23 de julho de 2009

Uma das coisas mais estressantes de trabalhar em um hotel é que algumas pessoas acham que você é escravo delas. Eu visto um uniforme, eu uso um crachá, bato cartão, estou aqui pra te auxiliar, mas não sou sua escrava. Antes de começar a trabalhar com o público, não tinha noção de como as pessoas são mal educadas. Não gosto de ficar reclamando sobre isso, mas puta que o pariu, tem vez que eu escuto cada coisa que dá vontade de pular no pescoço da pessoa. É muita falta de noção.
Um dia estava indo ao banheiro e passando pela recepção e fiz contato visual com uma hóspede. E é assim, se você fez contato visual a pessoa já faz aquela cara OIMEAJUDA. Até ai, tudo bem, né? Não vou ignorar a pessoa no balcão. A tia queria saber se tinha vaga e só pra variar, não tinha. Dai, ela ficou revoltzzz "MAS QUE QUE TÁ ACONTECENDO NESTA CIDADE DE MERDA?!", ok até ai tudo bem, né? *roll eyes* Quando alguém vem até o balcão (e não tem reserva), nós indicamos onde tem hotel nas proximidades com vagas. Comecei a explicar pra tia "Olha, a senhora atravessa a avenida, aqui mesmo em frente do hotel tem uma faixa de pedestre. Atravessou a rua, a senhora vira na segunda a direita. Tem um hotel chamado Formule 1, R$99 a diária", dai eis que a tia me lança "MAX EXXCUTA AQUI, DESDE QDO CARRO ATRAVESSA A RUA, HEIN? DESDE QDO CARRO ATRAVESSA A RUA?!".

Insira a minha cara de bunda aqui.


DSC01724


HAHAAHAH puta merda, mano. Dai eu dei um sorrizinho cínico e lancei "Eu estou tentando ajudar a senhora, não é mesmo?". Gente do céu. E deu vontade de falar que SIM carros atravessam a rua. Como é que eu ia adivinhar que ela estava de carro? Eu tenho culpa se ela resolve viajar e não faz reserva em canto nenhum? Sem contar das pessoas que falam que a gente não tem mais que a obrigação de arranjar um hotel com vaga para elas, que temos mais que a obrigação de deixar dormir quatro adultos no mesmo apartamento em UMA CAMA DE CASAL. E tem aqueles que ficam bravos quando nós pedimos o documento pra fazer o check-in, principalmente os mais velhos e ficam falando merda, o povo que cisma que confirmou na reserva em um apartamento no 15º andar, sendo que o prédio só tem 10 andares. E mesmo depois de você perder um tempo enorme, sem sair do salto e sem alterar a sua voz, que o hotel sempre teve 10 andares, ainda querem falar com o gerente.
E agora época de julho, enche de criança. Hoje tinha um menino, tipo, deveria ter uns 5 anos, correeeeeeeeeeeendo e gritaaaaaaaaaaaaando. E ele quase entra no elevador sozinho (Y). Fiz um resgate rápido do menino, levei até o pai e expliquei que é perigoso deixar a criança solta, porque ele pode ficar preso no elevador, ou se perder pelos andares. Dai, tive que escutar que "eu sei cuidar do meu filho, vai fazer o que te pagam pra fazer". Oi, né? Dai a criança se perde e a culpa é nossa. Eu realmente não tinha nada ver com aquele menino que tava entrando em um elevador cheio de gente estranha. Eu tinha alguma coisa a ver? Dá vontade de vez em quando, principalmente quando eu escuto grosseria, de fazer o meu trabalho. Eu sou auxiliar de reservas. Só deveria fazer reserva. Não deveria carregar mala, não deveria dar informações do tipo "estou na ponte do Limão, na Marginal, como eu faço pra chegar ai?", não deveria saber dos melhores restaurantes da região, não deveria fazer reserva em restaurante, não deveria segurar a porta do elevador, apenas o que me pagam pra fazer. Mas realmente, essa não sou eu. Eu só queria que as pessoas parassem de pensar um pouco no umbigo delas e pensar um pouco antes de falar.
Mas a gente se diverte, apesar dos pesares! Né, Rafael?




Muack =*


5 comentários:

Mirian disse...

Olá, Cami. Nossa gostei muito do seu blog. Você tece umas considerações super interessantes. Descobri seu blog meio por acaso, já te conhecia do fórum dos 3 vassouras (eu era uma participante anônima)e fiquei surpresa quando vi que você é a dona deste blog.
Puxa, eu super te entendo. Passo por isso todos os dias. Trabalho num hospital público e tenho contato com pessoas de todos os tipos. Bem, o que me emputece é que 80% destas não dão valor ao nosso trabalho. Sequer agradecem quando consigo atender as solicitações que me fazem. Dá uma vontade doida de mandar todo mundo tomar naquele lugar-que-não-deve-ser-nomeado. Numa hora dessas, me esforço ao máximo para não me esquecer que, sobretudo sou uma profissional. Mas, ninguém, mesmo, tem a obrigação de aceitar ser maltratado.
Sorte aí no seu serviço, querida.
Bjos

Juliana disse...

Meu Deus, que povo grosso, não? Realmente, seu trabalho não deve ser fácil. Aquele pai da criança foi demais. Sabe cuidar muitíssimo bem do filho mesmo! Credo!

May disse...

trabalhar com público é TENSO hahahahaha as pessoas são completamente loucas, é impressionante. depois te conto minhas aventuras!


seu comentário "sirius heart" foi AMOR AMOR AMOR. (L)


saudade.

:***

Camila Paulos disse...

Ai Cami, o povo é muuuito mal educado mesmo. Graças a Deus mamãe me deu educação e eu sou muito educada com todo mundo, até com quem não merece um pingo de educação. Mas amigaaa, é isso, eu preferia trabalhar num mundo habitado somente por cachorros, mas já que não tem como, vamos levando e rindo! rs! Beijão, seu blog tá ótimo, como sempre.

beeanka disse...

Se fosse eu tinha arrancado o filho de volta da mão do pai/mãe e jogado dentro do elevador pro 10° andar.

HAHAHAH