. Missão cumprida, trauma superado. Mas você está certíssima Camie, não se apaga ninguém da vida, nem se esquece e tentar fazer isso só te afunda mais, você tira o que tem debaixo do seu pé para descobrir que não tem mais chão. Não é bonito.

danielle ribeiro disse...

Muito amor para todos.............

Mayra disse...

Um universo tem que ser destruído para um novo e melhor nascer. Sou a favor da apagação do que não serve mais - museu tái pra conservar o que é realmente importante do passado.

Mayra disse...

Um universo tem que ser destruído para um novo e melhor nascer. Sou a favor da apagação do que não serve mais - museu tái pra conservar o que é realmente importante do passado.

Anônimo disse...

Força, Camila!

Delma disse...

Oi Camila

Coincidencia ou não, passei por isso com uma vizinha que ferrou com a minha adolescencia, que fez a escola inteira parar de falar comigo e na qual eu mantinha uma dependência monstro dela...eu achava ela linda, apesar de TODO o mal que ela me fazia...sabia que a sua amizade era apenas por interesse, mas eu me sentia importante - eu, o PATINHO FEIO - ao lado de uma pessoa tão bonita e popular...um dia acordei pra vida e simplesmente parei de falar com ela, mas por incrível que pareça, sinto saudade....
Beijinhos e te admiro por levar coisas boas de "coisas ruins"...

Delma