5 de outubro de 2017

Alô, aqui é a Lady Gaga.

Eu e Lady Gaga é o SEGUINTE: primeiro não entendia, fui impactada pela música e virei fã. Lembro do buzz em cima da persona Lady Gaga, as vestimentas, os exageros e do clipe de Poker Face tocando loucamente no lobby do hotel onde eu trabalhava. Eu simplesmente não entendia, achava um pouco demais pra mim. Só sei que a vida seguiu e fui IMPACTADA quando vi o clipe de Bad Romance. MEU DEUS DO CÉU, QUE MULHER É ESSA, QUE MÚSICA É ESSAAAAAAAAAA. Fui procurar mais a respeito e descobri que já gostava da música dela (não sabia que Just Dance e LoveGame eram músicas da Gaga). Comprei The Fame nas Lojas Americanas na mesma semana por R$ 19,90.  Ela me conquistou de verdade. Ano passado, com o lançamento de Joanne, tive um mini surto porque estava com saudades genuínas da Lady Gaga. Joanne é maravilhoso, tem rock, tem country, tem pop, é autêntico e direito. Existe uma sinceridade nas letras, tem sofrimento e drama também o lado que dá pra se divertir sozinha (vide Dancing in Circles). É o álbum que mais escutei esse ano, os ranking na last.fm não me deixa mentir. 



Tooooooooooda essa introdução pra dizer que não esperaria menos do documentário biográfico que estrou na Netflix mês passado, sobre essa artista incrível que é LADY GAGA. #pawsup
Gaga: Five Foot Two é um relato honesto, limpo e sincero. Despida de todo glamour que estamos acostumados, fui acolhida naquela atmosfera intimista de 1 hora e 40 minutos. Gaga chorando, contanto suas inseguranças e como a maturidade dos trinta anos ajudou o fortalecimento dela como cantora/compositora, que não tem mais tempo e saco para dramas de relacionamento e assim vai. Ela fala sobre a treta antiga com a Madonna, muito do processo criativo durante a gravação de Joanne. Eu particularmente amei essas partes do estúdio com o Mark Ronson.



E como essa mulher fica doente! Como o emocional dessas pessoas que trabalham com música e mídia precisam ser bem trabalhados. Tem uma cena que me marcou bastante, ela toda doente e cheia de dores, tomando injeções enquanto uma maquiadora começava a preparar a sua pele, porque ela tinha um compromisso em tal lugar. Surreal!



As cenas com a família são bonitas também. Aquele mito que construímos (até porque Lady Gaga construiu essa persona pro fãs, mídia e pra si mesma) ao longo dos anos cai um pouco por terra. Em Gaga: Five Foot Two conhecemos um pouquinho da Stefani Germanotta (e aliás, ela atende o telefone e fala STEFANI), que presa a família, chora pelos amigos e fuma um no carro dos avós hahaha.
Documentário disponível na Netflix. Inspirador e bonito demais, meu povo! Tem que assistir!


1 de maio de 2017

Uma carta para meu pai

E lá se foram quatro anos da última vez que te escrevi. Eu queria te contar novidades sobre mim. Queria ser a protagonista da minha própria carta. Meus dedos coçaram quando eu mudei de emprego (mas não deu muito certo), quando terminamos a reforma da casa (mas foi uma vitória da mãe, não minha), quando a Karine ficou grávida, quando o Palmeiras foi campeão ano passado... enfim, eram sempre os outros, por isso demorei. Mas estou aqui agora.
A minha grande insegurança e maior medo sempre foi a questão da minha profissão. Não saber o que fazer da vida enquanto todo mundo (aparentemente) sabe o que está fazendo sempre foi difícil pra mim. Por isso eu não fazia planos para o amanhã porque não simplesmente não me importava. Não é que eu tenha certeza do que eu esteja fazendo agora. Não estou escrevendo essa carta da minha sala de gerência de um hotel de luxo, nem de porque comprei um carro ou algo do tipo... Todas as mudanças foram internas. É como se eu fosse um grande pedaço de terra.. 2012 e 2014 foram anos devastadores, de certa forma. Pra começar de novo, e começar bem, tive que arrancar da terra tudo que estava plantado. Rever os conceitos, conhecer o chão onde estava pisando novamente. Trabalhei essa terra com muita psicologia, tomei remédios. E depois o que plantar ali? Muitas possibilidades. Não sei quando tempo eu fiquei olhando e pensando E AGORA O QUE VOU PLANTAR AQUI. Eu me sentia muito sozinha. Naquele desespero e angústia, tentei germinar uma rota de fuga com algumas sementes velhas que ainda estavam no meu bolso. Só pra garantir, vai que... Não nasceu nada. 
Comecei a escrever. Escrevia quase todos os dias. A escrita me ajudou bastante. Ocupava minhas tardes, retomei um livro que tinha começado. Tava tudo ótimo. Até que perdi tudo. De novo. Naquele dia deu tudo errado. A mãe chegou estressada do trabalho, me encontrou de pijamas e com cara de choro. A gente brigou. Peguei um ônibus pra sei lá onde, comprei uma garrafa de vinho e fui pro cinema. Só tinha certeza que eu não poderia parar de escrever porque, até então, era a única coisa que eu sabia fazer. Continuei com o blog, mandei e-mail para um monte de sites da internet, corrigi inúmeros trabalhos (dava pouco dinheiro, mas era o que tinha), ia para biblioteca de Pirituba de tarde pra não ficar o dia todo fechada dentro de casa. 
Eu me sentia ótima emocionalmente mas não me sentia útil. Até cogitei plantar uma semente velha novamente (guardei uma no meu bolso), mas decidi jogar fora de vez. A mãe disse: por que você não vai estudar fotografia? Ideia absurda. Não sei mexer em photoshop, não sabia lidar com flash, custa caro
Mas, por que não? Eu fiquei enrolando a mãe durante um mês. Estava animada com a possibilidade, mas aterrorizada com os custos. Não queria abusar, detesto a ideia de ser um peso, eu queria fazer as coisas de uma outra forma. Mas dei essa chance e cá estou eu, maravilhada com as possibilidades. Voltar a estudar é muito bom. O primeiro dia de aula eu só conseguia pensar "COMO EU FIQUEI TANTO TEMPO FORA DE UMA SALA DE AULA?". Estudar uma algo que você gosta dá todo sentido pra vida. E ali, naquela terra enorme, do lado da plantinha da escrita, com as sementes que ganhei da mãe, estou regando a fotografia. Pode vingar, pode não vingar, mas estou cuidando dessa plantação com carinho. Não é sempre que receberei sementes mágicas da mãe. Ela tem a terra dela pra cuidar também. Tô me sentindo útil e aprendendo bastante. 
E não poderia deixar de falar de outra pessoa. De duas, aliás. Da Rafaela e do Guilherme. Karine ficou grávida, foi um susto (MEUDEUSDOCEU COMO VAMOS FAZER AGORA?) mas dois minutos depois a mãe já estava comprando roupinhas de criança na Renner. 


Rafaela com 11 meses. Guilherme com 28 anos.

Quando soubemos que era uma menina que  Karine estava carregando na barriga, eu chorei tanto. Era felicidade mas era muita tristeza porque você não tava aqui pra ver essa semente do Guilherme. Eu chorei igual no dia que você morreu. Eu achei que fosse verter tudo em água aqui em casa. Mariana veio aqui, fez um macarrão, a gente jantou e foi bom. Não precisou falar nada. Tem pessoas nessa vida que a gente conversa sem precisar conversar. 



 


A Rafaela chegou no mesmo mês em que você partiu. Você foi embora dia primeiro de maio e a Rafa chegou no último dia desse mês. A vida mudou bastante depois da chegada da Rafucha. A mãe se derrete toda pela neta, não sente dor nos joelhos nem nas costas com a Rafa está por perto. 




E te falar que a Rafaela é uma menina inteligente, graciosa, risonha e feliz. Guilherme e Karine estão cuidando bem dela. Eu nunca achei que pudesse sentir esse amor por outra pessoa da minha família. Ela é linda, saudável e geminiana igual a tia. Morro de orgulho disso. Há de ser uma criança feliz (aliás, já é) como eu e Guilherme fomos quando éramos pequenos. 



A vida tá seguindo. Tem dias que me dói de não ter você aqui vendo a Rafa crescer, vendo os meus brotinhos ficarem verdes, mas eu carrego sempre a sua memória e pode ter certeza que enquanto eu estiver por aqui, a Rafaela vai saber do seu outro avô Roque Teixeira Neto, que tinha uma risada alta e era doido por amendoins.


Ela conhece você, pai.

Ela carrega seu nome também.

Sinto saudades. Mas aquela saudade boa. Te amo demais. 
Te escrevo de novo contando coisas boas ao meu respeito. Todos mandam beijos, abraços e pistaches. A Rafa te manda um sorrisão. 
Da sua filha,
Camila. 




3 de fevereiro de 2017

O que aprendi sendo dona de casa

Meu último emprego convencional segunda à sexta, registro em carteira, vale transporte e tudo isso que tem direito, foi há dois anos. Entre repensar a carreira, investir na saúde mental, do ano quase sabático pra loucura de COMO EU FAÇO MEU TRABALHO VIRAR DINHEIRO, eu me tornei uma dona de casa. E realmente não me incomodo com o título DONA DE CASA.

E antes desses dois anos fazendo essa revisão louca de planos e carreira, eu achava que sabia de tudo sobre as tarefas domésticas. Meu Deus, como eu estava enganada!

Entre um emprego e outro na hotelaria, sempre fiquei uns dois meses em casa, naquela correria angustiante de entrevistas e dinâmicas. E nesses meses que ficava em casa, me encarregava de tarefas domésticas, tipo, fazer almoço, adiantar a jantar, lavar umas louças e essas coisinhas. Sempre ajudei a minha mãe com pequenas tarefas domésticas. Quando era criança, tipo uns nove anos, já arrumava a minha cama e do meu irmão. Daí a gente cresce, vira adolescente e vai ajudando com a louça, passando aspirador no quarto, aprendendo a fazer um arroz, passando uma enceradeira na sala.
Minha mãe é uma pessoa chata exigente, as diaristas aqui em casa nunca duravam muito tempo. Eu lembro mais na minha infância, uma vez por semana vinha alguém, mas na adolescência e fase adulta, 99% dos afazeres domésticos ficavam por conta da minha mãe. Minha única obrigação real era limpar a sala aos sábados, louça da janta também sempre foi minha.

Toda essa introdução só pra falar que gente, é uma LOUCURA administrar uma casa. VOCÊS NÃO TEM IDEIA. EU NÃO TINHA IDEIA. ALIÁS, AINDA NÃO TENHO. Ser dona de casa é puxado, cansativo, o serviço não para, não tem hora para começar e muito menos para acabar. Ninguém dá o devido valor ao seu trabalho. As pessoas nunca percebem o que você fez e sim o que você deixou de fazer! NÃO EXISTE REMUNERAÇÃO, SÓ COBRANÇA!

Home office = vidão
“Ah, tá trabalhando em casa de pijama. Isso que é vida”.
“Em três horinhas você resolve isso”.
“Qualquer coisa você tira um cochilinho”.

Se você não organizar REAL a sua semana, montar uma rotina em cima dessa vida que parece que não tem rotina, você não faz nada. Se eu acordar e não tirar o pijama, o dia já começa errado. Às vezes acontece de me enrolar, perder a hora e meio dia eu ainda estou com a calça do pijama, mas eu preciso me trocar e me preparar para as tarefas do home office E as tarefas de casa.

Lista de "coisas que precisamos comer antes que estrague" hahah 


Minha Casa Minha Poeira
Eu moro em um sobrado com: garagem, sala, cozinha, quintal, dois quartos, banheiro, lavabo e varanda. A rua onde moro é bastante movimentada, aqui passam duas linhas de ônibus importantes do bairro, rota para pegar a rodovia Anhanguera. Em frente de casa tem um lava rápido movimentadíssimo. É uma poeira dos INFERNOS. Os dias que me dedico quase que exclusivamente aos afazeres domésticos são de segunda, quarta e sexta. PRECISO varrer a casa três vezes na semana e passar pano, senão começa acumular BOLAS DE POEIRA por TODOS OS LADOS. A minha casa demanda muito tempo e eu sou DEVAGAR para realizar as tarefas porque me disperso muito rápido. Nos dias da casa (seg, qua, sex) são os dias que lavo as roupas, faço uma manutenção nos cômodos, executo alguma tarefa específica que minha mãe me pede.

Enxugando gelo
Mesmo designando as tarefas da casa para dias específicos, isso não significa que nos outros dias eu não lide de maneira nenhuma com afazeres domésticos. Todo dia eu faço almoço. Todo dia eu lavo uma pilha de louça. Como não temos micro-ondas, qualquer coisa que vá fazer ou esquentar na cozinha, lá se vão três panelas sujas. A Jade faz xixi o dia inteiro. Trocamos os jornal umas cinco vezes no dia. O quintal é grande, se não limpa na hora, o xixi escorre até o banheirinho, daí empoça e junta mosca. E cada vez que troca de jornal, é uma esfregada no chão + lavar o pano. E tem vezes ela faz xixi na varanda, então, toca subir com balde 18 lances de escada e esfregar a varanda. Só cuidado pra limpar as patas da cachorra depois, senão ela entra com as patas molhadas no quarto e daí você vai ter que passar pano em mais dois cômodos.

Vai encarar?


EU SEI DE TUDO
Eu sempre achei SENSACIONAL o fato da minha mãe saber o paradeiro de qualquer objeto da casa. Bom, eu adquiri esses poderes. Na verdade não tem nada de glamour. Como é de minha responsabilidade manter a casa em ordem, eu acabo guardando todo e qualquer objeto meio que automaticamente. E de repente minha mãe me pergunta de uma calça jeans ou do papelzinho que estava atrás da televisão, eu sei a resposta. Porque eu guardei ou simplesmente joguei o tal papelzinho fora hahaha! Também sei com bastante precisão se falta algo na despensa, se tem mistura suficiente pra semana, quando aparece uma goteira nova na casa... São coisas que não enxergava antigamente e agora qualquer mudança, mínima que seja, já consigo perceber.

Mr. Músculo é o meu pastor e TÁ TUDO MUITO CARO
Antigamente minha sessão favorita no mercado era a parte de salgadinhos e bolachas. Não que não ame essa parte, mas a seção de produtos de limpeza é um negocio de doido. Mr. Músculo é mil vezes melhor que Veja, mas aquele Veja desengordurantes pra limpar o fogão é uma benção. Ajax festa das flores roxinho é meu favorito, sabão em pó qualquer um vai, mas eu amaciante de roupas eu prefiro o Confort. Como os produtos de limpeza são CAROS. Como as feiras livres são MARAVILHOSAS. Com 25 reais na feira eu faço a festa. Com 25 reais no supermercado eu volto com tomate e abobrinha. E tem semana que não dá pra ir à feira (aliás, faz tempo que não vou), daí não tem jeito... e tudo bem também! Não dá pra ficar se martirizando.
Vanish Poder 02 é um tesão mas a crise me ensinou que não dá pra ficar gastando muito com Vanish, então, procuro cuidar melhor das minhas roupas e tentar me sujar menos na hora de comer (30 anos na cara e ainda derrubo comida na roupa). Me policio 100% mais, em tudo. Uso de produtos, a forma de lavar roupa, minha mãe cobra demais pra lembrar sempre de usar a água da chuva pra lavar os panos e quintal (tem vez que esqueço).


Qualquer ajuda é válida
Eu quero encher a minha mãe de beijos toda vez que me esqueço de colocar o lixo pra fora e vejo no dia seguinte que ela se lembrou. Eu choro de alegria quando a visita ajuda com a louça. Não é a obrigação e você já entrou no piloto automático de ir tirando a mesa e já lavando a louça, mas é tão bom quando alguém ajuda. É tão bom quando alguém fica papeando com você enquanto termina de limpar o fogão ou te dá os pregadores enquanto você estende a roupa. Aquela vontade louca de estourar rojão quando alguém lhe devolve os tapauer ou aparece na sua casa com um sorvete e uma garrafa de vinho. São coisas mínimas, mas é quase um afago na alma, sabe?

O trabalho de dona de casa é infinito porque a casa e as pessoas que vivem ali não param. Infelizmente o seu trabalho só é notado quando você deixa de fazer algo. Tem dia que você vai fazer mil coisas ao mesmo tempo e vai ficar aquela sensação de trabalho mal feito, vai olhar prum cantinho e notar uma mancha, uma meia caída atrás da porta, a roupa centrifugada esquecida dentro da máquina porque você estava limpando o estofado do sofá ou fazendo a janta.

Balde, vassoura e chinela = look de sexta-feira

Conviver com a constante paranoia de “estou sentindo cheiro de xixi ou a impressão é minha?” e “será que as pessoas vão notar que me esqueci de tirar pó da mesinha da sala?”. Hahahaha! Aprendi que não dá manter aquela casa de revista,ainda mais se você tem crianças, cachorros. Eu e minha mãe fazemos uma bagunça aqui e tudo bem. Minha mãe se cobra muito, ela é de uma geração diferente que a sua casa tinha que estar 100%  impecável. Mas não é assim que se vive, ainda mais quando você não tem grana para uma diarista ou alguém para passar suas roupas e te ajudar com o serviço doméstico.

Tem aquele dia que você capricha na janta, faz um bolo complicado e ninguém vai perceber. Os azulejos da cozinha brilhando e os móveis da sala numa posição diferente e ninguém vai ligar. E daí você começa a questionar como sua mãe aguentou tanto tempo ou quantas vezes você chegou da rua e nunca parou pra comentar do arranjo de flores na sala ou como as suas roupas estão magicamente limpas e passadas no cabide.

Cuidar da casa cansa muito e não dá pra fazer disso um pesadelo. Pelo menos eu tento não entrar na pira e enlouquecer. Não vou falar para ninguém “desculpe aí a bagunça” porque essa é minha casa, esse é meu espaço, aqui a gente curte todos os cantinhos do nosso sobrado e caso alguém tenha sentado em um brinquedo da Jade escondido atrás da almoçada ou se incomodado com as folhas secas na garagem, olha, faz parte!

AMO PLANTINHAS! 



9 de dezembro de 2016

Eu só quero dar certo

Eu amo fim de ano porque além de Natal e Ano Novo (eu acho divertido, mesmo), sempre rola aquele balanço pessoal dos acontecimentos. As coisas boas, as treta e os tropeções, os planos saindo do papel, o amargo da decepção e por aí vai.
2016 começou com dois pés na porta, levando um monte de gente embora (Bowie) MEUDEUSDOCÉU QQ TÁ ACONTECENDO COM A POLÍTICA e aquela pergunta constante: o que estou fazendo com a minha vida?


O que estou fazendo com a minha vida?
O que tô fazendo com a minha vida?
O que tô fazeno ca minha vida?

O qqfazeno ca minha vida?

Em 2016 eu completei 30 anos de vida e não conquistei nada daquilo que se espera de uma pessoa com trinta; conquistei bem menos daquilo que meus pais imaginaram pra mim. Sempre quando penso nessas expectativas que foram depositadas sobre mim e quanto mais eu fico longe do que era esperado, eu fico triste. Aquela tristeza que fecha a garganta e faz os olhos transbordarem. Aquela tristeza do peito pesado e desesperança tão grande de não saber literalmente o que fazer. 

Eu fui a primeira dos meus primos a ir pra faculdade. "A Camila é muito inteligente. A Camila vai se dar bem". Quando eu escolhi Hotelaria e deixei Letras de lado, eu estava pensando no dinheiro. Passava em frente do Renaissance e sonhava em trabalhar lá. Eu pensava em viagens e dar conforto pros meus pais. "A Camila é inteligente. Ela vai virar gerente". Fui uma das últimas da minha sala a conseguir estágio. Trabalhei e aprendi bastante na hotelaria. Sempre me doei ao máximo. Dormia no hotel, fazia hora extra, ensinava os mais novos, me esforçava ao máximo. Participava de tudo, criava campanhas disso e daquilo, vestia a camisa. Toda vez que tentava dar um passo adiante, era uma frustramento. Quantas vezes eu treinei pessoas que acabaram pegando o meu lugar ou uma vaga que queriaQuantas vezes eu cobri férias de supervisor pra nunca ser lembrada na hora da promoção ou oportunidade interna? "Ah, mas você chegou agora! É novinha!", eles diziam. Cada vez que eu saia de um emprego e ia pra outro, nada era falado, mas eu sentia aquela cobrança de "apostamos em você mas sabia que você estragaria coisa no meio do caminho" ou então "você tem mania de perseguição, todo emprego é ruim". A última briga com o meu pai (e foi uma briga horrorosa) foi porque eu estava com salário e vale transporte atrasados. Eu estava revoltadíssima. O primeiro mês no emprego eu não reclamei. Tava com medo. Nos meses seguintes eu queria tacar fogo em tudo. E meu pai não aceitava isso, porque "você não está passando fome e existem coisas piores na vida". Eu só queria meu dinheiro devido. E foi pensando em dar conforto aos meus pais e retribuir tudo o que eles me deram, eu estava ali, discutindo na mesa de jantar e decepcionado mais uma vez. 

Eu aprendi a viver com essa descrença em mim mesma durante anos. Tanto tempo que eu nem sei. Mas as coisas realmente mudam de fato quando você acredita naquilo que faz e tenta isolar no máximo as pessoas falando que você não vai conseguir. 

Acreditar nos planos e levar a coisa a sério. Sair na cama mesmo sem vontade porque as coisas não acontecem comigo parada. Eu tive que recomeçar tantas vezes e isso me incomoda um pouco. Esse meu delay em relação aos meus amigos, essa lacuna de estar engatinhando enquanto todo mundo já está andando de bicicleta. Toda vez que penso nas fichas dos meus pais empoeirando com o passar dos anos, mais frustrada eu fico. Então eu não penso mais nas expectativas alheias, eu penso nas minhas. É um exercício diário para o meu cérebro e minha ansiedade. É daqui pra frente. Tenta de novo. Faz diferente. Não tenha pressa mas também não se acomode. 

Em 2016 eu vi tanta gente mostrando as suas verdadeiras cores e conquistando cada coisa linda. Bia publicou um livro, meu irmão e cunhada agora tem uma filha, Letícia gravidíssima, Flávia bombando no Pop Plus Size, Saboaria Tamarindo da querida Virgínia, Manza comprou seu primeiro apartamento, Luis passou no concurso, Lets arrazany como maquiadora. Eu cerquei a minha mente disso. E por mais que ainda tenho que escutar "você não pode tudo não", eu sei que eu posso. Cada vez que me fortaleço, sempre tem alguém pra dar aquela risadinha de descrença ou apontar o dedo em um momento de fraqueza.

Eu tô tentando. Eu só quero dar certo nesse ano, no próximo e no que vem depois deste. Quero ter orgulho de mim mesma. Anseio pelo meu próprio espaço, por viagens, remuneração através da escrita e da fotografia. Quero que isso aconteça demais. 2016 me ensinou isso. Se você tá atolada numa fase ruim, é porque ainda não aprendeu todas as coisas que poderia pra sair do atoleiro. Eu só quero dar certo. Da minha maneira, do meu jeito e superando as minhas expectativas. 

Torçam por mim 💖


18 de outubro de 2016

O nome disso é RACISMO

Alisa esse cabelo. Você já fez escova? E chapinha? Progressiva? Quando você acorda seu cabelo fica como? Qualé o pente que te penteia? Você penteia seu cabelo?
O bom de você ser morena é que não precisa usar protetor solar.
Você pode disfarçar esse seu beiço fazendo aquela técnica de contorno com lápis das Kardashian.
Nossa, mas precisa falar toda hora da cultura africana? Que exagero.
Gosto de você mesmo sendo gordinha e pretinha.
A Camila entende de macumba, pergunta pra ela.
Cor-de-rosa não combina com tom de pele, gente de cor não pode usar rosa...
E como você faz quando molha o seu cabelo?
Seu nariz é um pouco inadequado.
Você não é negra, você é parda. Negro é quem tem cabelo ruim.
Tu já é pretinha... Tem que emagrecer um pouco pra se encaixar e arranjar um estágio.
Mas você faz mesmo questão de deixar seu cabelo pro alto, né?
Você usa o cabelo assim agora porque tá na moda.
Ahhhhh, ela é sua mãe? Nossa! Não parece.
Tem um ditado que quando preto não caga na entrada ele caga na saída, né? Você tem que mostrar o trabalho em dobro.
Você é parda, tem que dar graças a Deus.
Você tem sorte porque neguinha não tem câncer de pele.
A dona da casa está aí? Deixa eu falar com a sua patroa?

Ela é tua mãe mesmo ou você é adotada?

Nossa, mas você não parece nada com a sua família.
Moça, esse aí é o elevador social, o de serviço é aquele outro ali. 
Corta esse cabelo que você arranja um emprego rapidinho. 
Se você quer tanta representatividade assim vai ler a revista Raça.
Muita vitimização da sua parte. Me chamavam de branquela na escola.
Que preta é você que não sabe sambar? Rebola aí.
Perdeu alguma coisa? Deve estar no cabelo da Camila.

Você não tem nada a ver com a sua mãe e 
nem com o seu irmão. 

Quem tem cabelo ruim precisa trabalhar de coque e passar gel.
Sai daqui sua preta macaca. Vai chorar?
A sua entrada do prédio não é essa, é a de serviço. 
Sabe qual a semelhança entre bandido e cabelo crespo? É que ou tá preso ou tá armado. 
Sabe com quem você parece? Com aquela mulher dos cinquenta centarro do Zorra Total.
A Camila tem vergonha do pai dela porque ele é negro.
A vaga de recepcionista foi preenchida, mas tem a de faxineira e seu perfil se encaixa, o que você acha?  
E verdade que o gozo de mulher negra tem cheiro mais forte?
Você é ridícula, menina. Até a sua gengiva é preta. Parece um toco de merda em cima dos dentes. 

Eu escutei tudo isso pelo menos uma vez na vida. Algumas coisas foram recebidas com a potencia de um soco no estomago. Outras eu tenho que lidar diariamente desde pequena. Indagações que ouço desde pequena e que me fizeram crescer com a sensação de despertencimento da minha própria mãe. Fofocas que inventaram, questionamentos descabidos, piadas sem graça. O nome disso é racismo

Aparentemente a vergonha do meu pai era tanta 
que até selfie em 2005 a gente já fazia. 


Temos uma ideia de que só é racismo quando falamos de escravidão ou negros usando banheiros separados. Precisamos reconhecer o racismo diário e desnaturalizar essas coisas. Não é normal questionar o cabelo, questões familiares e se intimidar com a autoestima alheia. Estou expondo essas situações porque elas não acontecem só comigo, faz parte do cotidiano de tantas outras pessoas negras. Chega de falar "não sou todas negas", chamar cabelo crespo de cabelo ruim, miniminizar as questões raciais com "mimimi". 

Cabelo rosa na adolescência - 2003.

Presumir que uma pessoa negra não pode ser dona de um comércio ou que não temos poder de compra. Vamos parar com essa história que todos os negros se conhecem e moram no mesmo lugar. Ou essa mania das pessoas brancas tem de fazer comparações com pessoas negras que nada tem a ver uma com a outra. PÁRA! Já me falaram que sou parecida desde Zezé Motta até Woopi Goldberg, só pelo fato de pertencemos a mesma raça. Isso causa um desconforto, é um "elogio" completamente desnecessário. 

Minha cara quando me chama de Neusa Soares. 

Escrevo essas linhas no intuito de expor esses comentários "inofensivos" e conscientizar as pessoas do quão mal elas podem fazer uma criança sentir-se em relação a sua cor. Uma mesma pergunta repetida por diferentes pessoas acerca de um assunto pode gerar consequências ruins pro individuo. Tudo isso faz parte de um comportamento coletivo e fruto do racismo que está institucionalizado em nosso cotidiano. Eu deixei de sorrir em fotos em certa época porque um idiota disse que minha gengiva tinha cor de bosta! O nome disso é racismo e precisamos dar um basta.

Essa é minha família e se ela te causa desconforto 
isso é um problema TEU.


PS: não tem nada de errado ser filha adotiva ou faxineira, a abordagem é que pessoas brancas não sofrem esses questionamentos. 

30 de junho de 2016

Já fui uma babaca que odiava crianças (ou o que aprendi com as minhas amigas mães)

Cansei de dizer por aí que odiava crianças. Chora demais, faz birra, pergunta demais, tá sempre gritando e falando alto. O HORROR! Mãe com criança chorando no ônibus, eu era a primeira a olhar com aquela cara BEM FEIA. Controla essa criança, controla esse bebe! E daí a criança não para de chorar no supermercado, no avião, no restaurante e você começa a bufar e junto com a tensão gerada no ambiente, a mãe acabava indo embora... Ou pior, batia no filho em um ato desesperado de fazer a criança se calar e acabava piorando a situação.

Eu já fui aquela babaca que xingava muito no twitter as criança tudo no Twitter!





Eu tinha respectivamente 22 e 25 anos quando escrevi isso. E não é que eu odiava criança no sentido literal, de querer machucar/prejudicar. Eu não me considerava paciente o suficiente, sabe? Aquele tipo de pessoa que ajoelha no chão e vai brincar? Não. E toda vez que havia um mínimo de interação, sempre vinha alguém pra falar “ai, não é assim que fala com criança”.

Bom, o que mudou nos últimos cinco anos? MINHAS AMIGAS COMEÇARAM A ENGRAVIDAR. O feed de notícias quando você se aproxima dos 30 anos se resume: foto dos amigos correndo às seis da manhã de pleno domingo e bebes de todos os tipos e tamanhos.

As redes sociais tem essa fama de afastar as pessoas. “Vamos conversar entre nós, chega de senha do wi-fi” e aquela coisa toda, mas se não fossem as redes sociais (facebook principalmente) eu continuaria a mesma babaca de cinco anos atrás. Eu acompanhei a transformação de várias amigas, colegas e conhecidas a se tornarem mães. Calcular aquelas semanas todas, útero infantil, parto de risco, produto pra passar na pele, as dificuldades da gravidez, o nascimento. Um negócio chamado PEURPÉRIO que eu NUNCA TINHA OUVIDO FALAR EM TODA MINHA VIDA e é algo SUPERIMPORTANTE.

Tem um monte de coisas que são básicas e que aparentemente ninguém que tem um filho sabe. Aprendi que você precisa perguntar pra mãe antes de oferecer um alimento pra criança, aprendi que às vezes tudo o que uma mãe de primeira viagem precisa é que alguém vá lá e lave a louça dela. Aprendi a ser muito mais tolerável, que amamentar dói. Cada um tem um conselho, mas cabe aos pais a educar melhor os seus filhos. Mas tudo bem se você vê a criança disparando a descarga da sua casa e chamar atenção, explicando o porquê daquilo ser errado. Aprendi que tudo bem falar como uma criança de igual para igual (como eu costumo fazer), porque criança não é burra. Não preciso ser infantil e isso não está errado, tá tudo bem.

E como esse negócio de maternagem (tô usando até termos das mãe, veja só você) é romantizado pra caramba e todas essas minhas amigas ajudaram a desconstruir essa ideia que eu tinha. Como é difícil se socializar com uma criança. E como eu era babaca de olhar feio quando uma criança chorava no ônibus. As nossas crianças são oprimidas constantemente! Ontem eu acordei com um post de um marmanjo pedindo para não levar as crianças para assistir “Procurando Dory” porque ele estava esperando há dez anos por isso, e as crianças iriam arruinar a experiência dele por causa do barulho.  



Agora, pensa comigo. PROCURANDODORY é um filme infantil. E essa criança que não é bem-vinda de restaurantes até praças de alimentação, festas e churrascadas, em shoppings e exposições de arte, em salão de beleza a SPAs, agora as crianças vão tem que esperar o DVD pra poder assistir o filme. A mãe que já tem a sua vida social absurdamente reduzida por causa do seu filho não vai poder levar sua cria pro cinema porque criança faz muito barulho. Que mundo é esse?

Tenho um filho e só posso socializar com ele quando ele não quer mais socializar comigo (adolescência), é isso?  

Vamos colocar a mão na consciência! Mães, pais, avós: compartilhem conosco como viver com uma criança. A grande maioria não faz ideia ou tem uma visão romantizada. Precisamos saber, precisamos ouvir como realmente é.

Quando estava na faculdade, eu estudava com uma mulher chamada Ana Paula, Na época ela tinha um filho pequeno de uns 5 anos. De vez em quando ela trazia a criança pra sala de aula. Eu achava um absurdo. Todo mundo achava, aliás. Onde já se viu? Lugar de criança não é na faculdade. Acontece que a Ana Paula não tinha sempre com quem deixar o filho. Não tinha grana pra babá, a creche estava de férias e um monte de empecilhos que a gente só conhece quando vira mãe. Mais tarde, ela ficou grávida e passou a levar o bebê de colo pras aulas. Só quando eu vi a Ana Paula com o bebê no braço, a mala de coisas, os livros da faculdade e o outro filho grudado na perna dela, eu percebi como era difícil ela estar ali na aula e, mesmo assim, ela se fazia presente. E defendia seu espaço e lutava para não ser invisível naquele ambiente universitário. Quer dizer, precisou a mãe ficar visivelmente sobrecarregada para eu começar a entender o perrengue que ela passava. Assistir as aulas era a melhor parte, como Ana Paula fazia pra chegar até a faculdade em horário de pico? Quão babaca eu fui até aquele momento? Pois é.

Por isso que é importante essa troca de informações. E importante os pais reclamarem de ambientes que oprimem as crianças e que nós precisamos estar abertos a esse convívio. Não é todo mundo que vai virar mãe/pai, mas todos nós já fomos criança. As mães são invisíveis mesmo, a gente só ousa lembrar quando a criança chora e, mesmo assim, tem gente que prefere fechar os olhos e não dar o lugar no ônibus ou fazer cara feia, como eu costumava a fazer.

Não vou negar, choro de criança incomoda. Mas hoje eu penso na barra que aquela mãe tá passando, o filho pode estar doente ou é birra mesmo e não tem muito que fazer. Às vezes vez eu sorrio pra criança, tem vez que me levanto educadamente e simplesmente pego o próximo trem.

Não seja o babaca que acha que criança tem que ficar dentro de casa e sem emitir som. Ninguém tá pedindo pra você brincar com todos os bebês que aparecerem no raio de 30 km. Questão de empatia. Pegue o próximo trem, vá a uma sessão mais tarde e respire fundo. Não inviabilize. Isso é o mínimo que podemos fazer. Exercite a gentileza


22 de junho de 2016

Assisti Jessica Jones! E não gostei.

Sei que estou ATRASADÍSSIMA NO HYPE, mas quis escrever sobre isso mesmo assim. Esta postagem contém spoilers do seriado, ok? 



No final de 2015 a Netflix estrou mais uma série em parceria com a Marvel: Jessica Jones. Muitas pessoas surtaram nas redes sociais “MEUDEUSDOCÉU, JESSICA JOOOOOONES” e eu QUENHÉ JESSICA JONES?
Não sou muito ligada no universo de HQ’s e super-heróis, mas resolvi assistir porque fiquei curiosa com a premissa. Jessica Jones é uma detetive que tem habilidades extraordinárias e está sofrendo estresse pós-traumático devido relacionamento abusivo com o seu último namorado (Kilgrave). Um problema que acontece milhares de mulheres enfrentam diariamente, certo? Não tem como uma história dessa dar errado, no sentindo de empatia, certo? Eu também pensei assim, mas... Comigo a catarse não rolou. Comecei a ver a série em dezembro, assisti alguns episódios, depois terminei de ver  só agora. Precisei de seis meses e muita paciência e aqui falo porque a série não me pegou.


Enredo arrastado
Raramente começo AMAR LOUCAMENTE uma série no primeiro episódio. Mas no caso de Jessica Jones, quando eu cheguei no sétimo capítulo (são treze no total) pensei: POR QUE TANTA ENROLAÇÃO?
Eles enfiam várias tramas paralelas para deixar a história mais robusta e acrescentar mais dimensão na série, mas achei que foi pra encher linguiça. A trama amorosa da advogada Jeri Hogarth que não serviu de nada. Aquele policial CHATO PRA CARAMBA que surta com as pílulas, daí quer matar a Jessica. De onde esse cara veio? Por que ele tava ali? NÃO ENTENDI O PROPÓSITO. Os vizinhos CHATOS!





Clichés ruins
Sério mesmo que colocaram o negro-amigo-parceiro-para-todas-as-horas como o viciado em drogas do pedaço? Sério mesmo que fizeram a vilã da série lésbica? Só reforço de estereótipos que essas minorias enfrentam sempre. Negro drogado, lésbica má insensível. SABE? To sendo politicamente correta demais? Não sei. Mas cada vez que a série ia para esse lado, eu bufava enquanto assistia.


Heroína ou justiceira? + Krysten Ritter




Esse dilema que Jessica vive, não sabe se quer ser heroína e salvar as pessoas ou se quer apenas sua vingança contra o Kilgrave, não me comprou. A atuação da Krysten Ritter ficou a desejar... Algumas cenas ela estava muito boa, os olhares, tom de voz. Mas depois fiquei impaciente, achei tudo meio forçado, muito milimetricamente dirigido, sabe? Amiga dela, Patsy, que também achei bem chatinha, me convenceu muito mais em algumas cenas do que a própria Jessica. Achei uma interpretação insossa. Vocês me perdoem... Tem muito a melhorar, um pouco mais de espontaneidade. 

Bom, e o que eu gostei? David Tennant como Kilgrave está SOBERBO. Além de manipular as pessoas no seriado ele manipula o espectador. Uma atuação realmente brilhante e roubou a cena. 




E é sempre bom ver Netflix e Marvel investindo em protagonistas femininas. Mesmo que não tenha gostado da história, não é de todo ruim, a série levanta sérios pontos a serem discutidos. Durante novembro/dezembro vi inúmeras discussões nas redes sociais e depoimentos de mulheres que passaram por essa manipulação que a personagem sofre. Jessica Jones não tem apelo sexual, não existe aquela erotização pesada em cima das mulheres que estamos acostumadas a assistir, principalmente em filmes/séries de super heróis. E ao mesmo tempo, tem cenas EXTREMAMENTE ERÓTICAS entre Jessica e Luke Cage e você fica MEUDEUSQUEFOIESSACENA? Eu amei, sério. 

Netflix já confirmou a segundatemporada de Jessica Jones, mas fico me perguntando o que vai sustentar mais treze capítulos sem Kilgrave? O passado da personagem que não foi revelado? Mas será que precisa de tantos capítulos assim? E esperar pra ver... 



8 de junho de 2016

3 animações fora do circuito DISNEY para assistir

Minha mãe sempre gostou muito de assistir filmes. Toda vez que ela visitava a vídeo locadora perto de casa, sempre me deixava trazer um ou dois filmes. Eu cresci assistindo muitas animações e filmes. Meu sonho de consumo era ter aquela parede do quarta forrada com os VHS da Disney. Não cheguei a ter essa coleção de fitas (só depois de adulta, quando comecei a estagiar), mas cansei de alugar os mesmos filmes inúmeras vezes. Lembro a minha mãe até falava “Aluga um diferente, Camila! Esse você já assistiu demais!”.
Tirei o último final de semana para rever essas animações e até fiquei surpresa “nossa, por que eu gostava de uns desenhos tão sérios assim?”, mas foi bom relembrar e recomendo para todos vocês.





A trama principal conta a história da Sra. Brisby, uma rata que acabou de ficar viúva e tenta a todo custo salvar o seu filho caçula de uma pneumonia. Mas, vida de mãe, como bem sabemos, é dureza. Além de ser a MAIOR TRETA pra arranjar esse remédio, o lugar onde ela mora está sob ameaça de desmoronamento, então ela teria que se mudar... Mas o filho tem que ficar de repouso absoluto caso contrário morre. ALÉM DISSO, tem toda uma explicação sobre o fato dos ratos serem inteligentes, a circunstancia do marido ter falecido e tudo mais. É uma animação com uma moral bem legal MESMO. Eu gostava desse desenho porque a Ratinha Valente tinha medo das situações, mas mesmo assim metia as caras e era bem curiosa. Amo/sou Sra. Brisby. Disponível na Netflix. 





É o Êxodo, né mores? Não tem muito o que explicar... Eu gostava muito das músicas, principalmente da parte em que Moisés chega na aldeia e Jetro começa a cantar uma música falando que as coisas em nossa vida tem um propósito e que não devemos julgar uns aos outros. EU SEMPRE CHORO! Esse filme também está disponível na Netflix. 




Essa era a capa do VSH que eu alugava! 

Esse é o filme mais obscuro e acredito que muitos de vocês desconheçam. Sinceramente, nem eu sei como esse VSH foi parar naquela locadora pequenininha aqui em Pirituba, mas sou eternamente grata. De Volta a Melonia é uma animação sueca (vejam só vocês!) baseada na peça “A Tempestade” de Shakespeare. COMO ASSIM, SHAKESPEARE???????? Pois é, fiquei surpresa também quando assisti agora depois de adulta. Não fazia menor ideia que era uma adaptação de Shakespeare!
A história começa em um barco que é atingido por uma tempestade. O barco carrega uma caixa enorme com uma carga que estão levando para Plutônia. Dentro desta caixa, tem um menino chamado Ferdinand que está fugindo da ilha de Plutônia. A tempestade atinge esse barco levando o menino náufrago para a maravilhosa ilha de Melonia. Lá ele conhece Próspero (um mago muito poderoso) e sua filha Miranda (amooooooooo). Descobrimos qual foi a motivação de Ferdinand fugir da ilha (a parte que mais me chocava quando era criança) e a história se desenrola a partir daí. É um desenho com ritmo devagar e traços diferentes do que estamos acostumados, mas a mensagem é muito bonita mesmo, conteúdo reflexivo pra gente pensar de verdade. Tem uma parte muito bonita relacionada à Miranda, com referencia aos pássaros/liberdade. Quando era criança assisti uma cópia dublada, essa que encontrei para baixar é no áudio original e a legenda tem um ou dois palavrões, o que achei bem curioso. Se vocês puderem baixar e assistir, sério, façam isso! É diferente e tocante mesmo. Fiz o download do filme através desse link aqui

Gostaria de deixar uma menção honrosa para “Labirinto – A magia do tempo”, não é animação, mas aluguei tanto quanto esses outros (senão mais) e certeza que já falei MILHÕES DE VEZES DESSE FILME AQUI NO BLOG E NINGUÉM AGUENTA MAIS. Porém David Bowie! E tem na Netflix! 

Essa era a capa do VSH na época. 


Basicamente esses filmes construíram meu caráter. Assisti até gastar a fita do VSH (perguntem pra minha mãe haha) e foi bom revisitá-los. Fiquei orgulhosa da criança que eu fui, sabe? Posso sentir orgulho da pequena Camila com seus seis/sete anos de idade? 
Assista se ficou curioso (vale a pena!) e depois comenta comigo se gostou ou não. Se quiser me contar quais foram os filmes que você viu até enjoar quando era criança, vou adorar saber também.