22 de junho de 2016

Assisti Jessica Jones! E não gostei.

Sei que estou ATRASADÍSSIMA NO HYPE, mas quis escrever sobre isso mesmo assim. Esta postagem contém spoilers do seriado, ok? 



No final de 2015 a Netflix estrou mais uma série em parceria com a Marvel: Jessica Jones. Muitas pessoas surtaram nas redes sociais “MEUDEUSDOCÉU, JESSICA JOOOOOONES” e eu QUENHÉ JESSICA JONES?
Não sou muito ligada no universo de HQ’s e super-heróis, mas resolvi assistir porque fiquei curiosa com a premissa. Jessica Jones é uma detetive que tem habilidades extraordinárias e está sofrendo estresse pós-traumático devido relacionamento abusivo com o seu último namorado (Kilgrave). Um problema que acontece milhares de mulheres enfrentam diariamente, certo? Não tem como uma história dessa dar errado, no sentindo de empatia, certo? Eu também pensei assim, mas... Comigo a catarse não rolou. Comecei a ver a série em dezembro, assisti alguns episódios, depois terminei de ver  só agora. Precisei de seis meses e muita paciência e aqui falo porque a série não me pegou.


Enredo arrastado
Raramente começo AMAR LOUCAMENTE uma série no primeiro episódio. Mas no caso de Jessica Jones, quando eu cheguei no sétimo capítulo (são treze no total) pensei: POR QUE TANTA ENROLAÇÃO?
Eles enfiam várias tramas paralelas para deixar a história mais robusta e acrescentar mais dimensão na série, mas achei que foi pra encher linguiça. A trama amorosa da advogada Jeri Hogarth que não serviu de nada. Aquele policial CHATO PRA CARAMBA que surta com as pílulas, daí quer matar a Jessica. De onde esse cara veio? Por que ele tava ali? NÃO ENTENDI O PROPÓSITO. Os vizinhos CHATOS!





Clichés ruins
Sério mesmo que colocaram o negro-amigo-parceiro-para-todas-as-horas como o viciado em drogas do pedaço? Sério mesmo que fizeram a vilã da série lésbica? Só reforço de estereótipos que essas minorias enfrentam sempre. Negro drogado, lésbica má insensível. SABE? To sendo politicamente correta demais? Não sei. Mas cada vez que a série ia para esse lado, eu bufava enquanto assistia.


Heroína ou justiceira? + Krysten Ritter




Esse dilema que Jessica vive, não sabe se quer ser heroína e salvar as pessoas ou se quer apenas sua vingança contra o Kilgrave, não me comprou. A atuação da Krysten Ritter ficou a desejar... Algumas cenas ela estava muito boa, os olhares, tom de voz. Mas depois fiquei impaciente, achei tudo meio forçado, muito milimetricamente dirigido, sabe? Amiga dela, Patsy, que também achei bem chatinha, me convenceu muito mais em algumas cenas do que a própria Jessica. Achei uma interpretação insossa. Vocês me perdoem... Tem muito a melhorar, um pouco mais de espontaneidade. 

Bom, e o que eu gostei? David Tennant como Kilgrave está SOBERBO. Além de manipular as pessoas no seriado ele manipula o espectador. Uma atuação realmente brilhante e roubou a cena. 




E é sempre bom ver Netflix e Marvel investindo em protagonistas femininas. Mesmo que não tenha gostado da história, não é de todo ruim, a série levanta sérios pontos a serem discutidos. Durante novembro/dezembro vi inúmeras discussões nas redes sociais e depoimentos de mulheres que passaram por essa manipulação que a personagem sofre. Jessica Jones não tem apelo sexual, não existe aquela erotização pesada em cima das mulheres que estamos acostumadas a assistir, principalmente em filmes/séries de super heróis. E ao mesmo tempo, tem cenas EXTREMAMENTE ERÓTICAS entre Jessica e Luke Cage e você fica MEUDEUSQUEFOIESSACENA? Eu amei, sério. 

Netflix já confirmou a segundatemporada de Jessica Jones, mas fico me perguntando o que vai sustentar mais treze capítulos sem Kilgrave? O passado da personagem que não foi revelado? Mas será que precisa de tantos capítulos assim? E esperar pra ver... 



8 de junho de 2016

3 animações fora do circuito DISNEY para assistir

Minha mãe sempre gostou muito de assistir filmes. Toda vez que ela visitava a vídeo locadora perto de casa, sempre me deixava trazer um ou dois filmes. Eu cresci assistindo muitas animações e filmes. Meu sonho de consumo era ter aquela parede do quarta forrada com os VHS da Disney. Não cheguei a ter essa coleção de fitas (só depois de adulta, quando comecei a estagiar), mas cansei de alugar os mesmos filmes inúmeras vezes. Lembro a minha mãe até falava “Aluga um diferente, Camila! Esse você já assistiu demais!”.
Tirei o último final de semana para rever essas animações e até fiquei surpresa “nossa, por que eu gostava de uns desenhos tão sérios assim?”, mas foi bom relembrar e recomendo para todos vocês.





A trama principal conta a história da Sra. Brisby, uma rata que acabou de ficar viúva e tenta a todo custo salvar o seu filho caçula de uma pneumonia. Mas, vida de mãe, como bem sabemos, é dureza. Além de ser a MAIOR TRETA pra arranjar esse remédio, o lugar onde ela mora está sob ameaça de desmoronamento, então ela teria que se mudar... Mas o filho tem que ficar de repouso absoluto caso contrário morre. ALÉM DISSO, tem toda uma explicação sobre o fato dos ratos serem inteligentes, a circunstancia do marido ter falecido e tudo mais. É uma animação com uma moral bem legal MESMO. Eu gostava desse desenho porque a Ratinha Valente tinha medo das situações, mas mesmo assim metia as caras e era bem curiosa. Amo/sou Sra. Brisby. Disponível na Netflix. 





É o Êxodo, né mores? Não tem muito o que explicar... Eu gostava muito das músicas, principalmente da parte em que Moisés chega na aldeia e Jetro começa a cantar uma música falando que as coisas em nossa vida tem um propósito e que não devemos julgar uns aos outros. EU SEMPRE CHORO! Esse filme também está disponível na Netflix. 




Essa era a capa do VSH que eu alugava! 

Esse é o filme mais obscuro e acredito que muitos de vocês desconheçam. Sinceramente, nem eu sei como esse VSH foi parar naquela locadora pequenininha aqui em Pirituba, mas sou eternamente grata. De Volta a Melonia é uma animação sueca (vejam só vocês!) baseada na peça “A Tempestade” de Shakespeare. COMO ASSIM, SHAKESPEARE???????? Pois é, fiquei surpresa também quando assisti agora depois de adulta. Não fazia menor ideia que era uma adaptação de Shakespeare!
A história começa em um barco que é atingido por uma tempestade. O barco carrega uma caixa enorme com uma carga que estão levando para Plutônia. Dentro desta caixa, tem um menino chamado Ferdinand que está fugindo da ilha de Plutônia. A tempestade atinge esse barco levando o menino náufrago para a maravilhosa ilha de Melonia. Lá ele conhece Próspero (um mago muito poderoso) e sua filha Miranda (amooooooooo). Descobrimos qual foi a motivação de Ferdinand fugir da ilha (a parte que mais me chocava quando era criança) e a história se desenrola a partir daí. É um desenho com ritmo devagar e traços diferentes do que estamos acostumados, mas a mensagem é muito bonita mesmo, conteúdo reflexivo pra gente pensar de verdade. Tem uma parte muito bonita relacionada à Miranda, com referencia aos pássaros/liberdade. Quando era criança assisti uma cópia dublada, essa que encontrei para baixar é no áudio original e a legenda tem um ou dois palavrões, o que achei bem curioso. Se vocês puderem baixar e assistir, sério, façam isso! É diferente e tocante mesmo. Fiz o download do filme através desse link aqui

Gostaria de deixar uma menção honrosa para “Labirinto – A magia do tempo”, não é animação, mas aluguei tanto quanto esses outros (senão mais) e certeza que já falei MILHÕES DE VEZES DESSE FILME AQUI NO BLOG E NINGUÉM AGUENTA MAIS. Porém David Bowie! E tem na Netflix! 

Essa era a capa do VSH na época. 


Basicamente esses filmes construíram meu caráter. Assisti até gastar a fita do VSH (perguntem pra minha mãe haha) e foi bom revisitá-los. Fiquei orgulhosa da criança que eu fui, sabe? Posso sentir orgulho da pequena Camila com seus seis/sete anos de idade? 
Assista se ficou curioso (vale a pena!) e depois comenta comigo se gostou ou não. Se quiser me contar quais foram os filmes que você viu até enjoar quando era criança, vou adorar saber também. 

31 de maio de 2016

Diga aos Lobos que Estou em Casa, Carol Rifka Brunt

Faz tempo que não falo de livros aqui no blog, não? Vamos ver se consigo tornar as resenhas um hábito novamente. Comprei esse livro única e exclusivamente por causa do título “DIGA AOS LOBOS QUE ESTOU EM CASA”. Achei que seria uma história boba de aventura, envolvendo alguma floresta e alguns lugares mal assombrados. Mas no final não era nada disso! O livro conta a história de uma menina de 14 anos chamada June Elbus que precisa lidar com o luto. UMA HISTÓRIA SOBRE LUTO!

“Se a minha vida fosse um filme, eu já teria saído do cinema”

O ano é 1987 e a nossa protagonista é uma menina tímida, ama a Idade Média, música clássica, não é muito popular na escola. Seu único amigo é seu tio/padrinho Finn Weiss, um renomado pintor, que por um acaso está morrendo de AIDS. Finn decide pintar um quadro das suas sobrinhas como seu último trabalho, então, todo domingo June e sua irmã mais velha, Greta (insuportááááaááááveeeeeeeeeeel), vão para o apartamento do tio posar para a pintura.

São 66 capítulos que passam voando... 

Sabe quando você não dá NADA para a história e a autora desenrola trama e desenvolve os personagens com tanta sutileza que você deseja ter escrito o livro? Foi isso que aconteceu comigo.

Nessa nossa sociedade moderna, tratamos a morte e o luto como temas tão pesados, do tipo, não vamos falar sobre isso. Não vamos falar da dor da perda, nem de uma doença incurável e muito menos como devemos sentir em relação a isso.Quando uma pessoa querida morre a gente acaba descobrindo várias coisas, vários segredos (vamos assim dizer). E difícil abordar esse sentimento de “exclusão” (quando você descobre detalhes desconhecidos da pessoa que morreu) e autora aborda de uma maneira TÃO REAL, que queria abraçar toda hora os personagens enlutados.

Além de luto e AIDS, segredos dos vivos e dos mortos sendo revelados, cada capítulo do livro a autora mostra a relação conturbada entre as irmãs June e Greta. Na infância eram melhores amigas, na adolescência completas estranhas e como isso foi acontecendo.

Diga ao Lobos que Estou em Casa é uma história para todos, com personagens sensíveis e realistas, super bem escrito e amarrado. Não é piegas e nem apelativo. Conta a história de uma adolescente que perde seu único amigo e como é importante compartilhar essa dor e falar sobre ela com outras pessoas. Leiam, leiam, leiam!

“— O Finn nem parecia se importar de estar morrendo – comentei.E era verdade. Finn estava calmo como sempre até a última vez em que o vi.
— Você não sabe? Esse é o segredo. Se você sempre garantir que é exatamente a pessoa que esperava ser, se sempre garantir que conhece apenas as melhores pessoas, então não vai se importar de morrer amanhã.
— Isso não faz nenhum sentindo. Se você fosse tão feliz, então iria querer ficar vivo, não iria? Iria querer ficar vivo para sempre, para continuar sendo feliz.— Não, não. São as pessoas mais infelizes que querem ficar vivas, por que acham que não fizeram tudo o que querem fazer. Acham que não tiveram tempo suficiente. Acham que ganharam menos do que mereciam.”


PS: se você gostou de Procurando pro Alasca (do John Green, em breve vou resenhar aqui), Como Eu Era Antes de Você e Extraordinário, esse livro é MUST READ pra você. 


23 de maio de 2016

#FelipeNetoPeople

Eu não ia falar nada sobre isso porque não é problema meu. Mas estou muito incomodada não com o motivo da confusão e sim pela defesa de um dos argumentos. SEGUINTE! Pra quem não está sabendo o Felipe Neto (sempre ele) fez um vídeo em seu canal no YouTube falando que devemos parar de compartilhar besteiras na internet (besteiras que ele classificou como música funk).

Ele atribuiu essa grande viralização do funk na web à GERAÇÃO NÃO SALVO. Não Salvo é um blog criado pelo Cid, que faz uma curadoria de coisas bizarras e engraçadas que encontramos na internet. Cid fez um vídeo resposta ao Felipe Neto e a treta foi instaurada. Não estou aqui pra defender ponto de vista do Felipe Neto (pedindo para parar de compartilhar besteiras na internet é UM PARADOXO) e nem o Cid, que já defendeu seu ponto de vista.

O que me incomodou nessa história foi a tréplica do Felipe, que diz o seguinte: 

“Por que será que o Cid ficou tão puto ao ponto de fazer um vídeo resposta? Vocês acham que foi porque o Cid acha realmente que a cultura do funk é importante? (...) Eu comecei a pensar... O que o Cid fez até hoje? O que ele criou? O que ele deixou na internet? E daí eu entendi porque o Cid deixou levar para o pessoal. O Cid já tentou fazer muitas coisas que não deram certo. O que é normal, eu também. Ele criou um blog que explodiu divulgando funks e coisas que não foram criadas por ele. E desde então, ele tenta desesperadamente emplacar em outras redes, tentando que a imagem dele seja maior que o blog mas não consegue. Ele tentou ser empreendedor, abriu uma empresa e falhou... Falhou assim de uma maneira épica. Há pelo menos 6 anos ele tenta fazer um canal no youtube vingar. Acho que essa deve ser a sétima tentativa dele que não funciona. E no final, a única coisa que o Cid fez hoje que realmente deu certo foi divulgar funk” 

E daí ele continua ladeira abaixo. Quem quiser ver tudo, clica aqui

O meu ponto nessa história toda é: quantas pessoas a gente encontra na vida com esse discursinho pedante? Nos olhando por cima, diagnosticando o nosso “problema” como se fossem  especialistas no assunto, com ares doutores, se achando os donos da verdade, apontando nossas falhas com todo escárnio e presunção.

QUAL PROBLEMA DE FALHAR?

QUAL O PROBLEMA DE CONTINUAR TENTANDO?


QUAL PROBLEMA DE QUERER MUDAR?


QUAL O PROBLEMA DE TENTAR ALGO PELA SEGUNDA OU SÉTIMA VEZ?


POR QUE EXISTE ESSA CULTURA EM DEIXAR O OUTRO ENVERGONHADO DEVIDO PROJETOS QUE NÃO DERAM CERTO?


POR QUE AS PESSOAS GOSTAM DE DESESTIMULAR E 
ENVERGONHAR UMAS AS OUTRAS?


CHEGA DISSO!

Foda-se essa treta. O que me incomodou foi esse discurso medíocre e essa cultura que existe em fazer escárnio da pessoa que falha, no indivíduo que ousa mudar! Eu vi esse vídeo várias vezes, pensando nas coisas que foram ditas e nas coisas que eu já tive que escutar. E muitas vezes deixei de obedecer meu instinto e segui a opinião/conselho desse tipinho de gente. Muitas vezes pessoas tentaram me sentir envergonhada dos meus planos e sonhos. É isso que o Felipe Neto faz nesse vídeo.

Eu não sou especialista ou entendedora de nada. Tenho 29 anos e vi pouco da vida. Escrevo as coisas no blog com experiência e observações pessoais, e uma coisa que eu tenho certeza é que as coisas dão certo na base da TENTATIVA E ERRO. Raramente eu (e o resto da humanidade) acerto de primeira. A gente tenta, faz do jeito que dá, muda, erra, aperfeiçoa, tenta de novo, de novo e de novo.

Depois que resolvi acreditar no meu instinto e me cercar de pessoas com a mesma vibe, muita coisa mudou mesmo. Não mudou na velocidade que eu queria, porque as mudanças não são como um interruptor de liga e desliga, mas mudou. E eu tenho tentado algumas coisas que sempre tive medo desde então. Desde que passei a acreditar em mim, no meu potencial, colocando as mangas de fora, tentando e encarando todas as minhas falhas e sem deixar o medo me paralisar, a vida é outra. Peguei meu escudo anti-badvibes e estou aqui, tentando ser firme.

Vamos parar de fazer o coleguinha sentir vergonha pelos erros. Se não quer estender a mão pra ajudar, não atrapalhe. Exercício diário: julgar menos e se afastar desse povo que só quer olhar por cima.

E agora, voltando pra treta (rapidinho), eu nem acho o Cid tenha falhado epicamente do jeito que foi colocado. O cara até esses dias tinha programa de televisão na MIX TV, o NS tá aí desde 2008 pagando as suas contas, o cara viaja sempre, viraliza tudo o que coloca a mão, tá tentando mudar seu target que é uma coisa boa, então, sei lá. ¯\_(ツ)_/¯



A grande verdade é que para os olhos dos nossos críticos de plantão, todos os nossos projetos sempre serão vistos como falhas e erros.



19 de maio de 2016

Lifestyle da grama verde

Semana passada eu estava especialmente inspirada e querendo limpar as minhas coisas. Limpeza no sentido literal: água, sabão, desinfetante. Comecei pela minha estante de livros, separei uns exemplares para doação. Depois organizei todas as minhas roupas, separei sapatos e coisas que não usava mais e passei para frente. Limpei os sapatos, tênis e as botas. Esfreguei o chão, limpei os vidros, joguei maquiagem fora, organizei os meus lenços, coloquei as blusas de frio para tomar sol.

Eu lembro que estava me sentindo tão mal por algumas coisas e sentimentos que não me pertenciam. É duro falar para o seu psicológico que todas aquelas neuroses não são reais e, principalmente, não são suas.

Meu quarto estava limpo e arrumado como nunca. E melhor, do meu jeito. É bom empregar um tempinho arrumando as suas coisas, no seu tempo, no seu gosto, da forma que você achar melhor. Me fez um bem danado e me senti no controle do ambiente em que eu durmo e organizo as  minhas ideias.

Organizei meu celular também. Saí de vários grupos de whatsapp, organizei as pastas de imagens, arrumei os contatos, fiz backup de fotos sem antes apagar um monte de coisas que já não faziam mais sentido de estarem ali.


Uma foto publicada por Cami Rocha (@crioladoida) em

Depois limpei meu feed do Instagram e foi por isso que decidi escrever esse post. Não sou muito de seguir celebridades no Instagram e Snapchat, sou tão bombardeada com a vida dessas pessoas, indo atrás ou não. Mas eu amava seguir blogueira de moda consumo. Eu seguia várias. Assistindo o dia-a-dia delas de camarote, a viagem pra França nos hotéis superluxo com motorista particular, os “mimos” das marcas, cabeleireiro e maquiador a disposição 24 horas/7 dias da semana. Sem contar as festas em lugares maravilhosos com a ~nata da sociedade, sem problemas, tudo flash e carão no instagram.

Assistir aquela realidade, que não condiz nem um pouco com a minha, me fazia questionar muitas coisas. Tava me dando a impressão que a minha vida era uma merda, aquela falsa impressão que precisava de coisas que realmente não preciso. Assistir, ainda deitada na minha cama, tal blogueira tomar café da manhã com 15 tipos de frutas e bolos, toda a Nutella à disposição, com vista para os Alpes ou qualquer lugar paradisíaco, me fazia questionar duramente o café pilão da minha dispensa. Por mais que eu ame calçar minhas pantufas e preparar meu café preto, com a Jade nos meus calcanhares esfregando o brinquedinho querendo brincar. Eu amo isso! E mesmo assim, ficava pensando em ciclano que tá em Vegas e eu aqui, em Pirituba. O que eu fiz de errado? NADA! 

Café preto + Jade = amor. 

Não é que o blogueiro esteja errado ou que eu tenha trabalhado de menos e ele muito maisO tempo todo estão me querendo vender uma vida que não é minha, me fazendo querer comprar coisas que não preciso, achar que sou fracassada porque não estou fazendo uma viagem incrível para Tailândia (patrocinada por sei lá quem).

Eu sempre dei valor as minhas coisas, sou eternamente grata a minha família e amigos, as oportunidades que estão aparecendo. Entendo esse momento de transição que estou passando e que não está sendo fácil (mas poderia ser bem pior!) e, mesmo assim, estava questionando todas as coisas boas por causa de gente bebendo Moet & Chandon no gargalo no Coachella.  

Quando um blogueiro coloca “lifestyle” em sua biografia, ele quer dizer o que com isso? É uma pergunta legítima. O lifestyle dele é o certo e o meu não? O que raio quer dizer ESTILO DE VIDA? Qual estilo? O meu, o seu, da Thassia Naves ou Hugo Gloss?

A limpeza no armário e nas redes sociais foi um sucesso. As pessoas tem o direito de vender o que dizer, eu tenho direito de optar em fazer parte da audiência ou não. Ainda estou seguindo bloggers sim, são pessoas que acho que ainda agregam algo de bom, não é só consumo, são ideias

Não fique achando que sua vida é uma bosta por causa de foto bonita de celebridade no Instagram ou festa ba-ba-do sendo transmitida no Snapchat. Reúna seus amigos, arrume suas roupas, transe com seu namorado, faça a sua maratona no Netflix, estabilize suas metas e vá em frente. Aproveite as coisas que você tem. Cada um tem seu ritmo e seu caminho.  A grama da celebridade pode parecer mais verde que a sua, mas na maioria das vezes é o filtro do instagram e um ângulo bom

5 de maio de 2016

Spoilers e a Internet

É sempre assim, toda vez que começa uma nova temporada de Game of Thrones, o debate de spoilers se inicia pela milésima vez. Pra quem não sabe (o que eu duvido) o que um spoiler, clica aqui.

Domingo passado aconteceu algo superimpactante em Game of Thrones, com isso, timeline do Twitter explodiu de imagens e, consequentemente, spoilers. Depois da reação das pessoas que estavam assistindo o episódio, imediatamente vem a reação das pessoas que NÃO estavam assistindo.

SOCORRO, SPOILERS. SPOILERS. SPOILERS. 




MORRAM TODOS!



Algumas pessoas que sofreram com a espoliação, resolveram se vingar contando os acontecimentos do filme “Capitão América: Guerra Civil”, que estreou recentemente. Agora... paraparaparapara porque vejo DUAS SITUAÇÕES neste caso.



Eu ODEIO spoiler! DETESTO! Quero MORRER quando alguém me conta algo que eu não gostaria de saber, ainda mais quando é de uma forma gratuita e proposital. Eu sou cria do fandom de HarryPotter e participava de um fórum que tinha políticas severas contra spoiler. A cada lançamento de livro, era aberta uma sessão secreta para discutir os acontecimentos. Quem não sabia ler inglês ou preferia esperar a tradução, podia circular tranquilamente pelo fórum sem ser espoliado. Era uma bolha mágica da felicidade, os usuários realmente respeitavam essa regra e se você soltava um spoiler, era banido e mal visto pelos outros do fandom.
Só que não estou mais na bolha mágica daquele fórum potteriano. Estou no Facebook, Twitter e Snapchat. E as pessoas podem postar o que bem entenderem, certo? Certo. Eu tenho todo direito de fazer live tweeting durante o episódio de Game of Thrones e descrever graficamente o que está acontecendo ou esboçar as minhas reações. O que acho que precisamos é um pouco mais de bom senso de ambas as partesEntão vamos por partes.

O que é realmente um SPOILER?

Algumas pessoas acreditam que o simples fato de você falar se gostou ou não do que acabou de assistir/ler já é spoiler. Um simples “odiei esse episódio”, “ACABEI DE ASSISTIR FILME TAL NOSSA É F*DA PRA C*RALHOOOOOOOOOO!!!!111”. ISSO NÃO É SPOILER. PARE DE RESCURA. 



Você ficar chateado e brigar com algum amigo seu por simplesmente expressar sua reação se gostou ou não é frescura. Spoiler é contar algo RELEVANTE da trama. Tipo...

Scar matou Mufasa.
Joye e Pacey ficam juntos no final de Dawson’s Creek e a Jen morre de câncer.
Darth Vader é pai de Luke Skywalker.
No filme “Os Outros” todos estão mortos.


E assim por diante. ISSO É UM SPOILER. Falar algo crucial, uma morte importante, a mudança de rumo da história, algo que surpreenderia o expectador. Quando você solta um spoiler, você estraga a experiência da outra pessoa de surpreender-se também.










De vez em quando o spoiler acontece sem querer, escapa no meio de uma conversa animada. Seu amigo está assistindo uma série e você acaba sem querer revelando algo que ainda não aconteceu na temporada em que ele está vendo. Acontece! ¯\_(ツ)_/¯

Agora, voltemos pro twitter e redes sociais.
O Twitter tornou-se a segunda tela do espectador faz tempo. É um olho na televisão e outro na timeline. Quem usa o Twitter constantemente (tipo eu) sabe que existe uma AGENDA de eventos. Terça-feira as pessoas estão comentando Master Chefe, na quarta-feira tem o futebol, domingo tem The Walking Dead e GAME OF THRONES.

Eu me interessei pela série quando estava na segunda temporada. Mas eu sou dessas ~diferentona~ que gosta de ler o livro ANTES de ver o filme/série. Consegui ler os livros em 2013 e como não queria saber spoilers, domingo à noite eu nem dava as minhas caras no Twitter. Comecei a assinar a HBO apenas na quarta temporada. Geralmente eu baixava o episódio de GoT numa terça-feira, quando chegava do trabalho. Entrar no Facebook era um risco que eu não corria até ver o episódio.

Eu acredito que dá para comentar ao vivo no Twitter sem fazer grandes revelações da trama (tento agir assim). Mas se eu quiser fazer uma referência e escrever graficamente algo, é um direito meu. Se você não pode assistir o seriado no domingo e quer estar no Twitter olhando a timeline, é um direito seu também. Mas não fique chorando ou contando spoiler de outras coisas só porque você leu o que não queria. Dá pra ter bom senso. Se você não quer se privar de entrar nas suas redes sócias, por que as outras pessoas se privariam disso também? ¯\_(ツ)_/¯

No Facebook essa história de spoiler é mais complicada por causa do algoritmo. Algo que você postou onze da noite pode aparecer na timeline do seu amigo  (que ainda não viu a série) as quatro da tarde do dia seguinte. Daí é complicado... No Twitter enquanto passa o programa tem um contexto, agora, no Facebook entre uma foto de gatinho e uma notícia política, tomar um spoiler da série sem aviso, é triste. Já aconteceu comigo. Faz parte da brincadeira.

Tem pessoas indo além disso, comentando cena por cena no snapchat. Sem avisar as outras pessoas que faria isso. A pessoa está no seu direito? Esta. Mas isso é uma atitude meio babaca... quer dizer, você pode ser surpreendido e as outras pessoas não? Tá errado isso aí.

Spoiler tem data de validade?

Ok, mas eu quero postar uma foto ou um gif do episódio. Novamente, nada impede que você o faça, mas eu acredito no bom senso de esperar pelo menos umas 48h para soltar uma imagem.

E sobre a data de validade de um spoiler... Tem coisas que (supostamente) caem mesmo no conhecimento geral depois de um tempo. “Luke, I’m your father” é uma das frases mais famosas do cinema e puta dum spoiler pra quem não viu Star Wars. Mas quem AINDA não viu Star Wars? Um monte de gente hahaha. O primeiro filme foi lançado nos anos 70 e é um clássico. Existem referências enormes na cultura pop sobre o filme. Soltei um spoiler? Soltei. Mas é notícia velha já...

Comentar o final de “HarryPotter e as Relíquias da Morte”, livro lançado em 2007 (nove anos já!) será sempre um spoiler. Um spoiler velho, mas um spoiler. Não é algo que eu vá fazer propositalmente, mas não condeno quem falar disso mais abertamente.





Por isso que esse é um assunto tão controverso e que exalta os ânimos sempre. Tem gente que gosta de saber quem morreu ou ler a última página do livro. Já vi várias pessoas reclamando que Esquadrão Suicida tem muitos trailers, com isso, é spoiler...  *roll eyes* Só que na hora de apertar o play pra ver o vigésimo trailer do filme, quem foi que deu? Poooois é. TEMOS QUE TER BOM SENSO. AMBAS AS PARTES.

Soltar spoiler pra TODA a sua timeline porque você recebeu um também? É babaquice.

Brigar com seu amigo porque ele te contou o final de Blade Runner (1982)? É besteira.

Você contar PROPOSITALMENTE o final de Blade Runner pro seu amigo? É babaquice.  

Entrar no Twitter em horário de Game of Thrones e não querer ser atingido por um meme do episódio, é babaquice. Revidar contando o final de Guerra Civil é PIOR AINDA.


Gentileza é também é super bem-vinda “alerta de spoiler”, “vou postar a rodo coisas de tal filme e tal seriado”. Silenciar o amigo e ocultá-lo de sua timeline é ótimo. Faça a sua parte. Use o bom senso.


1 de maio de 2016

Maio chegou

4 anos hoje. E cada ano que passa é uma sensação diferente. Angústia. Aceitação. Saudade sem tristeza. Boas lembranças. O destino levou o último sopro de vida do meu pai em maio. E agora, o destino sopra novamente, desta vez nos trazendo uma nova vida: a Rafaela. Minha sobrinha nasce neste mês. É um novo ciclo que está prestes a começar. 
4 anos para entender, assimilar, aprender com os dias ruins e sorrir com os dias bons. 4 anos para entender que a vida continua e que vale a pena a caminhada, porque não saberemos nunca quais serão as outras surpresas que o destino nos reserva, se a gente desistir de caminhar. Saudades eternas. Continuaremos.

A vida não para.


28 de abril de 2016

Digitalmente analógica

Digitalmente analógica.

No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Mas não me surpreendi. Minhas retinas mais ou menos fatigadas já tinham checado previamente o caminho no Waze. O aplicativo traça as melhores rotas, mas eu ainda preservo meus próprios caminhos e atalhos pelo bairro.

Agendo os médicos no planner do celular. Dou comando de voz no Google perguntando qual será a previsão do tempo. Mas, se minha mãe fala pra levar casaco, eu levo.

Twitter.
Snapchat.
Tumblr.
Pinterest.
Facebook.

Estou em todas as redes sociais. Aplicativos mil para facilitar a vida cotidiana, mas ainda controlo meu ciclo menstrual na folhinha do calendário.

Dia desses resolvi me atualizar, fazer um curso de escrita criativa, me inteirar das novidades. Na bolsa, papel e caneta. Na sala de aula, os alunos tiravam fotos dos slides e faziam anotações diretamente no iPad. Todo conteúdo da aula estava disponível para download. Eu estava com a minha caneta bic azul nas mãos, olhando aquela movimentação tecnológica como se eu nunca tivesse visto todos aqueles gadgets.

Sala de aula e aprendizado sempre me remeteu à escrita cursiva. Vejo muitos vídeos no YouTube, dou joinha e compartilho, mas se acho o conteúdo realmente interessante, anoto as referencias em um caderno para usar mais tarde.

Nascida nos anos 80, criada nos anos 90 e virei adulta na virada do século. São muitas referências e levo todas elas comigo. Fiz trabalhos escolares em folha de almaço, tirei muita xérox de 10 centavos na faculdade. Tenho um Kindle, mas não dispenso meus livros físicos de maneira alguma. Gosto de abrir o livro, grifar com marca texto, fazer anotações em letras miúdas na borda das páginas.

O trabalho de conclusão de curso da faculdade foi feito a quatro mãos no GoogleDocs, mas muitas das pesquisas foram feitas nos livros da biblioteca.
Gosto de estar no meio. É divertido essa lacuna a qual pertenço. Raciocínio analógico e organização digital..

Tenho inúmeras playlists no Spotify, mas não dispenso promoção no bacião de cd’s e dvd’s nas Lojas Americanas. Kindle revolucionou minhas metas de leitura, mas não posso esquecer-me de devolver o livro que peguei emprestado na biblioteca semana que vem. Ligo pro delivery de comida que foi previamente escolhido verificando as referências na internet.

Sou meio assim, meio mozarela, meio calabresa. Levo sempre uma caneta na bolsa assim como o carregador do celular. Anoto no caderno os pensamentos soltos e organizo as referências estéticas no PinterestSou meio assim. Digitalmente analógica. Analogicamente digital.