23 de maio de 2016

#FelipeNetoPeople

Eu não ia falar nada sobre isso porque não é problema meu. Mas estou muito incomodada não com o motivo da confusão e sim pela defesa de um dos argumentos. SEGUINTE! Pra quem não está sabendo o Felipe Neto (sempre ele) fez um vídeo em seu canal no YouTube falando que devemos parar de compartilhar besteiras na internet (besteiras que ele classificou como música funk).

Ele atribuiu essa grande viralização do funk na web à GERAÇÃO NÃO SALVO. Não Salvo é um blog criado pelo Cid, que faz uma curadoria de coisas bizarras e engraçadas que encontramos na internet. Cid fez um vídeo resposta ao Felipe Neto e a treta foi instaurada. Não estou aqui pra defender ponto de vista do Felipe Neto (pedindo para parar de compartilhar besteiras na internet é UM PARADOXO) e nem o Cid, que já defendeu seu ponto de vista.

O que me incomodou nessa história foi a tréplica do Felipe, que diz o seguinte: 

“Por que será que o Cid ficou tão puto ao ponto de fazer um vídeo resposta? Vocês acham que foi porque o Cid acha realmente que a cultura do funk é importante? (...) Eu comecei a pensar... O que o Cid fez até hoje? O que ele criou? O que ele deixou na internet? E daí eu entendi porque o Cid deixou levar para o pessoal. O Cid já tentou fazer muitas coisas que não deram certo. O que é normal, eu também. Ele criou um blog que explodiu divulgando funks e coisas que não foram criadas por ele. E desde então, ele tenta desesperadamente emplacar em outras redes, tentando que a imagem dele seja maior que o blog mas não consegue. Ele tentou ser empreendedor, abriu uma empresa e falhou... Falhou assim de uma maneira épica. Há pelo menos 6 anos ele tenta fazer um canal no youtube vingar. Acho que essa deve ser a sétima tentativa dele que não funciona. E no final, a única coisa que o Cid fez hoje que realmente deu certo foi divulgar funk” 

E daí ele continua ladeira abaixo. Quem quiser ver tudo, clica aqui

O meu ponto nessa história toda é: quantas pessoas a gente encontra na vida com esse discursinho pedante? Nos olhando por cima, diagnosticando o nosso “problema” como se fossem  especialistas no assunto, com ares doutores, se achando os donos da verdade, apontando nossas falhas com todo escárnio e presunção.

QUAL PROBLEMA DE FALHAR?

QUAL O PROBLEMA DE CONTINUAR TENTANDO?


QUAL PROBLEMA DE QUERER MUDAR?


QUAL O PROBLEMA DE TENTAR ALGO PELA SEGUNDA OU SÉTIMA VEZ?


POR QUE EXISTE ESSA CULTURA EM DEIXAR O OUTRO ENVERGONHADO DEVIDO PROJETOS QUE NÃO DERAM CERTO?


POR QUE AS PESSOAS GOSTAM DE DESESTIMULAR E 
ENVERGONHAR UMAS AS OUTRAS?


CHEGA DISSO!

Foda-se essa treta. O que me incomodou foi esse discurso medíocre e essa cultura que existe em fazer escárnio da pessoa que falha, no indivíduo que ousa mudar! Eu vi esse vídeo várias vezes, pensando nas coisas que foram ditas e nas coisas que eu já tive que escutar. E muitas vezes deixei de obedecer meu instinto e segui a opinião/conselho desse tipinho de gente. Muitas vezes pessoas tentaram me sentir envergonhada dos meus planos e sonhos. É isso que o Felipe Neto faz nesse vídeo.

Eu não sou especialista ou entendedora de nada. Tenho 29 anos e vi pouco da vida. Escrevo as coisas no blog com experiência e observações pessoais, e uma coisa que eu tenho certeza é que as coisas dão certo na base da TENTATIVA E ERRO. Raramente eu (e o resto da humanidade) acerto de primeira. A gente tenta, faz do jeito que dá, muda, erra, aperfeiçoa, tenta de novo, de novo e de novo.

Depois que resolvi acreditar no meu instinto e me cercar de pessoas com a mesma vibe, muita coisa mudou mesmo. Não mudou na velocidade que eu queria, porque as mudanças não são como um interruptor de liga e desliga, mas mudou. E eu tenho tentado algumas coisas que sempre tive medo desde então. Desde que passei a acreditar em mim, no meu potencial, colocando as mangas de fora, tentando e encarando todas as minhas falhas e sem deixar o medo me paralisar, a vida é outra. Peguei meu escudo anti-badvibes e estou aqui, tentando ser firme.

Vamos parar de fazer o coleguinha sentir vergonha pelos erros. Se não quer estender a mão pra ajudar, não atrapalhe. Exercício diário: julgar menos e se afastar desse povo que só quer olhar por cima.

E agora, voltando pra treta (rapidinho), eu nem acho o Cid tenha falhado epicamente do jeito que foi colocado. O cara até esses dias tinha programa de televisão na MIX TV, o NS tá aí desde 2008 pagando as suas contas, o cara viaja sempre, viraliza tudo o que coloca a mão, tá tentando mudar seu target que é uma coisa boa, então, sei lá. ¯\_(ツ)_/¯



A grande verdade é que para os olhos dos nossos críticos de plantão, todos os nossos projetos sempre serão vistos como falhas e erros.



19 de maio de 2016

Lifestyle da grama verde

Semana passada eu estava especialmente inspirada e querendo limpar as minhas coisas. Limpeza no sentido literal: água, sabão, desinfetante. Comecei pela minha estante de livros, separei uns exemplares para doação. Depois organizei todas as minhas roupas, separei sapatos e coisas que não usava mais e passei para frente. Limpei os sapatos, tênis e as botas. Esfreguei o chão, limpei os vidros, joguei maquiagem fora, organizei os meus lenços, coloquei as blusas de frio para tomar sol.

Eu lembro que estava me sentindo tão mal por algumas coisas e sentimentos que não me pertenciam. É duro falar para o seu psicológico que todas aquelas neuroses não são reais e, principalmente, não são suas.

Meu quarto estava limpo e arrumado como nunca. E melhor, do meu jeito. É bom empregar um tempinho arrumando as suas coisas, no seu tempo, no seu gosto, da forma que você achar melhor. Me fez um bem danado e me senti no controle do ambiente em que eu durmo e organizo as  minhas ideias.

Organizei meu celular também. Saí de vários grupos de whatsapp, organizei as pastas de imagens, arrumei os contatos, fiz backup de fotos sem antes apagar um monte de coisas que já não faziam mais sentido de estarem ali.


Uma foto publicada por Cami Rocha (@crioladoida) em

Depois limpei meu feed do Instagram e foi por isso que decidi escrever esse post. Não sou muito de seguir celebridades no Instagram e Snapchat, sou tão bombardeada com a vida dessas pessoas, indo atrás ou não. Mas eu amava seguir blogueira de moda consumo. Eu seguia várias. Assistindo o dia-a-dia delas de camarote, a viagem pra França nos hotéis superluxo com motorista particular, os “mimos” das marcas, cabeleireiro e maquiador a disposição 24 horas/7 dias da semana. Sem contar as festas em lugares maravilhosos com a ~nata da sociedade, sem problemas, tudo flash e carão no instagram.

Assistir aquela realidade, que não condiz nem um pouco com a minha, me fazia questionar muitas coisas. Tava me dando a impressão que a minha vida era uma merda, aquela falsa impressão que precisava de coisas que realmente não preciso. Assistir, ainda deitada na minha cama, tal blogueira tomar café da manhã com 15 tipos de frutas e bolos, toda a Nutella à disposição, com vista para os Alpes ou qualquer lugar paradisíaco, me fazia questionar duramente o café pilão da minha dispensa. Por mais que eu ame calçar minhas pantufas e preparar meu café preto, com a Jade nos meus calcanhares esfregando o brinquedinho querendo brincar. Eu amo isso! E mesmo assim, ficava pensando em ciclano que tá em Vegas e eu aqui, em Pirituba. O que eu fiz de errado? NADA! 

Café preto + Jade = amor. 

Não é que o blogueiro esteja errado ou que eu tenha trabalhado de menos e ele muito maisO tempo todo estão me querendo vender uma vida que não é minha, me fazendo querer comprar coisas que não preciso, achar que sou fracassada porque não estou fazendo uma viagem incrível para Tailândia (patrocinada por sei lá quem).

Eu sempre dei valor as minhas coisas, sou eternamente grata a minha família e amigos, as oportunidades que estão aparecendo. Entendo esse momento de transição que estou passando e que não está sendo fácil (mas poderia ser bem pior!) e, mesmo assim, estava questionando todas as coisas boas por causa de gente bebendo Moet & Chandon no gargalo no Coachella.  

Quando um blogueiro coloca “lifestyle” em sua biografia, ele quer dizer o que com isso? É uma pergunta legítima. O lifestyle dele é o certo e o meu não? O que raio quer dizer ESTILO DE VIDA? Qual estilo? O meu, o seu, da Thassia Naves ou Hugo Gloss?

A limpeza no armário e nas redes sociais foi um sucesso. As pessoas tem o direito de vender o que dizer, eu tenho direito de optar em fazer parte da audiência ou não. Ainda estou seguindo bloggers sim, são pessoas que acho que ainda agregam algo de bom, não é só consumo, são ideias

Não fique achando que sua vida é uma bosta por causa de foto bonita de celebridade no Instagram ou festa ba-ba-do sendo transmitida no Snapchat. Reúna seus amigos, arrume suas roupas, transe com seu namorado, faça a sua maratona no Netflix, estabilize suas metas e vá em frente. Aproveite as coisas que você tem. Cada um tem seu ritmo e seu caminho.  A grama da celebridade pode parecer mais verde que a sua, mas na maioria das vezes é o filtro do instagram e um ângulo bom

5 de maio de 2016

Spoilers e a Internet

É sempre assim, toda vez que começa uma nova temporada de Game of Thrones, o debate de spoilers se inicia pela milésima vez. Pra quem não sabe (o que eu duvido) o que um spoiler, clica aqui.

Domingo passado aconteceu algo superimpactante em Game of Thrones, com isso, timeline do Twitter explodiu de imagens e, consequentemente, spoilers. Depois da reação das pessoas que estavam assistindo o episódio, imediatamente vem a reação das pessoas que NÃO estavam assistindo.

SOCORRO, SPOILERS. SPOILERS. SPOILERS. 




MORRAM TODOS!



Algumas pessoas que sofreram com a espoliação, resolveram se vingar contando os acontecimentos do filme “Capitão América: Guerra Civil”, que estreou recentemente. Agora... paraparaparapara porque vejo DUAS SITUAÇÕES neste caso.



Eu ODEIO spoiler! DETESTO! Quero MORRER quando alguém me conta algo que eu não gostaria de saber, ainda mais quando é de uma forma gratuita e proposital. Eu sou cria do fandom de HarryPotter e participava de um fórum que tinha políticas severas contra spoiler. A cada lançamento de livro, era aberta uma sessão secreta para discutir os acontecimentos. Quem não sabia ler inglês ou preferia esperar a tradução, podia circular tranquilamente pelo fórum sem ser espoliado. Era uma bolha mágica da felicidade, os usuários realmente respeitavam essa regra e se você soltava um spoiler, era banido e mal visto pelos outros do fandom.
Só que não estou mais na bolha mágica daquele fórum potteriano. Estou no Facebook, Twitter e Snapchat. E as pessoas podem postar o que bem entenderem, certo? Certo. Eu tenho todo direito de fazer live tweeting durante o episódio de Game of Thrones e descrever graficamente o que está acontecendo ou esboçar as minhas reações. O que acho que precisamos é um pouco mais de bom senso de ambas as partesEntão vamos por partes.

O que é realmente um SPOILER?

Algumas pessoas acreditam que o simples fato de você falar se gostou ou não do que acabou de assistir/ler já é spoiler. Um simples “odiei esse episódio”, “ACABEI DE ASSISTIR FILME TAL NOSSA É F*DA PRA C*RALHOOOOOOOOOO!!!!111”. ISSO NÃO É SPOILER. PARE DE RESCURA. 



Você ficar chateado e brigar com algum amigo seu por simplesmente expressar sua reação se gostou ou não é frescura. Spoiler é contar algo RELEVANTE da trama. Tipo...

Scar matou Mufasa.
Joye e Pacey ficam juntos no final de Dawson’s Creek e a Jen morre de câncer.
Darth Vader é pai de Luke Skywalker.
No filme “Os Outros” todos estão mortos.


E assim por diante. ISSO É UM SPOILER. Falar algo crucial, uma morte importante, a mudança de rumo da história, algo que surpreenderia o expectador. Quando você solta um spoiler, você estraga a experiência da outra pessoa de surpreender-se também.










De vez em quando o spoiler acontece sem querer, escapa no meio de uma conversa animada. Seu amigo está assistindo uma série e você acaba sem querer revelando algo que ainda não aconteceu na temporada em que ele está vendo. Acontece! ¯\_(ツ)_/¯

Agora, voltemos pro twitter e redes sociais.
O Twitter tornou-se a segunda tela do espectador faz tempo. É um olho na televisão e outro na timeline. Quem usa o Twitter constantemente (tipo eu) sabe que existe uma AGENDA de eventos. Terça-feira as pessoas estão comentando Master Chefe, na quarta-feira tem o futebol, domingo tem The Walking Dead e GAME OF THRONES.

Eu me interessei pela série quando estava na segunda temporada. Mas eu sou dessas ~diferentona~ que gosta de ler o livro ANTES de ver o filme/série. Consegui ler os livros em 2013 e como não queria saber spoilers, domingo à noite eu nem dava as minhas caras no Twitter. Comecei a assinar a HBO apenas na quarta temporada. Geralmente eu baixava o episódio de GoT numa terça-feira, quando chegava do trabalho. Entrar no Facebook era um risco que eu não corria até ver o episódio.

Eu acredito que dá para comentar ao vivo no Twitter sem fazer grandes revelações da trama (tento agir assim). Mas se eu quiser fazer uma referência e escrever graficamente algo, é um direito meu. Se você não pode assistir o seriado no domingo e quer estar no Twitter olhando a timeline, é um direito seu também. Mas não fique chorando ou contando spoiler de outras coisas só porque você leu o que não queria. Dá pra ter bom senso. Se você não quer se privar de entrar nas suas redes sócias, por que as outras pessoas se privariam disso também? ¯\_(ツ)_/¯

No Facebook essa história de spoiler é mais complicada por causa do algoritmo. Algo que você postou onze da noite pode aparecer na timeline do seu amigo  (que ainda não viu a série) as quatro da tarde do dia seguinte. Daí é complicado... No Twitter enquanto passa o programa tem um contexto, agora, no Facebook entre uma foto de gatinho e uma notícia política, tomar um spoiler da série sem aviso, é triste. Já aconteceu comigo. Faz parte da brincadeira.

Tem pessoas indo além disso, comentando cena por cena no snapchat. Sem avisar as outras pessoas que faria isso. A pessoa está no seu direito? Esta. Mas isso é uma atitude meio babaca... quer dizer, você pode ser surpreendido e as outras pessoas não? Tá errado isso aí.

Spoiler tem data de validade?

Ok, mas eu quero postar uma foto ou um gif do episódio. Novamente, nada impede que você o faça, mas eu acredito no bom senso de esperar pelo menos umas 48h para soltar uma imagem.

E sobre a data de validade de um spoiler... Tem coisas que (supostamente) caem mesmo no conhecimento geral depois de um tempo. “Luke, I’m your father” é uma das frases mais famosas do cinema e puta dum spoiler pra quem não viu Star Wars. Mas quem AINDA não viu Star Wars? Um monte de gente hahaha. O primeiro filme foi lançado nos anos 70 e é um clássico. Existem referências enormes na cultura pop sobre o filme. Soltei um spoiler? Soltei. Mas é notícia velha já...

Comentar o final de “HarryPotter e as Relíquias da Morte”, livro lançado em 2007 (nove anos já!) será sempre um spoiler. Um spoiler velho, mas um spoiler. Não é algo que eu vá fazer propositalmente, mas não condeno quem falar disso mais abertamente.





Por isso que esse é um assunto tão controverso e que exalta os ânimos sempre. Tem gente que gosta de saber quem morreu ou ler a última página do livro. Já vi várias pessoas reclamando que Esquadrão Suicida tem muitos trailers, com isso, é spoiler...  *roll eyes* Só que na hora de apertar o play pra ver o vigésimo trailer do filme, quem foi que deu? Poooois é. TEMOS QUE TER BOM SENSO. AMBAS AS PARTES.

Soltar spoiler pra TODA a sua timeline porque você recebeu um também? É babaquice.

Brigar com seu amigo porque ele te contou o final de Blade Runner (1982)? É besteira.

Você contar PROPOSITALMENTE o final de Blade Runner pro seu amigo? É babaquice.  

Entrar no Twitter em horário de Game of Thrones e não querer ser atingido por um meme do episódio, é babaquice. Revidar contando o final de Guerra Civil é PIOR AINDA.


Gentileza é também é super bem-vinda “alerta de spoiler”, “vou postar a rodo coisas de tal filme e tal seriado”. Silenciar o amigo e ocultá-lo de sua timeline é ótimo. Faça a sua parte. Use o bom senso.


1 de maio de 2016

Maio chegou

4 anos hoje. E cada ano que passa é uma sensação diferente. Angústia. Aceitação. Saudade sem tristeza. Boas lembranças. O destino levou o último sopro de vida do meu pai em maio. E agora, o destino sopra novamente, desta vez nos trazendo uma nova vida: a Rafaela. Minha sobrinha nasce neste mês. É um novo ciclo que está prestes a começar. 
4 anos para entender, assimilar, aprender com os dias ruins e sorrir com os dias bons. 4 anos para entender que a vida continua e que vale a pena a caminhada, porque não saberemos nunca quais serão as outras surpresas que o destino nos reserva, se a gente desistir de caminhar. Saudades eternas. Continuaremos.

A vida não para.


28 de abril de 2016

Digitalmente analógica

Digitalmente analógica.

No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Mas não me surpreendi. Minhas retinas mais ou menos fatigadas já tinham checado previamente o caminho no Waze. O aplicativo traça as melhores rotas, mas eu ainda preservo meus próprios caminhos e atalhos pelo bairro.

Agendo os médicos no planner do celular. Dou comando de voz no Google perguntando qual será a previsão do tempo. Mas, se minha mãe fala pra levar casaco, eu levo.

Twitter.
Snapchat.
Tumblr.
Pinterest.
Facebook.

Estou em todas as redes sociais. Aplicativos mil para facilitar a vida cotidiana, mas ainda controlo meu ciclo menstrual na folhinha do calendário.

Dia desses resolvi me atualizar, fazer um curso de escrita criativa, me inteirar das novidades. Na bolsa, papel e caneta. Na sala de aula, os alunos tiravam fotos dos slides e faziam anotações diretamente no iPad. Todo conteúdo da aula estava disponível para download. Eu estava com a minha caneta bic azul nas mãos, olhando aquela movimentação tecnológica como se eu nunca tivesse visto todos aqueles gadgets.

Sala de aula e aprendizado sempre me remeteu à escrita cursiva. Vejo muitos vídeos no YouTube, dou joinha e compartilho, mas se acho o conteúdo realmente interessante, anoto as referencias em um caderno para usar mais tarde.

Nascida nos anos 80, criada nos anos 90 e virei adulta na virada do século. São muitas referências e levo todas elas comigo. Fiz trabalhos escolares em folha de almaço, tirei muita xérox de 10 centavos na faculdade. Tenho um Kindle, mas não dispenso meus livros físicos de maneira alguma. Gosto de abrir o livro, grifar com marca texto, fazer anotações em letras miúdas na borda das páginas.

O trabalho de conclusão de curso da faculdade foi feito a quatro mãos no GoogleDocs, mas muitas das pesquisas foram feitas nos livros da biblioteca.
Gosto de estar no meio. É divertido essa lacuna a qual pertenço. Raciocínio analógico e organização digital..

Tenho inúmeras playlists no Spotify, mas não dispenso promoção no bacião de cd’s e dvd’s nas Lojas Americanas. Kindle revolucionou minhas metas de leitura, mas não posso esquecer-me de devolver o livro que peguei emprestado na biblioteca semana que vem. Ligo pro delivery de comida que foi previamente escolhido verificando as referências na internet.

Sou meio assim, meio mozarela, meio calabresa. Levo sempre uma caneta na bolsa assim como o carregador do celular. Anoto no caderno os pensamentos soltos e organizo as referências estéticas no PinterestSou meio assim. Digitalmente analógica. Analogicamente digital. 



14 de abril de 2016

Em defesa das orelhas em livros!

Esses dias circulou bastante pelo meu feed de notícias no facebook essa ilustração:



Bom, eu sou um monstro. Não só faço orelhas no livro quando me falta um marcador, como faço anotações nas páginas, escrevo notinhas e impressões no rodapé. Faço exclamações, grifo com caneta marca texto palavras chaves ou parágrafos inteiros. Quando gosto muito de uma publicação, eu tenho um sentimento bem passional. Minha coleção de livros do Harry Potter está bem gasta. Li, reli, li de novo, anotei, emprestei, grifei, usei a contra capa de marcador de página. Esses livros estiveram embaixo do meu travesseiro, dentro da mochila junto com os cadernos da escola, no banco de trás do carro, dentro da bolsa de praia dividindo o lugar com areia e protetor solar.

Leio comendo? CERTAMENTE! 

O livro pra mim é uma ferramenta e, como uma boa ferramenta, precisamos usá-la. Então, eu me permito fazer anotações na cópia que adquiri. Quando eu abro “Harry Potter e Prisioneiro de Azkaban” e vejo as características e frases do personagem Remus Lupin, sublinhadas com lápis, lembro exatamente porque marquei aquelas passagens. Em “Garota Exemplar” da Gillian Flynn, tem uma anotação no final do livro que me fez rir esses dias “eles se merecem”.

Também não me importo de emprestar os meus livros. Acho que livro DEVE ser emprestado, deve ser compartilhado. As ideias precisam circular, se movimentar por aí. Que graça tem ler uma coisa sem poder compartilhar e discutir a história com alguém? Empresto os meus livros sim, com todo prazer. Tem pessoas que eu faço questão. Mando mensagem no whatsapp “CÊ PRECISA LER ISSO AQUI!”. Só peço que me devolva em bom estado. Já me devolveram livro sem capa, faltando página e sujo de terra. Assim não dá, né? Temos que ter respeito com a obra. Não acho que marcar uma passagem fazendo uma orelha na página ou com um marca texto seja desrespeito. É quase uma homenagem. Você gostou tanto que quer destacar de todo o resto. O chato é não devolver um livro. Ou devolvê-lo em estado lastimável. E quando pego algo emprestado (biblioteca ou de amigos), eu trato aquele exemplar da melhor forma possível. Lavo as mãos antes de ler (coisa que não faço nem com os meus). Caso eu leve o livro na bolsa, coloco dentro de uma sacola plástica e pronto!

Estou aqui em defesas dos ditos MONSTROS. Em nome dos MONSTROS, digo que marcar as páginas com a própria contracapa do livro não é desleixo, é praticidade. Contracapa foi feita pra isso! Salvem as orelhinhas, as anotações, os sublinhados, o marca texto amareloazulverdelaranja

Livro foi feito pra ser vivenciado. E se a minha vivência é um pouco mais ~emocionante que a sua, não significa que sou MONSTRO, uma orelhinha não faz mal há ninguém :P 

Vivência emocionante! 

5 de abril de 2016

Documentário: The Hunting Ground

The Hunting Ground é um documentário sobre os inúmeros casos de estupro nos campus das universidades dos Estados Unidos. Eu fiquei impressionada enquanto assistia, seja por conta dos relatos das vítimas que foram estupradas e como as instituições acadêmicas se mobilizam para ENCOBRIR os fatos, desacreditar as vítimas e não resolver os crimes.

“Por que eu não estou gritando? Por que ninguém vê isso? Quando você está apavorada e não sabe o que está se passando com você... Você simplesmente fica ali e espera que não morra. E era isso que eu esperava”

88% das vítimas de estupro não reportam a violência (dados do documentário). As universidades omitem os casos para o governo. Os administradores desencorajam as vítimas a reportarem formalmente porque uma vez reportado o abuso, vira domínio público.

A narrativa principal deste documentário fica por conta de duas alunas, Annie E. Clark e Andrea L. Pino que se mobilizaram para ajudar as vítimas de estupro dentro do campus da Universidade da Carolina do Norte. Juntas conseguiram achar brechas no sistema burocrático de leis e processos administrativos da universidade, foram ligando os pontos e perceberam que o problema era muito maior do que pensavam.



Lady Gaga (que também é uma sobrevivente de abuso sexual) compôs a música que faz parte do documentário: Til It Happens To You. Inclusive eu acho que deveria ter vencido o Oscar, mas, imagine se a Academia iria premiar uma música que fala sobre abuso sexual?


The Hunting Ground é realista, impactante, deixa o estômago embrulhado e os nervos à flor da pele por causa de tanta impunidade e descaso com um assunto tão sério que é a violência sexual e como isso se tornou banal, porque os estupradores raramente são punidos.


Tem que assistir! Está disponível na Netflix. 

31 de março de 2016

You're beautiful as you feel

Sabe quando você escuta uma coisa e não consegue parar de pensar nisso? Estou assim tem pelo menos um mês. Estava assistindo de madrugada meu feed no snapchat, quando uma pessoa muito querida disse que era um lixo. “Eu sou um lixo”. Eu pude sentir na hora o peso daquelas palavras e de que ela estava falando sério, apesar do sorriso.

Nas redes sociais, principalmente no Twitter, estamos acostumados a ler quase todos os dias “queria estar morta”. Aquele desabafo cômico/irônico que beira a banalidade de tantas vezes que lemos durante o dia. Mas esse negócio do LIXO, de ser UM LIXO, foi a mesma coisa que tomar um soco no peito. Eu revi aqueles snaps mais de três vezes. Quis escrever alguma coisa e falar “tá louca, VOCÊ NÃO É UM LIXO”, mas não sabia como dizer e convencer aquela mulher que ela é inteligente sim, bonita, divertida. Não tem nada de lixo!

Quantas vezes eu me senti assim no alto dos meus 20 e poucos anos? Inúmeras vezes. E assim como essa pessoa em questão, sempre usei do alívio cômico pra expressar esse sentimento pesado de sentir-se um zero à esquerda.

O humor causa a impressão de suavizar até as piores coisas. Eu já suavizei muitas situações e sentimentos usando do alivio cômico, principalmente quando estou nervosa. Uma risada quebra o gelo e é melhor rir de uma piada que você fez ao seu respeito do que um terceiro te esculachar, todo mundo rir e você fica lá, se sentindo um lixo. Quando eu fazia uma piada de mim mesma, tinha a falsa impressão que seria aceita. Mas varrer a baixa autoestima debaixo do tapete, fazer das coisas que você está sentindo uma piada e tornar isso um costume, foi uma das piores coisas já fiz. Mesmo quando eu estava falando sério, de verdade, sem fazer a engraçadona, as pessoas não acreditavam em mim. Ter a sua opinião desmerecida, sua voz silenciada e seus sentimentos banalizados porque durante anos da sua vida você fazia piada das suas dores e da sua tristeza, é horrível. E foi assim que parei de usar o alívio cômico para deixar os OUTROS CONFORTÁVEIS quando estava falando sério. Os resultados não foram imediatos, afinal, comecei a refletir sobre esse comportamento depois de anos, mas é bom ser levada a sério. Tem gente que ainda não me entende, que acha que sou burra em assuntos um pouco mais sérios, mas estou batendo o meu pé. Fecho a cara. Agora eu me levo a sério. Não sou uma piada, quero que levem minhas considerações a respeito e que não me tratem feito criança.

Infelizmente não tem pílula mágica pra olhar paro espelho e sentir-se melhor com as coisas que te incomodam há anos. Passei a vida toda sendo desacreditada e desacreditando de mim mesma. Perdi muito tempo, mas agora estou me entendendo cada dia melhor. Não canso de dizer isso aqui. E o primeiro passo fundamental foi parar de me desacreditar, começando pelas piadinhas. Chega de alívio cômico para coisas sérias. Acabou.

Eu gostaria muito que alguém lá no passado, nos meus 20-23 anos, tivesse falado que eu não era um lixo, que era importante, amada, bonita. E teve até gente que falou e tentou alguma coisa, mas simplesmente achava eu NÃO VALIA A PENA. Não acreditava em nada do que meus amigos diziam ou qualquer elogio sobre minhas qualidades. Sempre dei mais atenção para o reforço negativo da sociedade, das revistas femininas, das propagandas exaltando uma beleza que eu não poderia fazer parte, “você é bonita de rosto”. Tornei-me invisível pra mim mesma. Pior escolha. A maturidade, aos poucos, foi tirando esse véu espesso e apagando coisas que eu tinha escrito em pedra aos vinte e poucos anos. Eu me sinto péssima algumas vezes sim, tem dias ruins sim, mas eu sei que não sou um lixo. Ninguém aqui é.

Nada do que eu respondesse aquele snap iria convencer essa amiga que ela está errada a respeito de si mesma. Nada do que eu fale aqui vai fazer alguma diferença se vocês não acreditarem de verdade em seu potencial, em sua beleza e características específicas, em sua individualidade. As coisas não são de uma hora para outra, mas sempre estarei aqui falando que valemos a pena sim. E que um dia ser a diferentona do grupo, tida como desligada ou nerd, gorda desleixada ou magrela, ingênua, feminista demais ou qualquer rótulo que as pessoas tendem a nos colocar, não significará nada. Você sabe quem é, o seu valor e a que veio. E o resto nada mais importa. 



*O título do post de hoje é um trecho dessa música maravilhosa da Carole King. 


11 de março de 2016

Narciza Adelina da Rocha

O que acontece com uma mulher quando lhe é atribuída a vida toda a característica de FORTE? Adelina é uma mulher FORTE. Adelina é uma mulher GUERREIRA. Adelina vai superar rápido porque ela é MUITO FORTE. Adelina não precisa de ajuda porque ela é FORTE. Não é que não precise de ajuda ou de um abraço amigo. O que aconteceu é que desde pequena teve que decidir tudo sozinha, sem ajuda de pai ou colo de mãe.

Quando Adelina tinha 8 anos teve que sair de casa e do convívio de irmãos e pais para morar na casa da comadre de sua mãe. Nesta casa estranha e sem sorriso amigo, começou a trabalhar como gente grande, apesar de sua idade. Ajudava na mercearia e com os afazeres domésticos. Tinha o que comer e onde dormir, mas em compensação tinha que ouvir essas pessoas falarem absurdos sobre sua família e sobre ela.

“Adelina, se você fosse minha empregada já teria te colocado pra fora porque você não faz nada direito”.

“Você pensa que vai ser alguma coisa na vida? Você vai ser igual a sua mãe, uma lavadeira cheia de filhos”.

“Adelina, você vai passar a vida toda usando roupa usada, porque é isso que você merece”.

E assim foram os quatro anos mais longos de sua vida. Colocava a mesa e ajudava preparar a comida que nunca podia comer. Guardava brinquedos alheios que nunca podia brincar. O que fazia essa menina levantar todos os dias, é que um dia provaria que todos estavam errados a seu respeito e de sua família. Com 12 anos, escutando os gritos que era ingrata e mal educada, arrumou suas malas e conseguiu um emprego remunerado de empregada doméstica.

Dona Amélia era uma boa mulher e a tratava como filha. Lá ela não passava vontade de nada, ganhava ovos de páscoa e pela primeira vez comemorou o Natal. A mesa posta com louça de porcelana, todo mundo com a sua melhor roupa, as risadas e presentes. Estava maravilhada, mas, ao mesmo tempo, aquela não era sua família e nem sua casa de verdade. Havia muito a ser feito, precisava trabalhar mais ainda. Queria ter um lar de verdade.

Com 18 anos virou professora de datilografia, mesmo não sabendo datilografar direito. Os dedos por diversas vezes escapavam dentro das teclas da máquina de escrever, mas não iria desistir tão fácil assim. A vida foi tomando seu rumo, ficou noiva de Mauro, deixou a datilografia e agora trabalhava num escritório contábil.

Adelina aprendia rápido e de emprego em emprego, evoluía mais e mais. Agora tinha dinheiro para comprar roupas boas pra ela, ajudava sua mãe com as contas da casa, comprou um carro. Mas ela queria mais! Resolveu voltar a estudar, mas seu noivo se opôs. “Mulher não precisa estudar, tá bom o jeito que está”. Naquela época desmanchar um noivado de 5 anos era burrice, um ultraje! Adelina optou pela fama de mal amada. Era melhor ficar pra titia do que não estudar. Matriculou-se no supletivo para cursar o ginásio. Fez o colegial. Prestou todos os vestibulares que conseguiu. Entrou para faculdade de Ciências Contábeis na FMU. As portas em sua carreia abriram-se mais com a faculdade. Adelina era só trabalho e estudo. Estudo e trabalho. Se queria sair do aluguel, aquilo era só o começo.

Entre uma aula e outra na faculdade, acabou conhecendo Roque e as borboletas no estomago voltaram. Se antes sua rotina era preto & branco, trabalho e estudo, Roque trouxe-lhe cores. Conheceu o que a maioria dos jovens faziam naquela época: se divertiam. Ela conheceu restaurantes novos, saíam para dançar e o sorriso era mais solto. Começaram a namorar e Adelina logo pediu Roque em casamento. Juntos, comparam uma casa e o pontapé para ter um lar foi dado.

Agora Adelina tinha o registro de INDUSTRIÁRIA na carteira. Trabalhava em um ambiente 100% masculino. Tinha que ser dura no meio de todos aqueles homens que duvidavam de sua capacidade por usar saia e salto 15. Foi galgando sua carreira na indústria, depois conseguiu um cargo alto e chefiava o departamento de contabilidade de uma grande empresa.

Ficou grávida de Camila, sua primeira filha e não conseguia mais conciliar a carreira, com casamento, estudo e agora mãe. Deixou a faculdade com a promessa que um dia voltaria. A carreira de Roque começou a despontar também e, com isso, ele viajava bastante. Adelina teve que enfrentar situações difíceis, sozinha e com bebê de colo. Mas era forte, uma mulher que aguenta tudo.

Sobrecarregada com a rotina, sofreu uma aborto espontâneo em casa, sem marido pra ajudar, sem amigos para ligar. Era só o sangue escorrendo pelas suas pernas e o desespero de, pela primeira vez na vida, não saber o que fazer.Logo depois engravidou de Guilherme, que nasceu forte e robusto. A família estava completa e sentia-se feliz de verdade. Roque vez ou outra encontrava instabilidade na carreira e Adelina sempre foi o porto seguro da família.

Criar dois filhos demandava muito tempo assim como seu cargo de diretora contábil. Abdicou de sua carreira de sucesso para dar atenção completa para os filhos, coisa que não tivera quando pequena. Adelina quis dar aos filhos aquilo que não tivera quando pequena: atenção e proteção.

Com o tempo, o dinheiro do marido mostrou-se pouco para o sustento da casa e estudo dos filhos. Começou a fazer artesanato. Sua mãe apoiou a causa e lhe deu uma máquina de costurar. Durante anos Adelina ajudou a sustentar a casa com seus bordados, crochê e pinturas. O dinheiro era pouco, toda ajuda no orçamento da casa era excelente.

As crianças tornaram-se adolescentes e Adelina voltou para contabilidade. Os números sempre foram seu forte. A matemática é exata e fácil, quando as relações humanas lhe pareciam complicadas demais. A fama de durona sempre lhe acompanhou como uma sombra. Não escolheu ser assim, mas esse era seu mecanismo de defesa. Teve que erguer a cabeça muitas vezes e engolir o choro quando seu irmão mais velho lhe surrava no meio da rua pelo simples fato de ser mulher. Teve que construir um muro quando era empregada doméstica e patrões achavam que poderiam conseguir algo além.

Esse muro só ficou maior quando o câncer de mama chegou. “Mas você vai conseguir, Adelina. Você é forte”, as pessoas diziam. Será que conseguiria? Toda vez que a enfermeira custava achar a sua veia, toda vez que ia trabalhar e o gosto amargo da quimioterapia subia pela boca, quando o enjoo e vômito não cessavam, ela se perguntava se conseguiria. Foi quando Roque abruptamente morreu de pneumonia. Adelina não teve tempo para ficar de luto enquanto lutava contra o câncer.

O luto, solidão e a falta das cores de Roque, lhe assolaram muito tempo depois. Dá mesmo para continuar vivendo sem seu companheiro, sem seu alívio cômico, uma pessoa que via Adelina não como uma rocha, mas como uma mulher que precisa de carinho e atenção.


Mais uma vez Adelina teve que colocar-se em prova. Desta vez não para os outros, mas para si mesmo. Principalmente para ela! Era sua vez agora. E depois de tanto trabalhar e fazer-se de forte quando realmente tudo está quebrado, agora está aprendendo que é normal chorar quando está triste. Que pode gargalhar alto quando se está feliz. Que não há nada de errado em ser uma mulher decidida e que tem objetivos. Dá pra continuar sim, a vida não para. Nem Adelina. 


Narciza Adelina vulgo #donanarciza @ 2016.