18 de outubro de 2016

O nome disso é RACISMO

Alisa esse cabelo. Você já fez escova? E chapinha? Progressiva? Quando você acorda seu cabelo fica como? Qualé o pente que te penteia? Você penteia seu cabelo?
O bom de você ser morena é que não precisa usar protetor solar.
Você pode disfarçar esse seu beiço fazendo aquela técnica de contorno com lápis das Kardashian.
Nossa, mas precisa falar toda hora da cultura africana? Que exagero.
Gosto de você mesmo sendo gordinha e pretinha.
A Camila entende de macumba, pergunta pra ela.
Cor-de-rosa não combina com tom de pele, gente de cor não pode usar rosa...
E como você faz quando molha o seu cabelo?
Seu nariz é um pouco inadequado.
Você não é negra, você é parda. Negro é quem tem cabelo ruim.
Tu já é pretinha... Tem que emagrecer um pouco pra se encaixar e arranjar um estágio.
Mas você faz mesmo questão de deixar seu cabelo pro alto, né?
Você usa o cabelo assim agora porque tá na moda.
Ahhhhh, ela é sua mãe? Nossa! Não parece.
Tem um ditado que quando preto não caga na entrada ele caga na saída, né? Você tem que mostrar o trabalho em dobro.
Você é parda, tem que dar graças a Deus.
Você tem sorte porque neguinha não tem câncer de pele.
A dona da casa está aí? Deixa eu falar com a sua patroa?

Ela é tua mãe mesmo ou você é adotada?

Nossa, mas você não parece nada com a sua família.
Moça, esse aí é o elevador social, o de serviço é aquele outro ali. 
Corta esse cabelo que você arranja um emprego rapidinho. 
Se você quer tanta representatividade assim vai ler a revista Raça.
Muita vitimização da sua parte. Me chamavam de branquela na escola.
Que preta é você que não sabe sambar? Rebola aí.
Perdeu alguma coisa? Deve estar no cabelo da Camila.

Você não tem nada a ver com a sua mãe e 
nem com o seu irmão. 

Quem tem cabelo ruim precisa trabalhar de coque e passar gel.
Sai daqui sua preta macaca. Vai chorar?
A sua entrada do prédio não é essa, é a de serviço. 
Sabe qual a semelhança entre bandido e cabelo crespo? É que ou tá preso ou tá armado. 
Sabe com quem você parece? Com aquela mulher dos cinquenta centarro do Zorra Total.
A Camila tem vergonha do pai dela porque ele é negro.
A vaga de recepcionista foi preenchida, mas tem a de faxineira e seu perfil se encaixa, o que você acha?  
E verdade que o gozo de mulher negra tem cheiro mais forte?
Você é ridícula, menina. Até a sua gengiva é preta. Parece um toco de merda em cima dos dentes. 

Eu escutei tudo isso pelo menos uma vez na vida. Algumas coisas foram recebidas com a potencia de um soco no estomago. Outras eu tenho que lidar diariamente desde pequena. Indagações que ouço desde pequena e que me fizeram crescer com a sensação de despertencimento da minha própria mãe. Fofocas que inventaram, questionamentos descabidos, piadas sem graça. O nome disso é racismo

Aparentemente a vergonha do meu pai era tanta 
que até selfie em 2005 a gente já fazia. 


Temos uma ideia de que só é racismo quando falamos de escravidão ou negros usando banheiros separados. Precisamos reconhecer o racismo diário e desnaturalizar essas coisas. Não é normal questionar o cabelo, questões familiares e se intimidar com a autoestima alheia. Estou expondo essas situações porque elas não acontecem só comigo, faz parte do cotidiano de tantas outras pessoas negras. Chega de falar "não sou todas negas", chamar cabelo crespo de cabelo ruim, miniminizar as questões raciais com "mimimi". 

Cabelo rosa na adolescência - 2003.

Presumir que uma pessoa negra não pode ser dona de um comércio ou que não temos poder de compra. Vamos parar com essa história que todos os negros se conhecem e moram no mesmo lugar. Ou essa mania das pessoas brancas tem de fazer comparações com pessoas negras que nada tem a ver uma com a outra. PÁRA! Já me falaram que sou parecida desde Zezé Motta até Woopi Goldberg, só pelo fato de pertencemos a mesma raça. Isso causa um desconforto, é um "elogio" completamente desnecessário. 

Minha cara quando me chama de Neusa Soares. 

Escrevo essas linhas no intuito de expor esses comentários "inofensivos" e conscientizar as pessoas do quão mal elas podem fazer uma criança sentir-se em relação a sua cor. Uma mesma pergunta repetida por diferentes pessoas acerca de um assunto pode gerar consequências ruins pro individuo. Tudo isso faz parte de um comportamento coletivo e fruto do racismo que está institucionalizado em nosso cotidiano. Eu deixei de sorrir em fotos em certa época porque um idiota disse que minha gengiva tinha cor de bosta! O nome disso é racismo e precisamos dar um basta.

Essa é minha família e se ela te causa desconforto 
isso é um problema TEU.


PS: não tem nada de errado ser filha adotiva ou faxineira, a abordagem é que pessoas brancas não sofrem esses questionamentos. 

30 de junho de 2016

Já fui uma babaca que odiava crianças (ou o que aprendi com as minhas amigas mães)

Cansei de dizer por aí que odiava crianças. Chora demais, faz birra, pergunta demais, tá sempre gritando e falando alto. O HORROR! Mãe com criança chorando no ônibus, eu era a primeira a olhar com aquela cara BEM FEIA. Controla essa criança, controla esse bebe! E daí a criança não para de chorar no supermercado, no avião, no restaurante e você começa a bufar e junto com a tensão gerada no ambiente, a mãe acabava indo embora... Ou pior, batia no filho em um ato desesperado de fazer a criança se calar e acabava piorando a situação.

Eu já fui aquela babaca que xingava muito no twitter as criança tudo no Twitter!





Eu tinha respectivamente 22 e 25 anos quando escrevi isso. E não é que eu odiava criança no sentido literal, de querer machucar/prejudicar. Eu não me considerava paciente o suficiente, sabe? Aquele tipo de pessoa que ajoelha no chão e vai brincar? Não. E toda vez que havia um mínimo de interação, sempre vinha alguém pra falar “ai, não é assim que fala com criança”.

Bom, o que mudou nos últimos cinco anos? MINHAS AMIGAS COMEÇARAM A ENGRAVIDAR. O feed de notícias quando você se aproxima dos 30 anos se resume: foto dos amigos correndo às seis da manhã de pleno domingo e bebes de todos os tipos e tamanhos.

As redes sociais tem essa fama de afastar as pessoas. “Vamos conversar entre nós, chega de senha do wi-fi” e aquela coisa toda, mas se não fossem as redes sociais (facebook principalmente) eu continuaria a mesma babaca de cinco anos atrás. Eu acompanhei a transformação de várias amigas, colegas e conhecidas a se tornarem mães. Calcular aquelas semanas todas, útero infantil, parto de risco, produto pra passar na pele, as dificuldades da gravidez, o nascimento. Um negócio chamado PEURPÉRIO que eu NUNCA TINHA OUVIDO FALAR EM TODA MINHA VIDA e é algo SUPERIMPORTANTE.

Tem um monte de coisas que são básicas e que aparentemente ninguém que tem um filho sabe. Aprendi que você precisa perguntar pra mãe antes de oferecer um alimento pra criança, aprendi que às vezes tudo o que uma mãe de primeira viagem precisa é que alguém vá lá e lave a louça dela. Aprendi a ser muito mais tolerável, que amamentar dói. Cada um tem um conselho, mas cabe aos pais a educar melhor os seus filhos. Mas tudo bem se você vê a criança disparando a descarga da sua casa e chamar atenção, explicando o porquê daquilo ser errado. Aprendi que tudo bem falar como uma criança de igual para igual (como eu costumo fazer), porque criança não é burra. Não preciso ser infantil e isso não está errado, tá tudo bem.

E como esse negócio de maternagem (tô usando até termos das mãe, veja só você) é romantizado pra caramba e todas essas minhas amigas ajudaram a desconstruir essa ideia que eu tinha. Como é difícil se socializar com uma criança. E como eu era babaca de olhar feio quando uma criança chorava no ônibus. As nossas crianças são oprimidas constantemente! Ontem eu acordei com um post de um marmanjo pedindo para não levar as crianças para assistir “Procurando Dory” porque ele estava esperando há dez anos por isso, e as crianças iriam arruinar a experiência dele por causa do barulho.  



Agora, pensa comigo. PROCURANDODORY é um filme infantil. E essa criança que não é bem-vinda de restaurantes até praças de alimentação, festas e churrascadas, em shoppings e exposições de arte, em salão de beleza a SPAs, agora as crianças vão tem que esperar o DVD pra poder assistir o filme. A mãe que já tem a sua vida social absurdamente reduzida por causa do seu filho não vai poder levar sua cria pro cinema porque criança faz muito barulho. Que mundo é esse?

Tenho um filho e só posso socializar com ele quando ele não quer mais socializar comigo (adolescência), é isso?  

Vamos colocar a mão na consciência! Mães, pais, avós: compartilhem conosco como viver com uma criança. A grande maioria não faz ideia ou tem uma visão romantizada. Precisamos saber, precisamos ouvir como realmente é.

Quando estava na faculdade, eu estudava com uma mulher chamada Ana Paula, Na época ela tinha um filho pequeno de uns 5 anos. De vez em quando ela trazia a criança pra sala de aula. Eu achava um absurdo. Todo mundo achava, aliás. Onde já se viu? Lugar de criança não é na faculdade. Acontece que a Ana Paula não tinha sempre com quem deixar o filho. Não tinha grana pra babá, a creche estava de férias e um monte de empecilhos que a gente só conhece quando vira mãe. Mais tarde, ela ficou grávida e passou a levar o bebê de colo pras aulas. Só quando eu vi a Ana Paula com o bebê no braço, a mala de coisas, os livros da faculdade e o outro filho grudado na perna dela, eu percebi como era difícil ela estar ali na aula e, mesmo assim, ela se fazia presente. E defendia seu espaço e lutava para não ser invisível naquele ambiente universitário. Quer dizer, precisou a mãe ficar visivelmente sobrecarregada para eu começar a entender o perrengue que ela passava. Assistir as aulas era a melhor parte, como Ana Paula fazia pra chegar até a faculdade em horário de pico? Quão babaca eu fui até aquele momento? Pois é.

Por isso que é importante essa troca de informações. E importante os pais reclamarem de ambientes que oprimem as crianças e que nós precisamos estar abertos a esse convívio. Não é todo mundo que vai virar mãe/pai, mas todos nós já fomos criança. As mães são invisíveis mesmo, a gente só ousa lembrar quando a criança chora e, mesmo assim, tem gente que prefere fechar os olhos e não dar o lugar no ônibus ou fazer cara feia, como eu costumava a fazer.

Não vou negar, choro de criança incomoda. Mas hoje eu penso na barra que aquela mãe tá passando, o filho pode estar doente ou é birra mesmo e não tem muito que fazer. Às vezes vez eu sorrio pra criança, tem vez que me levanto educadamente e simplesmente pego o próximo trem.

Não seja o babaca que acha que criança tem que ficar dentro de casa e sem emitir som. Ninguém tá pedindo pra você brincar com todos os bebês que aparecerem no raio de 30 km. Questão de empatia. Pegue o próximo trem, vá a uma sessão mais tarde e respire fundo. Não inviabilize. Isso é o mínimo que podemos fazer. Exercite a gentileza


22 de junho de 2016

Assisti Jessica Jones! E não gostei.

Sei que estou ATRASADÍSSIMA NO HYPE, mas quis escrever sobre isso mesmo assim. Esta postagem contém spoilers do seriado, ok? 



No final de 2015 a Netflix estrou mais uma série em parceria com a Marvel: Jessica Jones. Muitas pessoas surtaram nas redes sociais “MEUDEUSDOCÉU, JESSICA JOOOOOONES” e eu QUENHÉ JESSICA JONES?
Não sou muito ligada no universo de HQ’s e super-heróis, mas resolvi assistir porque fiquei curiosa com a premissa. Jessica Jones é uma detetive que tem habilidades extraordinárias e está sofrendo estresse pós-traumático devido relacionamento abusivo com o seu último namorado (Kilgrave). Um problema que acontece milhares de mulheres enfrentam diariamente, certo? Não tem como uma história dessa dar errado, no sentindo de empatia, certo? Eu também pensei assim, mas... Comigo a catarse não rolou. Comecei a ver a série em dezembro, assisti alguns episódios, depois terminei de ver  só agora. Precisei de seis meses e muita paciência e aqui falo porque a série não me pegou.


Enredo arrastado
Raramente começo AMAR LOUCAMENTE uma série no primeiro episódio. Mas no caso de Jessica Jones, quando eu cheguei no sétimo capítulo (são treze no total) pensei: POR QUE TANTA ENROLAÇÃO?
Eles enfiam várias tramas paralelas para deixar a história mais robusta e acrescentar mais dimensão na série, mas achei que foi pra encher linguiça. A trama amorosa da advogada Jeri Hogarth que não serviu de nada. Aquele policial CHATO PRA CARAMBA que surta com as pílulas, daí quer matar a Jessica. De onde esse cara veio? Por que ele tava ali? NÃO ENTENDI O PROPÓSITO. Os vizinhos CHATOS!





Clichés ruins
Sério mesmo que colocaram o negro-amigo-parceiro-para-todas-as-horas como o viciado em drogas do pedaço? Sério mesmo que fizeram a vilã da série lésbica? Só reforço de estereótipos que essas minorias enfrentam sempre. Negro drogado, lésbica má insensível. SABE? To sendo politicamente correta demais? Não sei. Mas cada vez que a série ia para esse lado, eu bufava enquanto assistia.


Heroína ou justiceira? + Krysten Ritter




Esse dilema que Jessica vive, não sabe se quer ser heroína e salvar as pessoas ou se quer apenas sua vingança contra o Kilgrave, não me comprou. A atuação da Krysten Ritter ficou a desejar... Algumas cenas ela estava muito boa, os olhares, tom de voz. Mas depois fiquei impaciente, achei tudo meio forçado, muito milimetricamente dirigido, sabe? Amiga dela, Patsy, que também achei bem chatinha, me convenceu muito mais em algumas cenas do que a própria Jessica. Achei uma interpretação insossa. Vocês me perdoem... Tem muito a melhorar, um pouco mais de espontaneidade. 

Bom, e o que eu gostei? David Tennant como Kilgrave está SOBERBO. Além de manipular as pessoas no seriado ele manipula o espectador. Uma atuação realmente brilhante e roubou a cena. 




E é sempre bom ver Netflix e Marvel investindo em protagonistas femininas. Mesmo que não tenha gostado da história, não é de todo ruim, a série levanta sérios pontos a serem discutidos. Durante novembro/dezembro vi inúmeras discussões nas redes sociais e depoimentos de mulheres que passaram por essa manipulação que a personagem sofre. Jessica Jones não tem apelo sexual, não existe aquela erotização pesada em cima das mulheres que estamos acostumadas a assistir, principalmente em filmes/séries de super heróis. E ao mesmo tempo, tem cenas EXTREMAMENTE ERÓTICAS entre Jessica e Luke Cage e você fica MEUDEUSQUEFOIESSACENA? Eu amei, sério. 

Netflix já confirmou a segundatemporada de Jessica Jones, mas fico me perguntando o que vai sustentar mais treze capítulos sem Kilgrave? O passado da personagem que não foi revelado? Mas será que precisa de tantos capítulos assim? E esperar pra ver... 



8 de junho de 2016

3 animações fora do circuito DISNEY para assistir

Minha mãe sempre gostou muito de assistir filmes. Toda vez que ela visitava a vídeo locadora perto de casa, sempre me deixava trazer um ou dois filmes. Eu cresci assistindo muitas animações e filmes. Meu sonho de consumo era ter aquela parede do quarta forrada com os VHS da Disney. Não cheguei a ter essa coleção de fitas (só depois de adulta, quando comecei a estagiar), mas cansei de alugar os mesmos filmes inúmeras vezes. Lembro a minha mãe até falava “Aluga um diferente, Camila! Esse você já assistiu demais!”.
Tirei o último final de semana para rever essas animações e até fiquei surpresa “nossa, por que eu gostava de uns desenhos tão sérios assim?”, mas foi bom relembrar e recomendo para todos vocês.





A trama principal conta a história da Sra. Brisby, uma rata que acabou de ficar viúva e tenta a todo custo salvar o seu filho caçula de uma pneumonia. Mas, vida de mãe, como bem sabemos, é dureza. Além de ser a MAIOR TRETA pra arranjar esse remédio, o lugar onde ela mora está sob ameaça de desmoronamento, então ela teria que se mudar... Mas o filho tem que ficar de repouso absoluto caso contrário morre. ALÉM DISSO, tem toda uma explicação sobre o fato dos ratos serem inteligentes, a circunstancia do marido ter falecido e tudo mais. É uma animação com uma moral bem legal MESMO. Eu gostava desse desenho porque a Ratinha Valente tinha medo das situações, mas mesmo assim metia as caras e era bem curiosa. Amo/sou Sra. Brisby. Disponível na Netflix. 





É o Êxodo, né mores? Não tem muito o que explicar... Eu gostava muito das músicas, principalmente da parte em que Moisés chega na aldeia e Jetro começa a cantar uma música falando que as coisas em nossa vida tem um propósito e que não devemos julgar uns aos outros. EU SEMPRE CHORO! Esse filme também está disponível na Netflix. 




Essa era a capa do VSH que eu alugava! 

Esse é o filme mais obscuro e acredito que muitos de vocês desconheçam. Sinceramente, nem eu sei como esse VSH foi parar naquela locadora pequenininha aqui em Pirituba, mas sou eternamente grata. De Volta a Melonia é uma animação sueca (vejam só vocês!) baseada na peça “A Tempestade” de Shakespeare. COMO ASSIM, SHAKESPEARE???????? Pois é, fiquei surpresa também quando assisti agora depois de adulta. Não fazia menor ideia que era uma adaptação de Shakespeare!
A história começa em um barco que é atingido por uma tempestade. O barco carrega uma caixa enorme com uma carga que estão levando para Plutônia. Dentro desta caixa, tem um menino chamado Ferdinand que está fugindo da ilha de Plutônia. A tempestade atinge esse barco levando o menino náufrago para a maravilhosa ilha de Melonia. Lá ele conhece Próspero (um mago muito poderoso) e sua filha Miranda (amooooooooo). Descobrimos qual foi a motivação de Ferdinand fugir da ilha (a parte que mais me chocava quando era criança) e a história se desenrola a partir daí. É um desenho com ritmo devagar e traços diferentes do que estamos acostumados, mas a mensagem é muito bonita mesmo, conteúdo reflexivo pra gente pensar de verdade. Tem uma parte muito bonita relacionada à Miranda, com referencia aos pássaros/liberdade. Quando era criança assisti uma cópia dublada, essa que encontrei para baixar é no áudio original e a legenda tem um ou dois palavrões, o que achei bem curioso. Se vocês puderem baixar e assistir, sério, façam isso! É diferente e tocante mesmo. Fiz o download do filme através desse link aqui

Gostaria de deixar uma menção honrosa para “Labirinto – A magia do tempo”, não é animação, mas aluguei tanto quanto esses outros (senão mais) e certeza que já falei MILHÕES DE VEZES DESSE FILME AQUI NO BLOG E NINGUÉM AGUENTA MAIS. Porém David Bowie! E tem na Netflix! 

Essa era a capa do VSH na época. 


Basicamente esses filmes construíram meu caráter. Assisti até gastar a fita do VSH (perguntem pra minha mãe haha) e foi bom revisitá-los. Fiquei orgulhosa da criança que eu fui, sabe? Posso sentir orgulho da pequena Camila com seus seis/sete anos de idade? 
Assista se ficou curioso (vale a pena!) e depois comenta comigo se gostou ou não. Se quiser me contar quais foram os filmes que você viu até enjoar quando era criança, vou adorar saber também. 

31 de maio de 2016

Diga aos Lobos que Estou em Casa, Carol Rifka Brunt

Faz tempo que não falo de livros aqui no blog, não? Vamos ver se consigo tornar as resenhas um hábito novamente. Comprei esse livro única e exclusivamente por causa do título “DIGA AOS LOBOS QUE ESTOU EM CASA”. Achei que seria uma história boba de aventura, envolvendo alguma floresta e alguns lugares mal assombrados. Mas no final não era nada disso! O livro conta a história de uma menina de 14 anos chamada June Elbus que precisa lidar com o luto. UMA HISTÓRIA SOBRE LUTO!

“Se a minha vida fosse um filme, eu já teria saído do cinema”

O ano é 1987 e a nossa protagonista é uma menina tímida, ama a Idade Média, música clássica, não é muito popular na escola. Seu único amigo é seu tio/padrinho Finn Weiss, um renomado pintor, que por um acaso está morrendo de AIDS. Finn decide pintar um quadro das suas sobrinhas como seu último trabalho, então, todo domingo June e sua irmã mais velha, Greta (insuportááááaááááveeeeeeeeeeel), vão para o apartamento do tio posar para a pintura.

São 66 capítulos que passam voando... 

Sabe quando você não dá NADA para a história e a autora desenrola trama e desenvolve os personagens com tanta sutileza que você deseja ter escrito o livro? Foi isso que aconteceu comigo.

Nessa nossa sociedade moderna, tratamos a morte e o luto como temas tão pesados, do tipo, não vamos falar sobre isso. Não vamos falar da dor da perda, nem de uma doença incurável e muito menos como devemos sentir em relação a isso.Quando uma pessoa querida morre a gente acaba descobrindo várias coisas, vários segredos (vamos assim dizer). E difícil abordar esse sentimento de “exclusão” (quando você descobre detalhes desconhecidos da pessoa que morreu) e autora aborda de uma maneira TÃO REAL, que queria abraçar toda hora os personagens enlutados.

Além de luto e AIDS, segredos dos vivos e dos mortos sendo revelados, cada capítulo do livro a autora mostra a relação conturbada entre as irmãs June e Greta. Na infância eram melhores amigas, na adolescência completas estranhas e como isso foi acontecendo.

Diga ao Lobos que Estou em Casa é uma história para todos, com personagens sensíveis e realistas, super bem escrito e amarrado. Não é piegas e nem apelativo. Conta a história de uma adolescente que perde seu único amigo e como é importante compartilhar essa dor e falar sobre ela com outras pessoas. Leiam, leiam, leiam!

“— O Finn nem parecia se importar de estar morrendo – comentei.E era verdade. Finn estava calmo como sempre até a última vez em que o vi.
— Você não sabe? Esse é o segredo. Se você sempre garantir que é exatamente a pessoa que esperava ser, se sempre garantir que conhece apenas as melhores pessoas, então não vai se importar de morrer amanhã.
— Isso não faz nenhum sentindo. Se você fosse tão feliz, então iria querer ficar vivo, não iria? Iria querer ficar vivo para sempre, para continuar sendo feliz.— Não, não. São as pessoas mais infelizes que querem ficar vivas, por que acham que não fizeram tudo o que querem fazer. Acham que não tiveram tempo suficiente. Acham que ganharam menos do que mereciam.”


PS: se você gostou de Procurando pro Alasca (do John Green, em breve vou resenhar aqui), Como Eu Era Antes de Você e Extraordinário, esse livro é MUST READ pra você. 


23 de maio de 2016

#FelipeNetoPeople

Eu não ia falar nada sobre isso porque não é problema meu. Mas estou muito incomodada não com o motivo da confusão e sim pela defesa de um dos argumentos. SEGUINTE! Pra quem não está sabendo o Felipe Neto (sempre ele) fez um vídeo em seu canal no YouTube falando que devemos parar de compartilhar besteiras na internet (besteiras que ele classificou como música funk).

Ele atribuiu essa grande viralização do funk na web à GERAÇÃO NÃO SALVO. Não Salvo é um blog criado pelo Cid, que faz uma curadoria de coisas bizarras e engraçadas que encontramos na internet. Cid fez um vídeo resposta ao Felipe Neto e a treta foi instaurada. Não estou aqui pra defender ponto de vista do Felipe Neto (pedindo para parar de compartilhar besteiras na internet é UM PARADOXO) e nem o Cid, que já defendeu seu ponto de vista.

O que me incomodou nessa história foi a tréplica do Felipe, que diz o seguinte: 

“Por que será que o Cid ficou tão puto ao ponto de fazer um vídeo resposta? Vocês acham que foi porque o Cid acha realmente que a cultura do funk é importante? (...) Eu comecei a pensar... O que o Cid fez até hoje? O que ele criou? O que ele deixou na internet? E daí eu entendi porque o Cid deixou levar para o pessoal. O Cid já tentou fazer muitas coisas que não deram certo. O que é normal, eu também. Ele criou um blog que explodiu divulgando funks e coisas que não foram criadas por ele. E desde então, ele tenta desesperadamente emplacar em outras redes, tentando que a imagem dele seja maior que o blog mas não consegue. Ele tentou ser empreendedor, abriu uma empresa e falhou... Falhou assim de uma maneira épica. Há pelo menos 6 anos ele tenta fazer um canal no youtube vingar. Acho que essa deve ser a sétima tentativa dele que não funciona. E no final, a única coisa que o Cid fez hoje que realmente deu certo foi divulgar funk” 

E daí ele continua ladeira abaixo. Quem quiser ver tudo, clica aqui

O meu ponto nessa história toda é: quantas pessoas a gente encontra na vida com esse discursinho pedante? Nos olhando por cima, diagnosticando o nosso “problema” como se fossem  especialistas no assunto, com ares doutores, se achando os donos da verdade, apontando nossas falhas com todo escárnio e presunção.

QUAL PROBLEMA DE FALHAR?

QUAL O PROBLEMA DE CONTINUAR TENTANDO?


QUAL PROBLEMA DE QUERER MUDAR?


QUAL O PROBLEMA DE TENTAR ALGO PELA SEGUNDA OU SÉTIMA VEZ?


POR QUE EXISTE ESSA CULTURA EM DEIXAR O OUTRO ENVERGONHADO DEVIDO PROJETOS QUE NÃO DERAM CERTO?


POR QUE AS PESSOAS GOSTAM DE DESESTIMULAR E 
ENVERGONHAR UMAS AS OUTRAS?


CHEGA DISSO!

Foda-se essa treta. O que me incomodou foi esse discurso medíocre e essa cultura que existe em fazer escárnio da pessoa que falha, no indivíduo que ousa mudar! Eu vi esse vídeo várias vezes, pensando nas coisas que foram ditas e nas coisas que eu já tive que escutar. E muitas vezes deixei de obedecer meu instinto e segui a opinião/conselho desse tipinho de gente. Muitas vezes pessoas tentaram me sentir envergonhada dos meus planos e sonhos. É isso que o Felipe Neto faz nesse vídeo.

Eu não sou especialista ou entendedora de nada. Tenho 29 anos e vi pouco da vida. Escrevo as coisas no blog com experiência e observações pessoais, e uma coisa que eu tenho certeza é que as coisas dão certo na base da TENTATIVA E ERRO. Raramente eu (e o resto da humanidade) acerto de primeira. A gente tenta, faz do jeito que dá, muda, erra, aperfeiçoa, tenta de novo, de novo e de novo.

Depois que resolvi acreditar no meu instinto e me cercar de pessoas com a mesma vibe, muita coisa mudou mesmo. Não mudou na velocidade que eu queria, porque as mudanças não são como um interruptor de liga e desliga, mas mudou. E eu tenho tentado algumas coisas que sempre tive medo desde então. Desde que passei a acreditar em mim, no meu potencial, colocando as mangas de fora, tentando e encarando todas as minhas falhas e sem deixar o medo me paralisar, a vida é outra. Peguei meu escudo anti-badvibes e estou aqui, tentando ser firme.

Vamos parar de fazer o coleguinha sentir vergonha pelos erros. Se não quer estender a mão pra ajudar, não atrapalhe. Exercício diário: julgar menos e se afastar desse povo que só quer olhar por cima.

E agora, voltando pra treta (rapidinho), eu nem acho o Cid tenha falhado epicamente do jeito que foi colocado. O cara até esses dias tinha programa de televisão na MIX TV, o NS tá aí desde 2008 pagando as suas contas, o cara viaja sempre, viraliza tudo o que coloca a mão, tá tentando mudar seu target que é uma coisa boa, então, sei lá. ¯\_(ツ)_/¯



A grande verdade é que para os olhos dos nossos críticos de plantão, todos os nossos projetos sempre serão vistos como falhas e erros.



19 de maio de 2016

Lifestyle da grama verde

Semana passada eu estava especialmente inspirada e querendo limpar as minhas coisas. Limpeza no sentido literal: água, sabão, desinfetante. Comecei pela minha estante de livros, separei uns exemplares para doação. Depois organizei todas as minhas roupas, separei sapatos e coisas que não usava mais e passei para frente. Limpei os sapatos, tênis e as botas. Esfreguei o chão, limpei os vidros, joguei maquiagem fora, organizei os meus lenços, coloquei as blusas de frio para tomar sol.

Eu lembro que estava me sentindo tão mal por algumas coisas e sentimentos que não me pertenciam. É duro falar para o seu psicológico que todas aquelas neuroses não são reais e, principalmente, não são suas.

Meu quarto estava limpo e arrumado como nunca. E melhor, do meu jeito. É bom empregar um tempinho arrumando as suas coisas, no seu tempo, no seu gosto, da forma que você achar melhor. Me fez um bem danado e me senti no controle do ambiente em que eu durmo e organizo as  minhas ideias.

Organizei meu celular também. Saí de vários grupos de whatsapp, organizei as pastas de imagens, arrumei os contatos, fiz backup de fotos sem antes apagar um monte de coisas que já não faziam mais sentido de estarem ali.


Uma foto publicada por Cami Rocha (@crioladoida) em

Depois limpei meu feed do Instagram e foi por isso que decidi escrever esse post. Não sou muito de seguir celebridades no Instagram e Snapchat, sou tão bombardeada com a vida dessas pessoas, indo atrás ou não. Mas eu amava seguir blogueira de moda consumo. Eu seguia várias. Assistindo o dia-a-dia delas de camarote, a viagem pra França nos hotéis superluxo com motorista particular, os “mimos” das marcas, cabeleireiro e maquiador a disposição 24 horas/7 dias da semana. Sem contar as festas em lugares maravilhosos com a ~nata da sociedade, sem problemas, tudo flash e carão no instagram.

Assistir aquela realidade, que não condiz nem um pouco com a minha, me fazia questionar muitas coisas. Tava me dando a impressão que a minha vida era uma merda, aquela falsa impressão que precisava de coisas que realmente não preciso. Assistir, ainda deitada na minha cama, tal blogueira tomar café da manhã com 15 tipos de frutas e bolos, toda a Nutella à disposição, com vista para os Alpes ou qualquer lugar paradisíaco, me fazia questionar duramente o café pilão da minha dispensa. Por mais que eu ame calçar minhas pantufas e preparar meu café preto, com a Jade nos meus calcanhares esfregando o brinquedinho querendo brincar. Eu amo isso! E mesmo assim, ficava pensando em ciclano que tá em Vegas e eu aqui, em Pirituba. O que eu fiz de errado? NADA! 

Café preto + Jade = amor. 

Não é que o blogueiro esteja errado ou que eu tenha trabalhado de menos e ele muito maisO tempo todo estão me querendo vender uma vida que não é minha, me fazendo querer comprar coisas que não preciso, achar que sou fracassada porque não estou fazendo uma viagem incrível para Tailândia (patrocinada por sei lá quem).

Eu sempre dei valor as minhas coisas, sou eternamente grata a minha família e amigos, as oportunidades que estão aparecendo. Entendo esse momento de transição que estou passando e que não está sendo fácil (mas poderia ser bem pior!) e, mesmo assim, estava questionando todas as coisas boas por causa de gente bebendo Moet & Chandon no gargalo no Coachella.  

Quando um blogueiro coloca “lifestyle” em sua biografia, ele quer dizer o que com isso? É uma pergunta legítima. O lifestyle dele é o certo e o meu não? O que raio quer dizer ESTILO DE VIDA? Qual estilo? O meu, o seu, da Thassia Naves ou Hugo Gloss?

A limpeza no armário e nas redes sociais foi um sucesso. As pessoas tem o direito de vender o que dizer, eu tenho direito de optar em fazer parte da audiência ou não. Ainda estou seguindo bloggers sim, são pessoas que acho que ainda agregam algo de bom, não é só consumo, são ideias

Não fique achando que sua vida é uma bosta por causa de foto bonita de celebridade no Instagram ou festa ba-ba-do sendo transmitida no Snapchat. Reúna seus amigos, arrume suas roupas, transe com seu namorado, faça a sua maratona no Netflix, estabilize suas metas e vá em frente. Aproveite as coisas que você tem. Cada um tem seu ritmo e seu caminho.  A grama da celebridade pode parecer mais verde que a sua, mas na maioria das vezes é o filtro do instagram e um ângulo bom

5 de maio de 2016

Spoilers e a Internet

É sempre assim, toda vez que começa uma nova temporada de Game of Thrones, o debate de spoilers se inicia pela milésima vez. Pra quem não sabe (o que eu duvido) o que um spoiler, clica aqui.

Domingo passado aconteceu algo superimpactante em Game of Thrones, com isso, timeline do Twitter explodiu de imagens e, consequentemente, spoilers. Depois da reação das pessoas que estavam assistindo o episódio, imediatamente vem a reação das pessoas que NÃO estavam assistindo.

SOCORRO, SPOILERS. SPOILERS. SPOILERS. 




MORRAM TODOS!



Algumas pessoas que sofreram com a espoliação, resolveram se vingar contando os acontecimentos do filme “Capitão América: Guerra Civil”, que estreou recentemente. Agora... paraparaparapara porque vejo DUAS SITUAÇÕES neste caso.



Eu ODEIO spoiler! DETESTO! Quero MORRER quando alguém me conta algo que eu não gostaria de saber, ainda mais quando é de uma forma gratuita e proposital. Eu sou cria do fandom de HarryPotter e participava de um fórum que tinha políticas severas contra spoiler. A cada lançamento de livro, era aberta uma sessão secreta para discutir os acontecimentos. Quem não sabia ler inglês ou preferia esperar a tradução, podia circular tranquilamente pelo fórum sem ser espoliado. Era uma bolha mágica da felicidade, os usuários realmente respeitavam essa regra e se você soltava um spoiler, era banido e mal visto pelos outros do fandom.
Só que não estou mais na bolha mágica daquele fórum potteriano. Estou no Facebook, Twitter e Snapchat. E as pessoas podem postar o que bem entenderem, certo? Certo. Eu tenho todo direito de fazer live tweeting durante o episódio de Game of Thrones e descrever graficamente o que está acontecendo ou esboçar as minhas reações. O que acho que precisamos é um pouco mais de bom senso de ambas as partesEntão vamos por partes.

O que é realmente um SPOILER?

Algumas pessoas acreditam que o simples fato de você falar se gostou ou não do que acabou de assistir/ler já é spoiler. Um simples “odiei esse episódio”, “ACABEI DE ASSISTIR FILME TAL NOSSA É F*DA PRA C*RALHOOOOOOOOOO!!!!111”. ISSO NÃO É SPOILER. PARE DE RESCURA. 



Você ficar chateado e brigar com algum amigo seu por simplesmente expressar sua reação se gostou ou não é frescura. Spoiler é contar algo RELEVANTE da trama. Tipo...

Scar matou Mufasa.
Joye e Pacey ficam juntos no final de Dawson’s Creek e a Jen morre de câncer.
Darth Vader é pai de Luke Skywalker.
No filme “Os Outros” todos estão mortos.


E assim por diante. ISSO É UM SPOILER. Falar algo crucial, uma morte importante, a mudança de rumo da história, algo que surpreenderia o expectador. Quando você solta um spoiler, você estraga a experiência da outra pessoa de surpreender-se também.










De vez em quando o spoiler acontece sem querer, escapa no meio de uma conversa animada. Seu amigo está assistindo uma série e você acaba sem querer revelando algo que ainda não aconteceu na temporada em que ele está vendo. Acontece! ¯\_(ツ)_/¯

Agora, voltemos pro twitter e redes sociais.
O Twitter tornou-se a segunda tela do espectador faz tempo. É um olho na televisão e outro na timeline. Quem usa o Twitter constantemente (tipo eu) sabe que existe uma AGENDA de eventos. Terça-feira as pessoas estão comentando Master Chefe, na quarta-feira tem o futebol, domingo tem The Walking Dead e GAME OF THRONES.

Eu me interessei pela série quando estava na segunda temporada. Mas eu sou dessas ~diferentona~ que gosta de ler o livro ANTES de ver o filme/série. Consegui ler os livros em 2013 e como não queria saber spoilers, domingo à noite eu nem dava as minhas caras no Twitter. Comecei a assinar a HBO apenas na quarta temporada. Geralmente eu baixava o episódio de GoT numa terça-feira, quando chegava do trabalho. Entrar no Facebook era um risco que eu não corria até ver o episódio.

Eu acredito que dá para comentar ao vivo no Twitter sem fazer grandes revelações da trama (tento agir assim). Mas se eu quiser fazer uma referência e escrever graficamente algo, é um direito meu. Se você não pode assistir o seriado no domingo e quer estar no Twitter olhando a timeline, é um direito seu também. Mas não fique chorando ou contando spoiler de outras coisas só porque você leu o que não queria. Dá pra ter bom senso. Se você não quer se privar de entrar nas suas redes sócias, por que as outras pessoas se privariam disso também? ¯\_(ツ)_/¯

No Facebook essa história de spoiler é mais complicada por causa do algoritmo. Algo que você postou onze da noite pode aparecer na timeline do seu amigo  (que ainda não viu a série) as quatro da tarde do dia seguinte. Daí é complicado... No Twitter enquanto passa o programa tem um contexto, agora, no Facebook entre uma foto de gatinho e uma notícia política, tomar um spoiler da série sem aviso, é triste. Já aconteceu comigo. Faz parte da brincadeira.

Tem pessoas indo além disso, comentando cena por cena no snapchat. Sem avisar as outras pessoas que faria isso. A pessoa está no seu direito? Esta. Mas isso é uma atitude meio babaca... quer dizer, você pode ser surpreendido e as outras pessoas não? Tá errado isso aí.

Spoiler tem data de validade?

Ok, mas eu quero postar uma foto ou um gif do episódio. Novamente, nada impede que você o faça, mas eu acredito no bom senso de esperar pelo menos umas 48h para soltar uma imagem.

E sobre a data de validade de um spoiler... Tem coisas que (supostamente) caem mesmo no conhecimento geral depois de um tempo. “Luke, I’m your father” é uma das frases mais famosas do cinema e puta dum spoiler pra quem não viu Star Wars. Mas quem AINDA não viu Star Wars? Um monte de gente hahaha. O primeiro filme foi lançado nos anos 70 e é um clássico. Existem referências enormes na cultura pop sobre o filme. Soltei um spoiler? Soltei. Mas é notícia velha já...

Comentar o final de “HarryPotter e as Relíquias da Morte”, livro lançado em 2007 (nove anos já!) será sempre um spoiler. Um spoiler velho, mas um spoiler. Não é algo que eu vá fazer propositalmente, mas não condeno quem falar disso mais abertamente.





Por isso que esse é um assunto tão controverso e que exalta os ânimos sempre. Tem gente que gosta de saber quem morreu ou ler a última página do livro. Já vi várias pessoas reclamando que Esquadrão Suicida tem muitos trailers, com isso, é spoiler...  *roll eyes* Só que na hora de apertar o play pra ver o vigésimo trailer do filme, quem foi que deu? Poooois é. TEMOS QUE TER BOM SENSO. AMBAS AS PARTES.

Soltar spoiler pra TODA a sua timeline porque você recebeu um também? É babaquice.

Brigar com seu amigo porque ele te contou o final de Blade Runner (1982)? É besteira.

Você contar PROPOSITALMENTE o final de Blade Runner pro seu amigo? É babaquice.  

Entrar no Twitter em horário de Game of Thrones e não querer ser atingido por um meme do episódio, é babaquice. Revidar contando o final de Guerra Civil é PIOR AINDA.


Gentileza é também é super bem-vinda “alerta de spoiler”, “vou postar a rodo coisas de tal filme e tal seriado”. Silenciar o amigo e ocultá-lo de sua timeline é ótimo. Faça a sua parte. Use o bom senso.